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Policiais são suspeitos de ajudar na fuga de ex-líder da TelexFree

Polícia Federal deflagrou operação mirando um ex-policial e um policial agora aposentado. Eles teriam participado da invasão do sistema da PF e alterado informações para que Sann Rodrigues deixasse o país

Publicado em 18/02/2020 às 19h51
Atualizado em 19/02/2020 às 16h39
Placa da sede da Telexfree. Crédito: Divulgação
Placa da sede da Telexfree. Crédito: Divulgação

A Polícia Federal no Espírito Santo deflagrou nesta terça-feira (18) a Operação Ousadia contra um grupo suspeito de alterar sistemas de informação da PF mediante a recebimento propina. Segundo o Ministério Público Federal no Estado (MPF), a operação tem relação com a fuga do país de Sanderley Rodrigues Vasconcelos, o Sann Rodrigues, um dos ex-líderes da TelexFree, em fevereiro de 2015.

Os envolvidos no caso estão sendo investigados pelos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e inserção de dados falsos no sistema da Polícia Federal. De acordo com o MPF, o caso está sob sigilo de Justiça e, por isso, não é possível passar mais informações.

A Gazeta apurou que a investigação começou em 2015, quando Sann, que estava proibido de deixar o Brasil por decisão Justiça Federal e tinha o nome incluído no Sistema Nacional de Procurados e Impedidos, saiu do país normalmente pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos. 

 o ex-líder da Telexfree Sann Rodrigues. Crédito: Reprodução
 o ex-líder da Telexfree Sann Rodrigues. Crédito: Reprodução

Ele estava proibido de sair do Brasil por envolvimento dele na Ifreex, empresa com registro em paraíso fiscal que apresenta indícios de pirâmide financeira. 

Nesta terça-feira, a PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva, nas cidades de Santana de Parnaíba (SP), São Paulo (SP), Brasília (DF) e Florianópolis (SC). Em nota divulgada à imprensa, a PF apontou que a “instituição não tolera desvios, que se orgulha de sua lisura e não teme ‘cortar na própria carne’”.

A Justiça também determinou a bloqueio de R$ 1.485.576,43 dos envolvidos e a apreensão de criptomoedas, que totalizaram, no momento, 5,15 Bitcoin (cerca de R$ 218 mil na cotação atual).

Ainda de acordo com a polícia, o nome da operação tem como referência a ousadia dos suspeitos de envolvimento no crime contra a Polícia Federal. As verificações da PF mostraram que, por intermédio de um advogado, um ex-policial prometeu retirar o nome do investigado da lista de procurados mediante o pagamento de R$ 150 mil, sendo que parte deveria ser pago em criptomoeda. 

Segundo a PF, esse ex-policial teria contado com a participação de um policial que à época estava em atividade, mas atualmente encontra-se aposentado. O órgão disse que não poderia informar qual dos envolvidos no caso foi preso preventivamente.

ENTENDA O CASO DO EX-LÍDER DA TELEXFREE

Para as Justiças brasileira e americana, Sann Rodrigues é suspeito de ser o cabeça de esquemas de pirâmide financeira e enriquecimento ilícito. O ex-líder da Telexfree, empresa que teria aplicado um golpe de quase R$ 3 bilhões em todo o mundo, foi preso nos Estados Unidos em 2015 quando chegou no país pelo aeroporto de Nova Jersey. Após solto, ele ficou em prisão domiciliar nos Estados Unidos. 

Na época, ele teve o passaporte apreendido pela Justiça americana. Segundo o Departamento de Polícia de Massachusetts ao jornal A Gazeta na época, Sann poderia pegar até 10 anos de prisão por cometer fraudes na obtenção do green card (visto permanente de moradia nos Estados Unidos). 

Aqui no Estado, ele é alvo de duas investigações, uma da PF sobre a participação de Sann na Telexfree e outra conduzida pelo MPF que apura o envolvimento dele na Ifreex. Os dois procedimentos focam em crimes de evasão de divisas.

Conforme A Gazeta noticiou em 2015, a Polícia Federal chegou a pedir a extradição de Sann para o Brasil. 

O OUTRO LADO

Segundo o advogado de Sann Rodrigues, Sérgio Carlos de Souza, Sann não está foragido ou sendo procurado pela polícia brasileira.  A família jamais teve o passaporte apreendido e o processo na Justiça americana foi encerrado, logo, seu cliente não está em prisão domiciliar. Além disso, afirmou que Sann jamais foi líder da TelexFree, ele apenas era um dos milhares de divulgadores. Quanto a Operação Ousadia, disse apenas que "não tem nada a declarar, porque ela não tem relação direta com seu cliente".

A reportagem está apurando se o processo na Justiça americana foi encerrado como diz o advogado.

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