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Sobrevivência

201 mil profissionais no ES trabalham para o consumo próprio

Número de pessoas nesta situação vem aumentando no Espírito Santo ao longo dos últimos anos. Em 2016, por exemplo, eram 109 mil pessoas, segundo a Pnad

Publicado em 04 de Junho de 2020 às 09:59

Redação de A Gazeta

Publicado em 

04 jun 2020 às 09:59
Os pescadores artesanais da Região Nordeste afetados pelo vazamento de óleo cru nas praias irão receber uma parcela extraordinária do seguro-defeso
Pesca é uma das atividades consideradas como sendo de trabalho para o consumo próprio Crédito: ONU/Martine Perret
Dados da Pesquina Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 201 mil pessoas no Espírito Santo com mais de 14 anos trabalhavam para o consumo próprio. O total corresponde a 7,5% da população capixaba, segundo apresentou o estudo Outras formas de trabalho, divulgada nesta quinta-feira (4) com base em dados de 2019.
São consideradas pessoas que trabalham para o consumo próprio aquelas que realizam as seguintes atividades para subsistência própria ou de parentes: cultivo, pesca, caça, criação de animais, produção de carvão, corte ou coleta de lenha, palha e outros materiais, fabricação de roupas, móveis, cerâmicas, entre outras atividades.
Segundo explica o economista e professor Antônio Marcus Machado, as pessoas que se enquadram nesta classificação são aquelas que não conseguem produzir um excedente para comercializar – seja pela falta de equipamentos, pela falta de instrução ou de recursos para iniciar um empreendimento.
“Seria muito interessante o governo identificar essas 201 mil pessoas para aportar recursos e estimular a produção para além do consumo próprio. É um número expressivo de pessoas e vejo o empreendedorismo como uma oportunidade para que essas pessoas possam garantir mais do que a sua própria alimentação”, avalia.
“Agora, se tem um lado positivo nisso é que essas pessoas não devem ser muito impactadas pela pandemia do coronavírus. Como elas garantem sua subsistência com essas atividades, toda a crise que estamos passando não deve chegar de forma tão forte a essas pessoas”, acredita Machado.
O número de pessoas que trabalha na produção para o consumo próprio tem aumentado nos últimos anos – saindo de 109 mil em 2016 e chegando a 201 em 2020. A maior parte dessas pessoas são do sexo feminino (102 mil).

12,7 MILHÕES DE PESSOAS TRABALHAM PARA CONSUMO PRÓPRIO NO BRASIL

Em nível nacional foi observada uma queda no número de trabalhadores para consumo próprio. De acordo com o último dado da Pnad são 12,8 milhões de pessoas nessas condições – em 2018 eram 13 milhões.
Ao contrário do que foi observado no Espírito Santo, no país, os homens são a maioria dos trabalhadores para consumo próprio: 6,5 milhões contra 6,3 milhões de pessoas do sexo feminino.
De acordo com o IBGE, a realização de próprio consumo diminui conforme aumenta o nível de instrução, variando de 2,7% entre aqueles com ensino superior completo a 13,3% entre aqueles sem instrução e com ensino fundamental incompleto.
A análise segundo o tipo de atividade mostra que, em 2019, a grande maioria das pessoas que realizaram a produção para o próprio consumo afirmou praticar atividades de cultivo, pesca, caça e criação de animais (77,9%), o que se confirma tanto entre homens (81,4%) quanto entre mulheres (74,3%). Apenas nas atividades de fabricação de calçados, roupas, móveis, cerâmicas, alimentos ou outros produtos o percentual de realização foi maior entre as mulheres (25,2% delas frente a 0,9% deles).

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