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Indústria do ES tem a maior retração de todo o país em 2019

Ao longo dos 12 meses, setor industrial capixaba retraiu 15,7% - muito abaixo da média nacional, que apresentou queda de 1,1%

Publicado em 11/02/2020 às 10h21
Atualizado em 11/02/2020 às 18h39
Embarque de celulose em Portocel, Aracruz. Indústria de Celulose foi a que apresentou maior queda em 2019. Crédito: Suzano/Divulgação
Embarque de celulose em Portocel, Aracruz. Indústria de Celulose foi a que apresentou maior queda em 2019. Crédito: Suzano/Divulgação

A indústria do Espírito Santo foi a que apresentou a maior retração em 2019 de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O acumulado ao longo dos 12 meses foi de -15,7% - percentual muito superior ao do Estado que apresenta a segunda maior queda: Minas Gerais, com 5.6%.

Os setores que mais caíram em 2019 foram celulose, papel e produtos de papel (-35,8%), indústrias extrativas (-21,1%) e metalurgia (-10,6%). O único setor a apresentar crescimento ao longo do ano, segundo o IBGE, foi o de produtos minerais não-metálicos, que avançou 10,2%.

Setor de Minerais não-metálicos foi o único que apresentou crescimento no Estado. Crédito: Reprodução IBGE
Setor de Minerais não-metálicos foi o único que apresentou crescimento no Estado. Crédito: Reprodução IBGE

Se considerado apenas o número referente a dezembro de 2019, o Estado não apresenta a maior queda, mas ainda assim o número é negativo. No último mês do ano passado, a indústria local apresentou recuo de 2,3%. As maiores quedas do mês foram observadas em Mato Grosso (-4,7%), Rio de Janeiro (-4,3%) e Minas Gerais (-4,1%).

Porém, se comparado dezembro de 2019 com o mesmo mês de 2018, o Estado volta a apresentar a maior retração entre todos os Estados: 24,8%. Na sequência aparece Minas Gerais, com 13,6% de recuo industrial.

Espírito Santo apresenta a maior queda no acumulado dos 12 meses de 2019. Crédito: Reprodução IBGE
Espírito Santo apresenta a maior queda no acumulado dos 12 meses de 2019. Crédito: Reprodução IBGE

O diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos neves (IJSN), Luiz Paulo Vellozo Lucas, destaca que os fatores que fizeram com que a indústria recuasse não são novos, mas que vêm acompanhando o Estado ao longo dos últimos anos.

“Nós tivemos a questão de Mariana, da Samarco, que impactou muito o Espírito Santo, depois tivemos Brumadinho, que foi outro ponto importante. No setor de papel e celulose foi observada a queda do preço da celulose no mercado internacional, além do deslocamento de parte da produção da Suzano para outras fábricas… Tudo isso vem impactando o Estado nos últimos trimestres”, analisa.

“Por outro lado, começamos a ter notícias boas. A própria Suzano vai construir uma fábrica de papel no Estado, o setor de petróleo e gás está voltando a ter força depois dos leilões feitos pelo governo federal”, acrescenta Luiz Paulo.

Para o diretor-presidente do Instituto Jones, ainda que a situação da indústria não seja tão boa, a tendência é de melhoria nos próximos meses. “Dados do Caged [Cadastro Geral de Empregados e Desempregados], por exemplo, mostram que o Estado segue gerando empregos formais acima da média do Brasil. Da mesma forma a construção civil, turismo e setor de alimentos vêm apresentando resultados positivos”, conclui otimista.

PARA A  FINDES, DADOS NÃO RETRATAM TODA A INDÚSTRIA CAPIXABA

Para o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Leo de Castro, a indústria brasileira e, principalmente, a capixaba passam por momentos de desafio. Ele citou o baixo preço da celulose no  mercado internacional, o "efeito Brumadinho" na mineração e o amadurecimento dos poços de petróleo, que torna esses setores menos produtivos.

No entanto, o presidente lembra que o IBGE analisa apenas cinco setores e afirma que outras áreas estão se desenvolvendo. "Há indústrias que não aparecem nessa análise que são super importantes para nós. A indústria que não é medida tem se desenvolvido", diz. Ele aponta como exemplo o crescimento das vagas de emprego dos setores de madeira e mobiliário, material elétrico e alimentos.  

Para Leo de Castro, o crescimento de arrecadação de ICMS no setor industrial e de energia elétrica também apontam para um desenvolvimento do setor. Ele avalia, porém, que a diversificação é essencial para retomar o crescimento. "É preciso tirar a dependência dos grandes projetos, e construir caminhos para uma indústria mais diversa, robusta e resiliente. Para 2020, os empresários estão otimistas", afirma.

NÚMEROS NACIONAIS APRESENTAM QUEDA DE 1,1%

A média nacional da indústria, segundo o IBGE, caiu 1,1% nos últimos 12 meses. Observado apenas o mês de dezembro, a queda passa a ser de 0,7%. Dos 15 Estados pesquisados, 8 tiveram acumulado positivo no último ano.

O maior destaque é a indústria paranaense, que mesmo num cenário de crise conseguiu crescer 5,7% ao longo de 2019. O número foi puxado pela indústria de Veículos automotores, reboques e carrocerias, que subiu 25,7%.

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