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Selic sobe e vai para 2,75% ao ano; taxa deve atingir 4,5% até dezembro

Esta é a primeira elevação da taxa desde 2015. Entre as explicações do Copom para a retomada da alta dos juros estão o aumento da inflação e a escalada do dólar diante da pandemia do coronavírus

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 17/03/2021 às 19h00
Atualizado em 17/03/2021 às 19h35
Banco Central em Brasília
Banco Central em Brasília: Copom elevou juros. Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Pressionado pela alta dos preços dos alimentos e dos combustíveis, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu nesta quarta-feira (17) elevar a Selic, que vinha na mínima histórica de 2% ao ano há sete meses, em 0,75% ponto percentual. A taxa básica de juros da economia agora passará para 2,75% ao ano. 

Esta é a primeira elevação da Selic desde 2015. Entre as explicações do Comitê para a retomada da alta dos juros num momento em que a economia está fragilizada, com agravamento da pandemia e desemprego elevado, estão o aumento da inflação e a escalada do dólar. 

O Copom ainda projetou que a trajetória da Selic em 2021 siga de alta e que a taxa chegue a 4,5% até dezembro e em 5,5% em 2022. Consultorias como Itaú Unibanco, Toro e XP Investimentos projetam elevação de 5% já para este ano.

A Selic é a taxa de juros básica do Brasil, ou seja, é a usada para o pagamento da dívida pública pelo governo. Ela também influencia as demais taxas de juros dos bancos e altera a rentabilidade de algumas aplicações financeiras como a poupança e outros investimentos mais conservadores.

A taxa é usada pelo Banco Central como ferramenta para controlar a inflação, já que a alta ou a queda dos juros influencia o consumo das famílias e a tomada de crédito no país. Em linhas gerais, quando a inflação está alta, os juros servem para reduzir o consumo e forçar uma queda nos preços.  Quando está baixa, os juros caem para estimular o consumo.

Anteriormente, a expectativa era de que o Copom começasse a subir a Selic após o primeiro semestre de 2021, de forma gradual. Mas, a perspectiva era embasada em cenário diferente.

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) surpreendeu ao ficar em 0,86% no país em fevereiro, bem acima das expectativas do mercado. Foi o maior resultado para o mês desde 2016, segundo dados do IBGE. Com isso, as projeções para a inflação e Selic para o fim do ano também foram elevadas.

No Boletim Focus desta semana a projeção é que o IPCA feche o ano em 4,6%, ante alta de 3,98% na semana anterior, bem acima do centro da meta para 2021, de 3,75%. Fatores domésticos e externos têm contribuído para a pressão inflacionária e para a desvalorização do real, como o risco-país mais elevado diante das incertezas políticas e econômicas, e o preço das commodities no mercado global.

Além disso, conforme o relatório do BTG Pactual, o quadro geral da economia piorou desde a última reunião do Copom, em 20 de janeiro, “alterando as expectativas do mercado em relação não apenas ao início do ciclo de alta da Selic, mas também o debate sobre a velocidade adequada desta retomada”.

Segundo a instituição, a piora da pandemia do novo coronavírus - que tem provocado caos no sistema de saúde de diversos Estados - é um dos fatores que contribuíram para o cenário.

Com o aumento, o BC brasileiro se torna o primeiro a elevar os juros entre os países do G-20 (que reúne as principais economias do mundo). Os bancos centrais de vários países, dos EUA ao Japão, se reúnem a partir desta quarta-feira para decidir sobre taxas de juros. Serão ao menos 11 anúncios até o fim da semana.

O QUE DIZ O COPOM

Veja as explicações do Banco Central para a elevação da taxa Selic:

  • No cenário externo, novos estímulos fiscais em alguns países desenvolvidos, unidos ao avanço da implementação dos programas de imunização contra a Covid-19, devem promover uma recuperação mais robusta da atividade ao longo do ano. A presença de ociosidade, assim como a comunicação dos principais bancos centrais, sugere que os estímulos monetários terão longa duração. Contudo, questionamentos dos mercados a respeito de riscos inflacionários nessas economias têm produzido uma reprecificação nos ativos financeiros, o que pode tornar o ambiente desafiador para economias emergentes;
  • Em relação à atividade econômica brasileira, indicadores recentes, em particular a divulgação do PIB do quarto trimestre, continuaram indicando recuperação consistente da economia, a despeito da redução dos programas de recomposição de renda. Essas leituras, entretanto, ainda não contemplam os possíveis efeitos do recente aumento no número de casos de Covid-19. Prospectivamente, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia permanece acima da usual, sobretudo para o primeiro e segundo trimestres deste ano;
  • A continuidade da recente elevação no preço de commodities internacionais em moeda local tem afetado a inflação corrente e causou elevação adicional das projeções para os próximos meses, especialmente através de seus efeitos sobre os preços dos combustíveis. Apesar da pressão inflacionária de curto prazo se revelar mais forte e persistente que o esperado, o Comitê mantém o diagnóstico de que os choques atuais são temporários, mas segue atento à sua evolução;
  • As diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se em níveis acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação;
  • As expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 4,6%, 3,5% e 3,25%, respectivamente; e
  • No cenário básico, com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio partindo de R$5,70/US$*, e evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC), as projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 5,0% para 2021 e 3,5% para 2022. Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 4,50% a.a. neste ano e para 5,50% a.a. em 2022. Nesse cenário, as projeções para a inflação de preços administrados são de 9,5% para 2021 e 4,4% para 2022.

Além disso, o BC informou que um prolongamento das políticas fiscais de resposta à pandemia que piore a trajetória fiscal do país, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco. "O risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária."

*Com informações de agências

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