ASSINE

PIB do ES cai 1,8% no 3° trimestre puxado por mau resultado da indústria

Apesar do bom desempenho dos setores de comércio e serviços, ano ruim para a indústria extrativa puxou economia capixaba para baixo na comparação com trimestre anterior. No acumulado de 2019, PIB do ES ficou no zero a zero

Publicado em 18/12/2019 às 15h00
Atualizado em 18/12/2019 às 17h24
Pátio de minério da Vale: paradas programas em pelotizadoras e quedas nas exportações da commodity contribuíram para a queda da indústria. Crédito: Arquivo/Divulgação
Pátio de minério da Vale: paradas programas em pelotizadoras e quedas nas exportações da commodity contribuíram para a queda da indústria. Crédito: Arquivo/Divulgação

Puxado pelo mau desempenho do setor industrial, o Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo caiu 1,8% no terceiro trimestre de 2019 em comparação com o trimestre anterior. Os dados são do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) e foram divulgados na tarde desta quarta-feira (18).  No trimestre, a soma das riquezas produzidas no Estado totalizou R$ 31,1 bilhões.

A indústria segue sendo a maior responsável pela retração da atividade econômica capixaba, com uma queda acumulada no ano de 13%. O segmento de transformação, por exemplo, apresenta redução de 8,7% até o terceiro trimestre.

Mas os piores números vêm do segmento extrativista. Paradas programadas de usinas de pelotização da Vale no Complexo de Tubarão, a redução da exportações de minério de ferro e celulose, e o preço baixo de commodities como petróleo e minério no mercado internacional foram os principais componentes que levaram a indústria extrativa a apresentar queda de 17,2% no acumulado do ano até setembro.

Com o resultado do terceiro trimestre, a economia capixaba está no zero a zero em 2019, segundo os dados do IJSN. Ou seja, o PIB acumula uma variação de 0%: nem cresceu, nem diminuiu. Para se ter uma ideia, a economia nacional até setembro aprensenta crescimento de 1%.

Para o diretor-presidente do Instituto Jones, Luiz Paulo Vellozo Lucas, ainda não dá para se falar em frustração das expectativas para o PIB deste ano, e sim em um prolongamento dos impactos negativos de acontecimentos do setor industrial. Mesmo sem fazer uma estimativa, o IJSN avalia que o resultado da economia capixaba deve fechar 2019 no positivo.

Luiz Paulo Vellozo Lucas

Diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves

"A gente está vendo que os efeitos dos fatos negativos sobre a indústria extrativa são de longo prazo e puxam esse resultado muito para baixo. Não há fatos negativos novos, são os mesmos. Mas o impacto deles é grande, como a redução da produção de petróleo por causa do amadurecimento dos campos, da crise do setor minero-siderúrgico em função dos acidentes em Mariana e Brumadinho, e de uma queda geral no preço das commodities"

CONSUMO DAS FAMÍLIAS IMPULSIONA SETORES DE COMÉRCIO E SERVIÇOS 

Se por um lado a indústria mantém o ano ruim, com sucessivas quedas de produção, os setores de comércio e serviços vêm apresentando recuperação do meio do ano para cá no Espírito Santo. Até setembro, o comércio varejista ampliado (que inclui a venda de veículos e peças) acumula alta no ano de 4,7%. Já o setor de serviços variou positivamente em 0,1%, puxado sobretudo pela alta de 5,8% nos serviços prestados às famílias.

"Esse é um bom sinalizador de retomada futura da economia, pois mostra que as famílias estão demandando e consumindo cada vez mais produtos e serviços", projetou Antônio Ricardo Freislebem da Rocha, coordenador de Estudos Econômicos do Instituto Jones.

O setor de serviços, aliás, tem sido o que mais tem criado empregos neste ano. Até setembro, dos 18,3 mil postos de trabalho abertos no Espírito Santo, 10 mil são apenas em estabelecimentos de serviços. Na sequência aparece a indústria de transformação (3,2 mil novas vagas) e a construção civil (3 mil).

EXPORTAÇÕES EM ALTA: PLATAFORMA PRODUZIDA NO ES AJUDOU RESULTADO DO PIB

Plataforma de petróleo P-68 foi produzida pelo Estaleiro Jurong Aracruz e entregue em setembro deste ano. Crédito: Agência Petrobras/Divulgação
Plataforma de petróleo P-68 foi produzida pelo Estaleiro Jurong Aracruz e entregue em setembro deste ano. Crédito: Agência Petrobras/Divulgação

Outro resultado positivo que o Estado tem colhido em 2019 vem do comércio exterior. Entre janeiro e setembro, as exportações capixabas cresceram 14,8%, somando US$ 7,1 bilhões.

No terceiro trimestre, a maior exportação feita do Estado que ajudou a conter a queda dos números do PIB foi a da plataforma P-68, produzida pelo Estaleiro Jurong Aracruz e entregue em setembro. Só a venda da FPSO (sigla em inglês para unidade que produz, armazena e transfere óleo) somou US$ 1,5 bilhão ao total de exportações capixabas.

As importações também estão em alta. Entre janeiro e setembro deste ano, o Espírito Santo importou 19,8% a mais do que no mesmo período do ano passado, somando US$ 4,5 bilhões. Nesse mesmo período, as importações do Brasil retraíram 1,3%.

O presidente do Sindicato do Comércio de Exportações e Importações do ES (Sindiex), Marcílio Machado, pontuou que o resultado positivo do segmento tem se dado mesmo com o desempenho ruim da indústria. As vendas de minério de ferro para o exterior caíram 18% até setembro. As de celulose acumulam queda de 36%. Já a de produtos semifaturados de ferro e aço retraiu 25%.

"Estamos sendo surpreendidos com os resultados das importações no Espírito Santo que voltaram a ser maiores que as nacionais. É uma retomada importante, sobretudo porque estamos importando desde carvão, por exemplo, à produtos de maior valor agregado, como aviões e helicópteros", comentou Marcílio, que disse ainda que a expectativa do segmento é dobrar os resultados em 2020. "Estamos bastante otimistas", frisou.

O presidente do Sindiex, no entanto, fez uma ressalva para a matriz econômica capixaba, voltada para as commodities, o que segundo ele tem sido o principal motivo para o resultado ruim do PIB. 

Marcílio Machado

Presidente do Sindiex

"No fundo nós somos exportadores de commodities, seja um café em grão, por exemplo, como produtos de siderurgia. Não são produtos finais, acabados nem com valor agregado. E quem se habilita e depende de ter uma economia baseada em commodities está sujeito a volatilidade do preço no mercado internacional. Então é muito difícil manter um crescimento estável por muitos anos por causa dos altos e baixos das commodities, como petróleo, minério e café"

Este vídeo pode te interessar

A Gazeta integra o

Saiba mais
indústria instituto jones dos santos neves vale (mineradora)

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.

Logo AG Modal Cookies

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.