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Amigos compram cestas básicas com verba de uniformes de pelada no ES

Atentos ao agravamento das necessidades de muitas famílias por conta da pandemia do novo coronavírus, grupo "Boleiros do Norte" optou por usar o dinheiro dos novos uniformes para ajudar famílias assistidas por associação no Estado

Publicado em 22/04/2020 às 11h35
Atualizado em 22/04/2020 às 12h01
Os Boleiros do Norte seguirão jogando com o antigo uniforme, pois o valor destinado ao novo será convertido em cestas básicas
Os Boleiros do Norte seguirão jogando com o antigo uniforme, pois o valor destinado ao novo será convertido em cestas básicas. Crédito: Carlos Alberto Silva

Ano novo, uniforme novo, certo? Seria assim neste ano de 2020, mas desta vez os integrantes do grupo de amigos "Boleiros do Norte" resolveram se unir em prol de uma causa mais nobre ao invés de estrear novas vestimentas na pelada disputada, até o início da pandemia do coronavírus, religiosamente todas as segundas-feiras há 12 anos. Eles decidiram ajudar uma associação de atendimento a autistas do Espírito Santo.

Seguindo as recomendações dos órgãos de saúde de evitar aglomerações para combater a transmissão da Covid-19, os amigos e jogadores decidiram suspender os jogos. Isso, contudo, não significa que os boleiros não se mexam, ainda que fora das quatro linhas, como explicou o jornalista Rhayan Esteves, um dos fundadores do grupo e que é chamado carinhosamente de "Presida".

"Ainda no dia 9 de abril, quando debatíamos sobre a possibilidade de fazer um uniforme deste ano para os Boleiros, eu e Denys (outro integrante do grupo) nos posicionamos contrários porque não víamos sentido em fazê-lo por não sabermos quando e se voltaremos a jogar em 2020. Daí comecei a pensar em proposta de arrecadação para ajudar uma instituição. E me veio à mente, por causa do diagnóstico do Heitor (afilhado) e do Bernardo, a ajuda à Amaes (Associação dos Amigos dos Autistas do Espírito Santo). Neste mesmo dia compartilhei a proposta com a diretoria, que foi muito bem acolhida por todos", disse Rhayan.

A campanha ganhou força nas redes sociais e, além dos próprios boleiros, pessoas próximas e também de outras que se sensibilizaram com a ação começaram a realizar doações.

"Todos estão ajudando de alguma forma, seja doando ou divulgando, buscando meios de reforçar a mensagem da doação. Cada integrante abraçou a causa por compreender a importância de assistir a uma instituição séria e que precisa de apoio para seguir ajudando. Sem dúvidas esta está sendo uma experiência valorosa ao grupo. Nos consideramos uma família. E foi isso que me deu a certeza de que uma ação social poderia dar certo. Todos somos muito orgulhosos de fazermos parte do grupo, que é admirado, e agora estamos nos sentindo mais orgulhosos e motivados em poder ajudar famílias que precisam desta solidariedade. A ação social é uma prática que pretendemos, com organização e transparência, fazer ainda mais para apoiar diversas instituições no Estado", contou.

Conhecendo de perto o trabalho assistencial prestado pela Amaes, o administrador Pedro Henrique Zordan Júlio sabe bem a diferença que esse amparo pode fazer na vida de quem possui um familiar diagnosticado com o autismo.

Pedro Henrique e o Filho Heitor, que fará três anos em junho
Pedro Henrique e o filho, Heitor, que fará três anos em junho. Crédito: Arquivo Pessoal

"Pensamos em fazer uma ação social para a Amaes que é uma instituição muito séria e que constantemente precisa de ajuda, pois atende muitas famílias em situação de vulnerabilidade social e que não possuem recursos. O diagnóstico do Heitor, meu filho, para o espectro sem dúvida foi algo que despertou a vontade de fazer algo voltado para o público, por entendermos a dificuldade. Vale lembrar que o Rhayan é padrinho do Heitor, então vive tudo isso conosco. E no ano passado o filho de outro boleiro também foi diagnosticado. Então aproveitamos para ajudar", destacou.

QUASE 100 CESTAS

A união dos esforços já surtiu efeitos positivos. Até a manhã desta quarta-feira (22), mais de R$ 5,4 mil reais já haviam sido arrecadados. Com esse montante será possível converter em 86 cestas básicas. Além disso, empresários e amigos dos Boleiros do Norte também realizaram doações e os números finais devem aumentar até o próximo dia 8 de maio, quando o grupo pretende pegar a soma arrecadada para já agilizar a comprar dos alimentos.

"Vamos com a campanha até quase o fim da primeira semana de maio, mas já na próxima sexta-feira (24), pretendemos realizar a primeira compra com a empresa com a qual fechamos o valor das cestas. Depois adicionaremos com o que mais for arrecadado e em seguida compraremos novamente, para depois realizar a entrega. Tudo será prestado conta, pois nossa intenção é ajudar a quem precisa nesse momento", disse Rhayan.

GESTO IMPORTANTE

A presidente de honra da Amaes, Pollyana Paraguassu, é mãe do jovem Felipe, de 16 anos, que é autista. No vídeo feito para os Boleiros do Norte, ela fala do trabalho realizado pela instituição há 18 anos para assistir centenas de famílias de autistas em vulnerabilidade social no Espírito Santo.

Quem tiver interesse em ajudar a associação através da iniciativa do grupo "Boleiros do Norte" pode entrar em contato com o Rhayan Esteves, através do telefone 27 99910-7776.

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