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Publicado em 19 de maio de 2021 às 16:09
A Itapemirim Transportes Aéreos (ITA), nova companhia aérea brasileira criada pelo Grupo Itapemirim, só deve começar a ofertar voos para o Espírito Santo a partir do segundo semestre. Num primeiro momento, a empresa deve direcionar seu foco a terminais com maior fluxo de passageiros.>
Após a autorização final da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a ITA quer iniciar nas próximas semanas as operações em oito cidades: Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Curitiba (PR), Guarulhos (SP), Porto Alegre (RS), Porto Seguro (BA), Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA).>
Já Vitória só deve entrar na lista a partir de julho. Também devem ser incluídas, até agosto, as cidades de Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Natal (RN), Maceió (AL), e Recife (PE). A informação é da revista Exame, que apurou ainda que previsão é de que a companhia aérea tenha 35 destinos até junho do ano que vem.>
A expectativa, no entanto, era de que a Itapemirim iniciasse os voos pelo Aeroporto de Vitória. Em setembro de 2020, o presidente do Grupo Itapemirim, Sidney Piva de Jesus, chegou a anunciar que o primeiro voo da companhia aérea teria como destino Vitória. Seria, segundo ele, uma homenagem ao Estado pelo fato da empresa de transportes ter nascido em terras capixabas. >
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Ao lado de outros executivos do grupo, Piva se reuniu na ocasião com o governador Renato Casagrande e com gestores do Grupo Zurich Airport, que opera o Aeroporto de Vitória. Na época ele cravou que o primeiro voo da nova companhia para Vitória, disse que a data da operação inaugural era 1º de março de 2021, e ainda que a capital capixaba seria um hub nacional da companhia.>
Além do início da operação por Vitória não ter se confirmado, a data de começo prevista também não se concretizou em função do processo de certificação. Agora, a previsão da empresa é que as operações comerciais se iniciem no dia 30 de junho. Já a venda das passagens começará nesta sexta-feira (21). No site da companhia, um marcador faz a contagem regressiva até a data.>
À Exame, Sidnei Piva informou que os preços devem estar na média das companhias rivais, mas com um diferencial: não haverá cobrança pela marcação de assento ou despacho de bagagens com até 23 kg. >
Ainda segundo Piva, por enquanto, a frota será formada apenas pelo Airbus A320 ceo – modelo que já é operado pela Latam no Brasil – com a configuração de 162 assentos. Também está previsto o uso do A319, modelo um pouco menor. Há duas aeronaves disponíveis, e o plano é chegar a dez até dezembro.>
A ITA foi criada no ano passado para ser um braço do grupo Itapemirim no transporte aéreo. No final de abril, a empresa recebeu o Certificado de Operador Aéreo (COA) da Anac.>
Apesar da emissão do COA, para iniciar os voos a Itapemirim ainda precisa concluir a fase final de outorga da concessão — processo de verificação de regularidade jurídica e fiscal. Segundo informações da Anac, o processo de outorga ainda precisa passar pela aprovação da diretoria colegiada da Agência, antes de ser publicada no Diário Oficial da União (DOU). >
Somente após esse procedimento, que é de cunho burocrático, a ITA poderá iniciar voos comerciais. À reportagem, uma fonte que preferiu não ser identificada informou que esse procedimento ainda pode levar entre 30 dias e 45 dias, uma vez que as reuniões da diretoria acontecem, geralmente, a cada 15 dias. >
A nova aérea nasce sob desconfiança do mercado, já que o Grupo Itapemirim, fundado por Camilo Cola em 1953, enfrenta desde 2016 um conturbado processo de recuperação judicial.>
Naquele ano, a companhia entrou com o pedido na Justiça alegando ter R$ 336,49 milhões em dívidas trabalhistas e com fornecedores, além de R$ 1 bilhão em passivos tributários.>
A família Cola, então, decidiu vender a empresa, junto de outros seis negócios do grupo (todos na recuperação judicial), para empresários de São Paulo. Após uma longa fase de discussão e um processo de briga entre os sócios capixabas e paulistas, o plano de recuperação foi homologado em 2019.>
Esse plano aprovado pelos credores prevê que, para pagar as 1.480 pessoas físicas ou jurídicas com as quais o grupo tem dívidas, seriam realizados leilões de imóveis, veículos e linhas de ônibus da companhia.>
A Gazeta questionou a Itapemirim sobre o andamento do processo e as rotas que serão ofertadas em Vitória, mas a empresa ainda não se manifestou. O texto será atualizado quando houver resposta. >
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