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Investimentos em renda fixa pagam até 165% do CDI; é hora de apostar?

Taxa Selic, atualmente fixada em 2% - menor patamar da história - deve começar a subir nos próximos meses; veja o que dizem os especialistas

Publicado em 14/03/2021 às 13h57
Atualizado em 14/03/2021 às 13h57
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Planejar onde aplicar a poupança é essencial. Crédito: Pexels

Em 2020, a redução da Selic a 2%, a menor taxa de juros na história do país, movimentou o mercado de capitais. Em busca de maior rentabilidade, há quem tenha migrado para aplicações que podem ser mais lucrativas - e mais arriscadas -, como a Bolsa de Valores.

Opções como a poupança - que rende 70% da Selic anualmente, isto é, 1,4% - tornaram-se pouco vantajosas. Por outro lado, corretoras passaram a oferecer opções de renda fixa que pagam até 165% do CDI (certificado de depósito interbancário), que é um título que serve como lastro de empréstimos entre os bancos, hoje fixado em 1,9%. Quando a Selic sobe, essa taxa também tem alta e vice-versa.

É o caso, por exemplo, do CDB (Certificado de Depósito Bancário), que é um título emitido pelos bancos para captar recursos de investidores e emprestar a pessoas ou empresas, com juros mais altos. A rentabilidade do título pode ser prefixada, atrelada à inflação (IPCA ou IGPM), ou pós-fixada, atrelada ao CDI, que é o mais comum.

Uma das vantagens é que o título conta com garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), instituição que protege o investidor até um teto de R$ 250 mil por instituição financeira.

Geralmente, há uma aplicação mínima, e um prazo de vencimento, isto é, uma data a partir da qual será possível resgatar o valor aplicado. Esse período pode ser de um mês ou até mesmo alguns anos, mas tudo varia conforme a instituição. 

Na XP Investimentos, por exemplo, um investimento com aplicação mínima de R$ 1.007,06, com vencimento em 26 de novembro, rende 165% do CDI, isto é, 3,13% ao ano - mais que o dobro do que rende a poupança atualmente.

Rendimento de até 165% do CDI
Rendimento de até 165% do CDI. Crédito: Reprodução/XP

No BTG Pactual há opções com rendimento de até 147% do CDI, isto é, 2,79% ao ano, como é o caso de uma aplicação mínima de R$ 10 mil, com resgate em cinco anos.

BTG Pactual: CDBs que pagam até 147% do CDI
CDBs que pagam até 147% do CDI. Crédito: Reprodução/BTG Pactual

Na Easynvest, o rendimento chega a 127% do CDI (2,41%). O investimento mínimo é de R$ 1.000, e o o resgate dos recursos aplicados pode ser feito a partir de 30 dias.

Na Easynvest, o rendimento chega a 127% do CDI (2,41%).
Na Easynvest, o rendimento chega a 127% do CDI (2,41%). Crédito: Reprodução/Easynvest

Ocorre que a taxa Selic deve sair em breve do atual patamar. No ano passado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação no país, fechou o ano acima da meta estabelecida, que era de 4%. E para controlar o aumento de preços, o Banco Central deve começar a subir as taxas de juros já nas próximas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária).

A previsão atual é de que a taxa supere 4% ao final do ano e chegue a 6% em 2022. E, segundo analistas, a elevação da taxa é um bom indicativo para os investidores, vez que a Selic e o CDI geralmente caminham lado a lado.

“O CDB é, inclusive, uma recomendação para as carteiras mais conservadoras. A remuneração desses títulos pós-fixados vai variar muito de acordo com a Selic. Se a Selic está em 2% hoje, 160% do CDI é uma coisa. Se a Selic sobe, 160% vai ser outra coisa. Então, acaba sendo algo que compensa”, observou o assessor de investimentos da Valor, Rodrigo Rosa.

Por outro lado, ele reforça que a Selic nada mais é que um mecanismo utilizado pelo Banco Central para conter a inflação e, com a elevação desta, os títulos atrelados ao IPCA, por exemplo, também se tornam mais rentáveis.

“É algo para ficar de olho. Mas, para o investidor mais agressivo, o próprio investimento e ações, dependendo do setor, pode se tornar mais vantajoso na medida em que as taxas de juros subirem. Se você investe em ação de um banco, e a Selic sobe, por exemplo, isso puxa para cima todas as taxas de financiamento, empréstimos. Então, o investidor tende a se beneficiar.”

O economista Thomas Giuberti, assessor de Investimentos da Golden Investimentos, aponta que, embora o CDB pós-fixado, atrelado ao CDI seja uma alternativa interessante de investimento, não é indicado “colocar todos os ovos na mesma cesta”.

“Tudo varia de acordo com o perfil do investidor, e a finalidade daquele dinheiro, se pode precisar a qualquer momento, se pode deixar parado por algum tempo. Mas o melhor é que haja algum equilibro e que as aplicações sejam distribuídas entre títulos pós-fixados, prefixados e indexados à inflação. ”

LC (LETRA DE CÂMBIO)

Outra opção é a Letra de Câmbio, um título de renda fixa da mesma família do CDB e das LCIs/LCAs (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio). Contudo, em vez de ser um título emitido por bancos, é utilizada por financeiras – como sociedades de crédito, financiamento e investimento – para captar recursos no mercado e emprestar aos clientes.

Também é encontrado em formas pós-fixada - com rentabilidade vinculada ao CDI -, prefixada - com rentabilidade predefinida -, e híbrida, que une as duas modalidades. 

Na XP Investimentos, há opções que chegam a render até 160% do CDI (3,04%) ao ano. É o caso de um investimento com aplicação mínima de R$ 994,43, com possibilidade de resgate a partir de março de 2023.

Investimento em Letra de Câmbio com rentabilidade de até 160% do CDI
Investimento em Letra de Câmbio com rendimento de até 160% do CDI. Crédito: Reprodução/XP Investimentos

Na Easynvest, o rendimento é o mesmo do CDB, isto é, 127% do CDI, o que, atualmente, equivale a 2,41% ao ano. O investimento mínimo também é de R$ 1.000, e o o resgate dos recursos aplicados pode ser feito a partir de 30 dias.

O economista José Márcio Soares de Barros reforça que como as LCs têm uma margem bruta bem diferente dos bancos, muitas vezes pagam até mais que os CDBs.

"Se você pega uma letra de câmbio indexada ao CDI, por exemplo, você se dá bem porque não fica travado, como nos casos dos rendimentos prefixados. Se a Selic sobe, o rendimento também aumenta. E como a margem de lucro desses investimentos tende a ser maior que a dos CDBs, por exemplo, acaba sendo uma opção interessante."

Como outros investimentos em renda fixa, as letras de câmbio também contam com garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

LCI (LETRA DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO) E LCA (LETRA DE CRÉDITO DO AGRONEGÓCIO)

Investimentos, poupança, reserva, dinheiro, imóveis, financiamento imobiliário
Investimentos, poupança, reserva, dinheiro, imóveis, financiamento imobiliário. Crédito: Pexels

Outras opções de investimento que também têm oferecido rendimentos superiores à poupança, por exemplo, são as letras de crédito, que aparecem em modelos como LCI (Letra de Crédito Imobiliário), que é um tipo de título emitido por instituições para financiar, especificamente, projetos imobiliários, e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), que é destinada ao financiamento do agronegócio.

Caio Souza, fundador da Elev Investimentos, reforça que as LCIs e LCAs pós-fixadas rendem de forma semelhante. Às vezes pagam um pouco menos que outras opções, como os CDBs, mas têm a vantagem de serem isentas de Imposto de Renda, o que, no final, às vezes significa um lucro maior.

"De modo geral, as aplicações em renda fixa atreladas ao CDI tendem a se tornar mais rentáveis neste ano. Por conta desse cenário que estamos vivendo hoje de instabilidade fiscal e política, a Selic deve subir rapidamente, e talvez mais do que se imagina. As previsões, há poucas semanas, eram de 3,5%. Agora, há quem arrisque algo em torno de 5%. E quanto antes o cliente colocar os recursos, maiores as chances de aproveitar essa alta da taxa de juros."

Na Easyinvest, os rendimentos para aplicação em LCI, assim como LCA, são de 98% do CDI, o que, atualmente, equivale a 1,86% ao ano.

Investimentos em LCI ou LCA rendem 97% do CDI na Easynvest
Investimentos em LCI ou LCA rendem 97% do CDI na Easynvest. Crédito: Reprodução/Easynvest

No BTG Pactual, os rendimentos das aplicações em Letra de Crédito Imobiliário chegam a render até 116,5% (2,21%), a depender da quantia aplicada, e a do prazo estabelecido para resgate do título.

Investimento em LCI rende até 116,5% do CDI no BTG
LCI pós-fixada: rendimentos de até 116,5% do CDI. Crédito: Reprodução/BTG Pactual

Na mesma instituição, os títulos de LCA pós-fixados chegam a render 114% (2,16%) do CDI. 

Investimento em LCA chega a render até 114% no BTG
LCA pós-fixada: rendimentos de até 114% do CDI. Crédito: Reprodução/BTG Pactual

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