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Tarefas de casa deixam mulheres do ES com menos tempo para trabalhar fora

Tarefas de casa deixam mulheres do ES com menos tempo para trabalhar fora

Durante a semana, elas chegam a trabalhar 20,9 horas nas atividades domésticas, quase 10 horas a mais que eles, segundo o estudo do IBGE

Publicado em 4 de junho de 2020 às 12:47

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As mulheres do Espírito Santo se dedicam quase 10 horas a mais por semana que os homens nos afazeres domésticos. Enquanto elas se ocupam com as atividades de casa por 20,9 horas, eles dedicam 11,3 horas para tais trabalhos.  De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad),  divulgada nesta quinta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),  as mulheres têm menos tempo para se dedicar aos trabalhos remunerados, mas ficam mais ocupadas que os homens.

Tarefas de casa deixam mulheres do ES com menos tempo para trabalhar fora

Se considerado apenas o tempo em atividades remuneradas, os homens gastam 41,2 horas semanais  nessas funções, e as mulheres, 35,7 horas semanais. No entanto, ao somar as horas aplicadas no trabalho  e nos compromissos com o lar,  as mulheres ficam 56,6 horas semanais ocupadas, enquanto os homens, 52,5 horas.

Apesar de a diferença no tempo gasto em atividades domésticas ainda ser alto, ela caiu na comparação com 2018, quando as mulheres trabalhavam 22,5 horas por semana nas tarefas domésticas e os homens 12,7 – diferença de 9,8 horas entre os sexos. A queda tem mais relação com o tempo dedicado pelas mulheres que diminuiu. 

Entre as tarefas domésticas estão incluídos o preparo de alimentos, limpeza das louças e da casa, manutenção de roupas, sapatos, cuidar dos animais domésticos, fazer compras, entre outras atividades.

A economista da Oppen Social Danielle Nascimento avalia que este é um problema generalizado. “A OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico] também faz esse acompanhamento e em determinados países o tempo que a mulher gasta com trabalho remunerado é menor do que o gasto com trabalho não remunerado nas atividades domésticas”, comenta.

“Existem países em que essa diferença é até mais forte e é difícil mudar, pois se trata de uma questão cultural. Por isso é importante que este assunto seja discutido. Se ele não entrar em pauta, continuará sempre o mesmo cenário”, avalia. Nascimento.

Já a psicóloga e diretora da Psico Store, Martha Zouain, destaca que o modelo de home office, presente no dia a dia de muitas famílias com a pandemia do coronavírus, pode desequilibrar ainda mais essa estatística.

“Mais que nunca essa divisão precisa ser equilibrada. Agora o trabalho entrou em casa e é preciso que os acordos de convivência sejam reavaliados para que esta situação não se agrave ainda mais”, aponta.

“A família precisa entender que todos são responsáveis pela manutenção do lar, logo, todos devem contribuir de alguma forma. E o que a gente tem percebido é que o nível de cumplicidade entre os companheiros e também com os filhos aumenta quando todos participam das atividades domésticas”, acrescenta.

No Espírito Santo, 2,8 milhões de pessoas acima de 14 anos disseram realizar algum afazer doméstico na própria casa, ou na casa de algum parente. As mulheres são 1,6 milhão desse total e os homens 1,2 milhão.

MAIS DE 24 MILHÕES DE PESSOAS NO BRASIL NÃO AJUDAM NAS ATIVIDADES DOMÉSTICAS

Em todo o Brasil, 24,4 milhões de pessoas acima de 14 anos afirmaram que não ajudam nas tarefas domésticas. O número representa 14,4% do total. Já os que realizam alguma atividade são 146,5 milhões.

Em 2019, a população com 14 anos ou mais de idade dedicava, em média, 16,8 horas semanais aos afazeres domésticos ou ao cuidado de pessoas, sendo 21,4 horas semanais para as mulheres e de 11,0 horas para os homens. Em nível nacional, de 2016 para 2019, essa diferença entre as médias masculina e feminina aumentou de 9,9 para 10,4 horas semanais.

A taxa de realização de afazeres domésticos variou, conforme os grupos de idade, de 76,9% entre os jovens de 14 a 24 anos a 89,2% entre os adultos de 25 a 49 anos. Ainda que com taxas menores para os homens, esta tendência ocorria tanto para homens quanto para mulheres.

A menor taxa de realização ocorreu entre homens de 14 a 24 anos (67,8%) e a maior entre mulheres de 25 a 49 anos (95,5%). No entanto, o grupo de homens de 14 a 24 anos foi o que apresentou o maior crescimento na taxa de realização entre 2018 e 2019 – 1,4%.

A realização de afazeres domésticos aumenta conforme cresce o nível de instrução, sobretudo entre os homens. Assim, em 2019, a taxa de realização era de 81,9% entre aqueles sem instrução ou com fundamental incompleto e de 90,3% entre aqueles com ensino superior completo, uma diferença de 8,4%.

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A análise do tipo de afazer por condição no domicílio mostra que a realização de afazeres pelos homens só se equipara à desenvolvida pelas mulheres quando este vive sozinho. Quando está em coabitação, seja na condição de responsável pelo domicílio ou de cônjuge, a realização de afazeres domésticos dos homens se reduz sensivelmente em certas atividades, exceto para a realização de pequenos reparos no domicílio. Por outro lado, para as mulheres não existem grandes diferenças na realização de certas atividades domésticas conforme sua condição no domicílio e o fato de viver sozinha ou em coabitação.

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