ASSINE

Fundos imobiliários e ações são apostas para fugir dos juros baixos

Segundo especialistas, para não perder rentabilidade, as alternativas para o investidor são os papéis comercializados no mercado de renda variável

Publicado em 16/12/2019 às 10h18
Atualizado em 16/12/2019 às 10h19
Com Selic em queda, especialistas recomendam investimentos de mais risco. Crédito: Pixabay
Com Selic em queda, especialistas recomendam investimentos de mais risco. Crédito: Pixabay

Arriscar um pouco mais para garantir melhor retorno nos investimentos. Essa é a dica dos especialistas para quem não quer perder dinheiro no atual cenário econômico nacional, de juros baixos.

Na última quarta-feira (11), o Conselho de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou pela quarta vez consecutiva a taxa básica de juros, a Selic. Com isso, ela chega a um novo menor patamar histórico, 4,5%. Mas você deve estar se perguntando: "E o que isso tem a ver com meu dinheiro?". A resposta é: tudo.

A Selic é usada como referência pelos bancos. De acordo com especialistas, o país está caminhando nesse sentido de ter juros cada dia menores para investimentos com baixo grau de risco. Com isso, será preciso ousar para garantir uma boa rentabilidade.

Os especialistas aconselham a investir em fundo de ações, ações e fundos imobiliários, por exemplo, para não abrir mão da rentabilidade. De cordo com eles, o mercado de renda variável é o melhor caminho em um momento em que os juros estão ladeira à baixo.

A Gazeta ouviu especialistas com dicas para o poupador não sair no prejuízo. Confira!

TIRE O DINHEIRO DA POUPANÇA SE NÃO QUER PERDER RENTABILIDADE

Nada de manter o dinheiro parado na poupança, segundo os especialistas em mercado financeiro indicam. A caderneta rende atualmente 70% da Selic mais a Taxa Referencial (TR), que hoje está zerada. Dessa forma, com a Selic em 4,5% a poupança vai render em média 3,15% ao ano, ou 0,26% ao mês. Deixar o dinheiro parado na caderneta não garante nem que ele renda mais do que a inflação, que tem a meta projetada em 4,25% para este ano, segundo o Banco Central.

QUEM CONTRATOU TÍTULOS PÚBLICOS PRÉ-FIXADOS PELO IPCA E PELA SELIC: O QUE FAZER?

Quem contratou títulos públicos pré-fixados, pelo ICPA ou pela Selic pode estar se questionando sobre o que fazer agora. A primeira coisa é não se desesperar e em seguida analisar o título que você adquiriu. No caso de quem tem o Tesouro IPCA+, a situação é outra. Esse título vai remunerar acima da inflação. Mas é importante ver a que taxa você contratou o Tesouro Direto. Por exemplo, o IPCA+ 2024 hoje rende a inflação mais 2,21%. Com isso, mesmo descontando o IR ele estaria pagando mais do que a inflação. 

Já o título pré-fixado vai depender da taxa contratada. Quem comprou os papéis antes dos juros começarem a descer ladeira abaixo, como em janeiro de 2015, por exemplo, conseguiu pegar taxas de 17% ao ano. Neste caso, não vale a pena mexer.  No início do ano, alguns títulos estavam pagando 9% ao ano. O dobro da atual Selic. A indicação é manter. Mas se for contratar agora,  o investimento pode não valer a pena já que está pagando bruto, sem descontar o Imposto de Renda, em média 5,16% ao ano.

 Luiz Alberto Caser, da Valor Investimentos, dá dicas de investimentos. Crédito: Valor Investimentos/Divulgação
 Luiz Alberto Caser, da Valor Investimentos, dá dicas de investimentos. Crédito: Valor Investimentos/Divulgação

Luiz Alberto Caser, sócio da Valor Investimento, corretora ligada a XP, explica que no caso do Tesouro Selic você precisa saber que ele não está rendendo. “Na hora de descontar os 15% do Imposto de Renda (IR), o ganho real desse título público vai ser quase zero. Quem tem Tesouro Selic pode migrar para investimentos mais conservadores como fundos de renda fixa de crédito privado para ter uma liquidez melhor”, aconselha.

Já o professor de Economia da Fucape e co-founder da Upthinkr André Moura lembra ainda que para quem tem a Selic, o ideal seria vender um pouco antes das quedas consecutivas, mas agora é preciso esperar pelo menos até o primeiro semestre de 2020 para tomar essa decisão, pode ser que o cenário mude e a Selic volte a subir, por exemplo.

CDB E FUNDOS DI CONTINUAM VANTAJOSOS COM A SELIC A 4,5%?

Segundo os especialistas, não. Os Fundos de Renda Fixa Referenciados DI, ou Fundos DI, estão com o mesmo desafio do Tesouro Selic, talvez performando até um pouco abaixo. Como eles aplicam no mínimo 95% do patrimônio nos títulos públicos do Tesouro Direto, que são atrelados ao CDI ou Selic, ou em títulos privados de baixo risco, acompanham as oscilações da taxa básica. Por isso, quanto mais baixa a taxa básica de juros, menos os Fundos DI remuneram.

Já os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) são títulos emitidos por bancos para se capitalizar. Seria como se você emprestasse o seu dinheiro para a entidade financeira. O seu rendimento está atrelado ao Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), que tradicionalmente é menor do que a Selic anunciada.

QUAIS SÃO AS ALTERNATIVAS PARA AUMENTAR A RENTABILIDADE QUANDO A SELIC ESTÁ BAIXA?

Se a Selic está baixa, os rendimentos com pouco grau de risco vão render menos, logo a alternativa para melhorar as finanças será aportar capital em investimento com algum grau de risco maior. Veja abaixo  alguns tipos de investimentos que você pode ficar de olho:

  • Mercado de renda variável - investir em ações da B3 ou em outras bolsas internacionais é uma das opções para quem está aberto ao risco. Para investir em ações de empresas negociadas na Bolsa é preciso ter uma conta em um banco ou corretora. O investimento pode ser por meio da compra de ações de uma única empresa ou de um Fundo de Ações, que reúne papeis de diferentes empresas. Os especialistas recomendam deixar o dinheiro investido durante um período maior de tempo para que a diferença entre compra e venda gere resultados mais favoráveis para o investidor. Não possui Fundo garantidor de Crédito (FGC) como os investimentos de renda fixa.
  • Fundos multimercados - outra opção para quem quer investir, mas acha muito arriscado comprar ações de uma única empresa são os Fundos Multimercados. Eles agregam diferentes ativos, ações, câmbio e Tesouro Direto, em um único investimento. É um investimento que pode ter volitividade a curto prazo. Ele não possui Fundo garantidor de Crédito (FGC) como os investimentos de renda fixa. 
  • Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) - os sucessivos cortes das Selic vem valorizando o mercado de FIIs. Com o recente aquecimento do mercado imobiliário essa alta deve se manter. O investidor compra uma ou mais cotas de um Fundo e pode receber com a valorização desse papel ou com a distribuição de rendimentos realizada pelo administrador do fundo. Como todo investimento, ele tem riscos. Dentre eles estão o de desvalorização do mercado, perda de liquidez, vacância e inadimplência. Os investimentos em fundos imobiliários não são garantidos pelo FGC.

Este vídeo pode te interessar

A Gazeta integra o

Saiba mais

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.

Logo AG Modal Cookies

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.