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Saiba quais são as habilidades do futuro para desenvolver na carreira

Fórum Econômico Mundial elencou características que são essenciais para qualquer trabalhador; entre elas estão capacidade de se relacionar com pessoas e inteligência emocional

Vitória
Publicado em 23/10/2021 às 20h29
Trabalho em equipe é uma habilidade essencial para o futuro das carreiras
Trabalho em equipe é uma habilidade essencial para o futuro das carreiras. Crédito: Freepik

O mercado de trabalho está em constante transformação. E quem quer ser um profissional do futuro precisa ficar de olho nas habilidades necessárias para continuar com a carreira em alta. Mesmo que alguns trabalhadores sejam substituídos por máquinas, as características humanas passarão a ser cada vez mais valorizadas no ambiente corporativo.

De acordo com estudo do Fórum Econômico Mundial, as competências que mais serão valorizadas nos próximos cinco anos estão ligadas à transformação digital, autogestão, capacidade de se relacionar com pessoas, flexibilidade e inteligência emocional.

O profissional do futuro precisa estar em constante aperfeiçoamento e, para isso, ele precisa se questionar onde quer chegar e qual a aptidão precisará desenvolver para se manter em alta, como aponta Fabíola Costa, diretora de educação e trabalho da Associação Brasileira de Recursos Humanos, seccional Espírito Santo (ABRH-ES).

Ela afirma que a carreira deve estar sempre vinculada à empregabilidade, por isso a necessidade de combinar o comportamento com os cuidados permanentes na parte técnica.

Fabíola Costa

Diretora da ABRH-ES

"Nunca se falou tanto das soft skills, ou seja, da importância de voltar as atenções para comportamentos, como flexibilidade, habilidade para trabalhar em equipe, adaptabilidade, empatia, colaboração e reinvenção, além da gratidão e senso colaborativo. Para isso, o trabalhador precisa se organizar e buscar o desenvolvimento de forma planejada e organizada"

A diretora ressalta que será cada vez mais necessário combinar as habilidades técnicas e comportamentais. Por esta razão, é essencial estar preparado para as mudanças do mercado, inclusive a forma que as empresas montam as equipes.

TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

A habilidade digital também será essencial para quem quer continuar conectado ao mercado de trabalho. É bom lembrar que metade das tecnologias que usamos hoje nem sequer existiam há dez anos, e essa evolução vai continuar.

No mundo corporativo, é cada vez mais frequente o uso de softwares de gestão e análise de dados, por exemplo, exigindo que o profissional saiba lidar com essas ferramentas. Por isso, é fundamental estar atento às tecnologias que impactam no desenvolvimento de tarefas e ter capacidade para gerenciá-las.

De acordo com a CEO da Selecta e especialista em gestão de carreira e liderança, Vânia Goulart, nesse ambiente, a empatia é uma das competências mais reivindicadas. Outra habilidade valorizada dentro do ambiente corporativo é o gerenciamento do tempo.

Vânia Goulart

CEO da Selecta

"Uma pessoa que começa o trabalho e não termina, procrastina, isso não tem espaço no mercado. É preciso ter comprometimento e aprender a gerenciar o próprio tempo. Minha dica é dividir o dia em três blocos de 8 horas: um para trabalhar, um para cuidar de si e um para dormir"

O trabalho em equipe também é visto como fundamental para o sucesso das organizações. Sai na frente quem consegue compartilhar conhecimento e interagir com pessoas diferentes, segundo a CEO da Rhopen, Cátia Horsts.

“Um profissional colaborativo consegue preservar as conexões humanas, mesmo com um mercado cada vez mais remoto e automatizado. Então, investir em relações éticas e transparentes nunca sai de moda”, afirma.

DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES COMEÇA NA INFÂNCIA

A preocupação com o futuro profissional começa desde a infância e faz parte da rotina escolar de crianças e adolescentes em algumas escolas de Vitória. Na Monteiro Lobato, por exemplo, já nos primeiros anos os alunos são incentivados a trabalhar com projetos.

Eduardo Costa

Diretor da Escola Monteiro Lobato

"A pandemia veio nos mostrar que, independentemente do trabalho que a pessoa exerce, o desafio foi igual para todos. Nunca foi tão importante saber enfrentar o desconhecido, lidar com adversidade, aliado ao bem estar. Na escola, a preocupação não é só com o conteúdo. Entendemos que muito mais do que pensar em tecnologia, é apresentar estratégias para desenvolver o potencial criativo"

Para aumentar o repertório de aprendizado na escola há o espaço maker, ou seja, o "faça você mesmo". Costa destaca que o trabalho tem uma pegada tecnológica, mas de uma maneira diferente, em que o aluno aprende a lidar com as ferramentas necessárias para desenvolver determinada tarefa.

“Isso vai desde a marcenaria para aprender a usar chave-de-fenda até usar plataformas digitais para construir um robô. O fundamental é saber lidar com práticas cotidianas", comenta.

O espaço maker também é uma aposta da Escola Americana de Vitória. A diretora pedagógica da instituição, Andrea Buffara, acredita que a escola tem o papel de formar cidadãos que estejam aptos a desenvolver o pensamento criativo, a colaboração e a comunicação. Tudo isso, segundo ela, será necessário para os profissionais do futuro.

Andrea Buffara

Diretora da Escola Americana de Vitória

"É preciso que o aluno tenha autoconhecimento e aprenda a aprender. No futuro, os profissionais vão mudar de emprego de forma ainda mais rápida do que nos tempos atuais"

“Queremos que eles tenham a capacidade de desenvolver a carreira como um plano, se atualizando e buscando recursos para isso, sem esperar por ninguém”, afirma a diretora.

Segundo ela, o pensamento computacional é ensinado desde os quatro ou cinco anos de idade. Primeiramente, há uso de sequência lógica, sem o uso da tecnologia, até chegar na linguagem de programação, à medida que os alunos avançam nos anos escolares.

“Os materiais vão evoluindo, começando com lego até chegar a blocos magnéticos. A metodologia visa a trabalhar a criatividade”, comenta Andrea.

ENTENDA QUAIS SÃO AS HABILIDADES DO FUTURO

Pensamento analítico e inovação

O que é: uma forma importante para analisar os contextos mais complexos e tomar decisões mais assertivas, de forma lógica, capacidade de avaliar e trabalhar com dados e informações. Está relacionado ao raciocínio lógico nos processos decisórios. Já a inovação é a exploração de novas ideias. No geral, as duas habilidades juntas geram a capacidade do profissional em ser mais objetivo, assertivo e efetivo nos processos de gestão organizacional, contribuindo com novas ideias e ações que tragam diferencial competitivo para as organizações.

Como desenvolver: para o pensamento analítico, o profissional deve evitar julgamentos baseados somente em suposições, sendo mais curioso e questionando tudo ao redor. Neste quesito, os profissionais devem ficar atentos às emoções, entender a mente e ter cuidado com o efeito manada, como é o caso de compartilhamento de fake news. Além disso, é preciso ter uma vida equilibrada e saudável. Já desenvolver a inovação requer investir no autoconhecimento, ouvir e aplicar ideias novas, ser proativo e ampliar a rede de networking. Também podemos incluir: pensar fora da caixinha, não ter medo de dar opinião, ser persistente e focado.

Aprendizado ativo

O que é: capacidade da pessoa se autodesenvolver de forma contínua. O mercado atual exige que o profissional esteja em constante transformação para se adaptar a esse novo modelo econômico. Outra característica é não esperar pelo outro, mas buscar formas de aprimorar conhecimentos, tornando o perfil mais competitivo e aumentando a empregabilidade.

Como desenvolver: adquirindo o hábito de leitura de jornais, revistas e sites de assuntos como mercado trabalho e economia. A ideia é ter conhecimento de assuntos diversos para aumentar a capacidade sistêmica mercadológica. A qualificação constante, on-line ou presencial, também é uma forma de aprendizado. Outra maneira é se relacionar com pessoas estratégicas como forma de receber uma mentoria. Isso quer dizer que estar próximo de profissionais mais experientes da sua área de atuação pode ajudar na troca de conhecimentos.

Resolução de problemas complexos

O que é: o gerenciamento de crise ou de conflitos fez com que muitos profissionais ganhassem visibilidade em tempo de pandemia. Este quesito é a capacidade do profissional na tomada de decisões de forma proativa, minimizando impactos negativos junto à organização. A capacidade de tomar decisões rapidamente para limitar os danos a uma organização é algo estratégico e está vinculada com perfil de comprometimento, conhecimento técnico e habilidades como liderança.

Como desenvolver: quanto maior o conhecimento relacionado à área de atuação, maior será a capacidade de tomada de decisão de forma mais assertiva. Esta habilidade tem a ver com a capacidade da pessoa em identificar problemas, de liderar pessoas e ainda ter senso crítico para que tudo seja desenvolvido de forma estratégica. Uma das maiores dificuldades dos profissionais está relacionada ao medo de tomar decisões erradas. Para lutar contra isso é preciso ser organizado e montar um plano de ações.

Criatividade

O que é: parceira da inovação. É a capacidade de profissionais desenvolverem ideias e pensamentos inovadores fora do processo rotineiro. Isso mostra a necessidade de aprimorar as formas de trabalho, reduzir custos e tempo e ainda melhorar a eficiência do processo.

Como desenvolver: primeiramente é preciso mudar o mindset de aprendizado, tão moldado para ações mecânicas. Pensamentos criativos se desenvolvem em ambientes mais colaborativos. As organizações têm que criar modelos de gestão que permitam aos colaboradores serem mais participativos e tomar decisões e assumir riscos com certa autonomia. Modelos de gestão mais modernos facilitam processos criativos e inovadores da equipe porque os colaboradores se sentem mais independentes e, com isso, são capazes de pensar fora da caixa. 

Inteligência emocional

O que é: se refere à capacidade que cada um tem de entender e administrar os próprios sentimentos, bem como de compreender os sentimentos dos outros. Quando o profissional consegue equilibrar decisões baseadas nas áreas afetivas e efetivas. Isso inclui relacionamento interpessoal, autocontrole emocional, equilíbrio entre a razão e a emoção, autopercepção e a expressão adequada dos sentimentos.

Como se desenvolver: conhecer a si mesmo, principalmente as próprias emoções, é essencial para alcançar a inteligência emocional. Isso é possível por meio de técnicas de autoavaliação como forma de aumentar a capacidade analítica de si mesmo, sendo possível fazer uma análise prévia antes de tomadas de decisão. Outra iniciativa é buscar orientação de profissionais capacitados como forma de equilibrar o emocional.

Adaptação e flexibilidades

O que é: adaptabilidade significa ser flexível diante das mudanças. Alguém adaptável é aquele que está aberto a novas ideias e conceitos. As mudanças do mercado têm levado profissionais a desenvolverem a capacidade de adaptabilidade e flexibilidade para atender às necessidades de transformação acelerada. Isso tem a ver com a capacidade do indivíduo de acompanhar as mudanças atuais, se moldando às novas exigências de habilidades e competências para manter-se em atividade produtiva. A flexibilidade é extremamente importante para a negociação e comunicação. 

Como desenvolver: por meio da consciência de que mudanças estão acontecendo e que os profissionais precisam desenvolver essas habilidades para não ficar fora do mercado de trabalho. Para isso, é preciso buscar autopercepção, desenvolvimento contínuo, análise mercadológica (leitura do que o mercado exige e tendências) e capacidade de transformação. O profissional que não consegue se adaptar e ser flexível passa a ser obsoleto. Também é preciso questionar os nossos pensamentos e palavras, sermos mais espontâneos e pensar de maneiras diferentes.

Habilidade tecnológica

O que é: capacidade de se tornar digitalizado, adquirindo o conhecimento técnico sobre essa nova inteligência e a habilidade de aplicá-la nas mais diversas situações. É preciso conseguir usar novas ferramentas que facilitem as boas práticas do trabalho. Isso inclui a utilização de software, hardware e aplicativos que facilitem o desempenho de suas atividades.

Como desenvolver: estar constantemente atualizado sobre todas as novas plataformas e ferramentas que podem, de alguma forma, influenciar no seu negócio. Quanto mais cedo usar ferramentas predominantes no mercado, mais rápido o profissional terá essa habilidade. Se a pessoa for programadora, por exemplo, é importante pensar em quais as melhores linguagens de programação a serem utilizadas. Ou se for secretária, qual a melhor forma de mandar mensagens para a diretoria.

Liderança

O que é: tem a ver com a capacidade do profissional em desenvolver, engajar e conduzir pessoas para alcançar o mesmo objetivo estratégico. É dirigir pessoas, ou seja, saber atraí-las, inspirá-las e influenciar comportamentos que atraiam bons resultados.

Como desenvolver: tomar iniciativa, assumir mais projetos, se envolver com as equipes e escutar mais as pessoas. Melhorar as qualificações por meio do autodesenvolvimento pessoal, identificação de lacunas pessoais, busca de cursos, mentores e boas práticas que aumentem habilidade de liderar.

Iniciativa e espírito empreendedor

O que é: capacidade do indivíduo na tomada de decisões e condução de ações inovadoras, criativas, e assertivas do mundo do negócios e que podem ser usadas no ambiente corporativo. São técnicas que fazem o profissional a assumir riscos, atuar de forma competitiva e estratégica, sempre em prol dos melhores resultados. Uma pessoa com espírito empreendedor é alguém movido por ideias, sem medo de apostar em si mesmo e constantemente ligado ao processo de iniciar um novo projeto ou empreendimento. 

Como desenvolver: empreendedorismo pode ser desenvolvido através de formações, leitura, aumento da capacidade de pensamento sistêmico e bom planejamento voltado para aumento de resultados. 

Fonte: especialista em carreira Gisélia Freitas.

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