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Itapemirim ainda não confirma se voará para o Aeroporto de Vitória

A empresa recebeu na sexta-feira (30) o Certificado de Operado Aéreo (COA) da Agência Nacional de Aviação Civil. Agora aguarda apenas a outorga da concessão para definir rotas e iniciar a comercialização de voos

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 03/05/2021 às 20h59
Avião da Itapemirim Transportes Aéreos (ITA) está fazendo voos de certificação
Avião da Itapemirim Transportes Aéreos (ITA) realizou voos de certificação. Crédito: Douglas Cavalcanti/Divulgação

A Itapemirim Transportes Aéreos (ITA), nova companhia aérea brasileira criada pelo Grupo Itapemirim, ainda não confirmou se irá operar voos para o Espírito Santo. A empresa, que recebeu na sexta-feira (30) o Certificado de Operador Aéreo (COA) da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), tem direcionado seu foco, até o momento, a terminais com maior fluxo de passageiros.

Segundo informações da Agência Estado, a companhia já garantiu seis slots (horários de pouso e decolagem nos aeroportos) para voar, a partir de junho, entre Ribeirão Preto e Recife, Ribeirão Preto e Guarulhos, Porto Seguro e Guarulhos, e Salvador e Guarulhos, o que demonstra a intenção de fazer ligações regionais a partir dos maiores aeroportos do país.

A própria ITA informou que já realizou voos de teste nos aeroportos de Guarulhos (São Paulo), Confins (Minas Gerais), Salvador (Bahia), Porto Alegre (Rio Grande do Sul) e Galeão (Rio de Janeiro) na primeira quinzena de abril. O Aeroporto de Vitória não entrou nessa lista.

No entanto, em setembro de 2020, o presidente do Grupo Itapemirim, Sidney Piva de Jesus, chegou a anunciar que o primeiro voo da companhia aérea teria como destino Vitória. Seria, segundo ele, uma homenagem ao Estado pelo fato da empresa de transportes ter nascido em terras capixabas.

Ao lado de outros executivos do grupo, Piva se reuniu na ocasião com o governador Renato Casagrande e com gestores  do Grupo Zurich Airport, que opera o Aeroporto de Vitória. Na época ele chegou a cravar o primeiro voo da nova companhia para Vitória, disse que a data da operação inaugural era 1º de março de 2021, e ainda que a capital capixaba seria um hub nacional da companhia.

Governador se reuniu com representantes do Grupo Itapemirim e da Zurich em 2020
Governador se reuniu com representantes do Grupo Itapemirim e da Zurich em 2020. Crédito: Hélio Filho/Secom-ES - 22/09/2020

Questionada agora sobre rotas envolvendo o Aeroporto de Vitória, a Itapemirim não respondeu. Informou, porém, que seus primeiros voos comerciais, assim como as rotas, serão anunciados em breve. 

Já a Zurich Airport informou que está pronta para receber possíveis operações da ITA e que tem toda a infraestrutura necessária, mas explicou que ainda não há nada confirmado pela companhia aérea.

FASE FINAL

Apesar da emissão do COA, para iniciar a operação a Itapemirim ainda precisa concluir a fase final de outorga da concessão — processo de verificação de regularidade jurídica e fiscal. Segundo informações da Anac, o processo de outorga ainda precisa passar pela aprovação da diretoria colegiada da Agência, antes de ser publicada no Diário Oficial da União (DOU).

À reportagem, uma fonte que preferiu não ser identificada informou que esse procedimento, que é de cunho meramente burocrático, ainda pode levar entre 30 dias e 45 dias, uma vez que as reuniões da diretoria acontecem, geralmente, a cada 15 dias. Somente após esse prazo a ITA poderá iniciar voos comerciais.

A Itapemirim destacou ainda que a aprovação junto à Anac comprova o cumprimento rigoroso de todas as normas, padrões e regulamentos da agência para operar voos regulares de passageiros no país, além de ser um atestado em relação aos padrões de segurança da companhia aérea.

"A empresa terá como destaque o conforto a bordo. Os Airbus A320 estão sendo reconfigurados para 162 assentos, o que permitirá mais espaço individual a todos os passageiros", informou a empresa, por meio de nota.

O presidente do Grupo Itapemirim, Sidnei Piva, comemorou a obtenção do COA, enfatizando que se trata de um marco importante dentro da história da aviação civil brasileira. "Temos orgulho de anunciar que cumprimos, dentro do prazo oficial, todos os requisitos exigidos pela Anac. Esse sonho só foi possível pelo empenho de todos os diretores e colaboradores do Grupo Itapemirim."

SAIBA MAIS SOBRE A ITA E AS OPERAÇÕES DO GRUPO ITAPEMIRIM

A Itapemirim Transportes Aéreos (ITA) foi criada no ano passado para ser um braço do grupo no transporte aéreo. A intenção seria vender pacotes conjuntos com a Viação Itapemirim, empresa de transporte rodoviário que atende 2,5 milhões de passageiros por ano em 2.700 cidades brasileiras.

A Viação Itapemirim, fundada por Camilo Cola em 1953, enfrenta desde 2016 um conturbado processo de recuperação judicial. Naquele ano, a companhia entrou com o pedido na Justiça alegando ter R$ 336,49 milhões em dívidas trabalhistas e com fornecedores, além de R$ 1 bilhão em passivos tributários.

A família Cola, então, decidiu vender a empresa, junto de outros seis negócios do grupo (todos na recuperação judicial), para empresários de São Paulo. Após uma longa fase de discussão e um processo de briga entre os sócios capixabas e paulistas, o plano de recuperação foi homologado em 2019.

Esse plano aprovado pelos credores prevê que, para pagar as 1.480 pessoas físicas ou jurídicas com as quais o grupo tem dívidas, seriam realizados leilões de imóveis, veículos e linhas de ônibus da companhia. 

Com a pandemia do coronavírus, que afetou duramente o setor de transportes, a Itapemirim conseguiu uma alteração no plano recuperação judicial, com aprovação da Justiça, que passou a lhe permitir utilizar 80% dos valores arrecadados nos leilões para o custeio da operação da empresa e só os 20% restantes para o pagamento de credores.

Ao final de 2020, credores da empresa pediram que fosse decretada a falência da empresa, alegando que houve descumprimento dos prazos de quitação das dívidas, além de suposto mau uso do dinheiro obtido em leilões de bens da companhia. Contudo, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) negou o pedido, entendendo que o plano de recuperação vem sendo cumprido.

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