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Serviços têm queda de 1,8% em março no ES, primeiro mês da pandemia

Retração no Brasil foi de 6,9% no período em comparação com fevereiro. Resultado brasileiro foi o pior desde o início da série histórica em nove anos

Publicado em 12/05/2020 às 12h19
Salão de beleza Milene Ushôa, em Itapoã. Ela reabriu seu salão hoje. Na chegada, os clientes têm álcool em gel
Salão de beleza é um dos negócios afetados pela crise do coronavírus. Crédito: Carlos Alberto Silva

RIO DE JANEIRO - Em meio ao avanço do novo coronavírus no Brasil, o volume de serviços apresentou queda de 6,9% no mês de março, o primeiro com medidas restritivas impostas pelo país, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no último dia 8. O resultado foi o pior desde o início da série histórica, em 2011. No Espírito Santo, setor apresentou retração de 1,8%, menor marca desde novembro do ano passado quando a queda foi de 3,1%.

O recuo mostra as primeiras consequências da quarentena decretada por estados e municípios, o que fechou muitas empresas e deixou trabalhadores em isolamento social em casa desde meados de março, impedindo qualquer chance de recuperação do setor de serviços.

A queda foi motivada pela paralisação ocorrida nos estabelecimentos, principalmente nos restaurantes e hotéis, que fazem parte dos serviços prestados às famílias. Essa atividade teve queda de 31,2% em março, consequência das medidas de isolamento social para conter o avanço do contágio da Covid-19.

"Algumas empresas de setores considerados não essenciais, como restaurantes, acabaram tendo que funcionar de forma parcial, muitas vezes migrando para o sistema de delivery, mas os hotéis não têm essa opção e acabaram fechando", disse o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.

Os efeitos mais concretos das medidas de isolamento devem aparecer ainda mais significativamente nos resultados de abril sobre as atividades econômicas do país, mês em que estados e municípios já completavam um mês inteiro em quarentena.

De acordo com o IBGE, o resultado de março no setor de serviços foi impactado principalmente nos últimos dez dias do mês, quando as paralisações começaram.

Em São Paulo, por exemplo, desde 24 de março, apenas serviços essenciais estão abertos ao público no estado. No Rio de Janeiro, o decreto com as primeiras medidas de quarentena foi publicado ainda antes, em 17 de março.

O setor de serviços tem forte peso sobre o PÌB (Produto Interno Bruto), com participação acima de 60%. A expectativa para este ano, de acordo com a pesquisa Focus, realizada pelo Banco Central, já é de queda de 3,76%, em meio às consequências da escalada do novo coronavírus no Brasil.

O resultado de serviços em março representou a segunda queda consecutiva do setor, que já havia caído 1% em fevereiro. Todas as cinco atividades pesquisadas pelo IBGE tiveram queda. Além dos serviços prestados às famílias, também foi afetado o serviço de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, com recuo de 9%.

Essas atividades, como os segmentos de transporte aéreo e algumas empresas de transporte rodoviário coletivo de passageiros, sentiram bastante o fechamento parcial ou total imposto pelos estados e municípios segundo o IBGE.

Regionalmente, 24 das 27 unidades da federação tiveram resultados negativos em março, quando comparado a fevereiro, com destaque para São Paulo (-6,2%) e Rio de Janeiro (-9,2%), pressionados pelos segmentos de alojamento e alimentação. Os únicos impactos positivos vieram do Amazonas (1,9%), de Rondônia (3,1%) e do Maranhão (1,1%).

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