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É possível ser feliz no trabalho mesmo com a pressão da pandemia

Em tempo de Covid-19, ter equilíbrio emocional se tornou um desafio para muitos profissionais. Definir rotinas, fazer atividade física, meditar e ouvir música pode ajudar

Como manter o equilíbrio emocional no trabalho
Algumas técnicas, como a meditação, podem ajudar a diminuir o estresse. Crédito: Pixabay

Com a pandemia do novo coronavírus, manter o equilíbrio e emocional passou a ser um grande desafio para muitos profissionais. Isso porque o escritório precisou ser improvisado na sala de casa, as reuniões passaram a ser feitas de forma virtual e aquela pausa para o café, que era usado como forma de interação entre os colegas, deixou de existir.

Como se não bastasse toda alteração na rotina de casa e do trabalho, a incerteza quanto ao futuro ajudou a aflorar doenças emocionais durante a crise, como é o caso da depressão e da ansiedade.

Ao que tudo indica, ainda vai levar um tempo até que a vida volte ao normal, mas é possível encontrar maneiras que podem ajudar a diminuir o estresse, manter a produtividade em alta e, assim, garantir a felicidade no trabalho. Dentre os fatores de autocuidado, se enquadram atividade física, meditação, horário de almoço, exercício de respiração, entre outros. 

Tristeza, oscilação de humor, exaustão, insônia são palavras que estão presentes no vocabulário diário, porém entender o significado delas e a sua representatividade no momento atual é importantíssimo para ter saúde física e mental, como observa a psiquiatra da Aube – Cuidados da mente, Thaíssa Pandolfi Rezende.

Thaíssa R Pandolfi Rezende é psiquiatra da Aube
Thaíssa Pandolfi Rezende é psiquiatra da Aube. Crédito: Acervo pessoal

Ela avalia que, em alguns momentos, a jornada de trabalho, caracterizada pelo maior tempo que o colaborador passa dedicado, pode gerar uma carga excessiva de estresse proporcionando um abalo imediato à saúde mental dele. É o que acontece, conforme a especialista, quando há muitas tarefas para serem entregues, excesso de compromissos, autocobrança excessiva, jornadas muito longas e problemas recorrentes.

A psiquiatra explica que o organismo humano tem estrutura para suportar ondas de estresse e ansiedade até certo limite. Entretanto quando o emocional se esgota, o corpo físico começa a responder com sintomas que podem limitar um indivíduo.

Thaíssa Pandolfi Rezende

Psiquiatra

"Quando há, por exemplo, uma exposição a perturbações constantes, o corpo e a mente não conseguem lidar com esse estímulo excessivo, então, se manifestam os desequilíbrios físico e mental, expandindo para todos os pilares da nossa vida. Quem desenvolve esse problema tem uma queda significativa na produtividade e pode manifestar ainda outras complicações, como a depressão. Daí a importância de identificar a Síndrome de Burnout ou ter outros diagnósticos a tempo de buscar formas de tratamento e, principalmente, de prevenção, para evitar chegar ao adoecimento"

Thaíssa alerta que o colaborador estressado pode sentir falta de energia e mais cansaço na maioria dos dias, quando sofre da Síndrome de Burnout, por exemplo. Mas se o problema não for reconhecido e tratado, pode avançar para estágios mais perigosos, que ocorrem quando a pessoa se sente completamente exausta e sem energia.

“Nesse caso, é comum o profissional ter medo do trabalho que o espera durante o dia. O indivíduo não consegue recuperar a sua disposição mesmo depois de boas horas de sono. Está constantemente com a sensação de que sua mente está cansada e o corpo não responde como deveria, limitando as forças para cumprir as atividades”, sustenta a psiquiatra.

Vânia Goulart, diretora da Selecta
Vânia Goulart, diretora da Selecta. Crédito: Acervo pessoal

A CEO da Selecta e especialista em gestão de carreira e liderança, Vânia Goulart, destaca que cuidar da saúde mental tem sido um diferencial de sucesso para profissionais, mesmo em tempos de isolamento social e home office. E isso, segundo ela, tem chamado a atenção também das empresas, principalmente no quesito cuidado com os seus colaboradores.

Vânia Goulart

Especialista em gestão de carreira

"As empresas estão olhando para a saúde mental não pelo amor, mas pela dor e pela constatação real da queda de produção e do adoecimento dos seus colaboradores. Assim como exige-se um periódico anual, hoje percebemos que é necessário saber como está o emocional dos profissionais e esse cuidado começou a fazer parte da rotina das organizações"

Vânia ressalta que olhar com empatia, cuidar das emoções ou tentar trazer um descanso mental tem sido o mínimo, e por isso projetos de meditação, respiração e atenção plena, por exemplo, têm surgido no meio empresarial.

“Além disso, a psicologia positiva já vem nos ensinando que focar nas características positivas, estudar o que dá certo e priorizar os cuidados com as relações traz benefícios à saúde em geral e, consequentemente, à carreira”, acrescenta.

Ainda conforme a especialista, estudos mostram que a felicidade pode ser fortalecida com pequenos gestos e isso pode ser implementado na rotina do colaborador, seja no escritório ou em casa, durante o expediente ou em qualquer outro momento do dia. “Alguns esforços contínuos e apoiados organizacionalmente podem, neste momento, ser o diferencial para a sustentabilidade das empresas e a saúde das pessoas”, finaliza.

Kátia Vasconcelos, presidente da ABRH-ES
Kátia Vasconcelos, presidente da ABRH-ES. Crédito: Divulgação/Danilo Schellmann

A presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos, seccional Espírito Santo (ABRH-ES), Kátia Vasconcelos, relata que o regime de trabalho em casa trouxe um acúmulo de atividades, um número maior de horas de trabalho, além do isolamento social, trazendo inúmeros problemas para os profissionais.

Kátia Vasconcelos

Presidente da ABRH-ES

"Tem sido comum nas empresas um aumento de adoecimento de profissional de ordem emocional. Em contrapartida, as organizações relatam que estão desenvolvendo redes de projetos para fazer o atendimento individuais e coletivos desses funcionário"

Para ela, o profissional deve cuidar para se manter equilibrado, organizar as horas de trabalho e reservar um tempo para descanso. “Tem gente que gosta de meditar, outras de ouvir música ou contemplar a paisagem. É cada vez mais relevante estabelecer rotinas de autocuidado, que podem ajudar a diminuir o estado de tensão. Cada um precisa identificar aquilo que lhe faz bem", afirma.

O QUE FAZER

Independente do grau de adoecimento e desequilíbrio, pequenas mudanças podem ser feitas para se manter bem e produtivo, conforme reforça a psiquiatra da Aube – Cuidados da mente, Thaíssa Pandolfi Rezende.

“Comece pelo ambiente de trabalho. Coloque uma música baixa, tenha pequenas pausas durante seu expediente, tenha melhores hábitos alimentares, não passe muito tempo sem comer ou ir ao banheiro, se alongue, tenha momentos de relaxamento. Se você tem suporte psicológico na empresa, usufrua dele e não deixe de passar por uma avaliação médica com especialista, para melhor abordagem individualizada e segura para você”, afirma.

Psicóloga e fundadora da Sees Desenvolvimento Humanos, Natane Moysés
Psicóloga e fundadora da Sees Desenvolvimento Humanos, Natane Moysés,. Crédito: Acervo pessoal

A psicóloga e fundadora da Sees Desenvolvimento Humanos, Natane Moysés, salienta que é possível, sim, ser feliz no trabalho, mesmo em tempos de crise. Para isso, o profissional precisa buscar algo que faça sentido para ele.

Natane Moysés

Psicóloga

"É necessário entender quais são os seus propósitos, saber o porquê do significado disso para sua vida e perceber se isso tem a ver com o que você acredita. Essa é uma das formas de ser feliz no trabalho. É bom lembrar que muitas empresas não estavam preparadas para implantar o home office. A forma como foi feita acabou mexendo com o equilíbrio emocional de muita gente. Foi difícil para muitas pessoas entender esse formato e estar focado no trabalho"

Para ela, é possível utilizar algumas técnicas para ajudar a aumentar o índice de felicidade no trabalho. Uma dessas dicas é organizar a rotina para incluir a atividade física durante o dia.

“Sabemos que a ansiedade acelera o coração, dá dor de cabeça, por isso a técnica da respiração, inspirando e expirando cinco vezes, aumenta a concentração e ajuda a aumentar o nível de felicidade. As pessoas se cobram muito para manter a produtividade em alta, elevando ainda mais o nível de estresse. Encontrar mecanismos para trabalhar a inteligência emocional pode ajudar a não deixar que a ansiedade acabe com a sua capacidade de raciocinar.”, elenca Natane.

Confira algumas dicas

Home office
Pequenas ações podem ajudar a diminuir o estresse do home office. Crédito: Pixabay
  1. Avalie suas atividades e procure dedicar-se às que você faz com mais prazer. Isso fará você se desenvolver e crescer em sua carreira; 
  2. Divida seu tempo em três blocos de 8 horas: em um você dorme, no outro você trabalha e no outro, o mais importante, você cuida de você;
  3. Cuide de sua saúde diariamente. Faça atividade física e tenha uma boa alimentação;
  4.  Converse com quem ama, abrace. O abraço conforta é produz serotonina, hormônio que protege nosso cérebro;
  5.  Seja grato. Faça o exercício de agradecer as pequenas coisas do seu dia. A felicidade está nas pequenas coisas;
  6.  Contemple a natureza. O sol, a lua, as flores, o mar, as montanhas estão sempre aí para você aproveitar e renovar suas energias;
  7.  Elogie, parabenize o outro. Esta é a melhor energia e a reciprocidade é genuína e imediata; 
  8.  Escolha aprender com os erros, tenha compaixão consigo;
  9.  Perdoe a si e ao próximo. Esse gesto libera energia negativa interna;
  10.  Escolha sempre você em primeiro lugar. Se priorize, cuide de você. Escolha ser feliz!

Fonte: Vânia Goulart, da Selecta

Fabíola Costa, gestora de T&D da Rhopen
Fabíola Costa, gestora de T&D da Rhopen. Crédito: Acervo pessoal
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