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Donos de loja de veículos e de náutica são presos suspeitos de fraude no ES

Empresários são investigados por suposta participação em esquema com firmas de fachada e de empresas da Lava Jato para enviar dinheiro para China e EUA

Publicado em 15/12/2020 às 12h55
Atualizado em 15/12/2020 às 17h11
Sandes Náutica Marine, em Pontal de Camburi, onde são cumpridos mandados de busca e apreensão em operação da Polícia Civil e do Gaeco
Sandes Náutica Marine, em Pontal de Camburi, onde são cumpridos mandados de busca e apreensão em operação da Polícia Civil e do Gaeco. Crédito: TV Gazeta/Reprodução

Os empresários capixabas Wilson Caoduro e Pablo David Eliseo Sandes, que atuam na área náutica e de veículos, foram presos na manhã desta terça-feira (15) durante operação da Polícia Civil para desarticular organização criminosa com atuação interestadual e internacional. Uma terceira pessoa foi presa, mas o nome não foi descoberto pela reportagem.

Segundo a Polícia Civil, eles são suspeitos de comandar empresas de fachada no Estado que faziam lavagem de dinheiro para outros Estados. De acordo com as investigações, eles movimentaram cerca de R$ 800 milhões durante um ano e meio.

As prisões são preventivas e temporárias, cumpridas por meio de mandado de prisão expedido pela Justiça.  Os dois empresários estão em prisão preventiva enquanto a terceira pessoa está em prisão temporária. 

As prisões foram realizadas durante Operação Pianjú, deflagrada pela Divisão Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV) e do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Espírito Santo.

De acordo com o delegado à frente da operação, João Paulo Pinto, titular da DFRV, os empresários são proprietários de empresas de fachada capixabas, que funcionavam com base em identidades falsas de pessoas que não existiam. Por meio delas, eles recebiam dinheiro de empresários de fora do Estado para ser lavado no Espírito Santo.

"Pedimos a quebra de sigilo bancário dessas empresas, e descobrimos que empresas de São Paulo, envolvidas na Lava Jato, enviavam dinheiro para o Espírito Santo. E essa organização criminosa daqui era usada por outros estados da federação para mandar dinheiro para fora do país", explicou.

"Ainda estamos na primeira fase da investigação, mas provavelmente esse dinheiro é fruto da Lava Jato, de desvio de corrupção, ou por outras atividades ilegais praticadas pelas empresas”, acrescentou.

Operação da Polícia Civil e do Gaeco cumpre mandados de busca e apreensão na loja Akira Suzuki, em Itaparica, Vila Velha
Operação da Polícia Civil e do Gaeco cumpre mandados de busca e apreensão na loja Akira Suzuki, em Itaparica, Vila Velha. Crédito: Ricardo Medeiros

A operação ocorreu de forma simultânea nos Estados do Espírito Santo (Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica), São Paulo (Capital, Santos e Jaguariúna), Ceará (Fortaleza) e Alagoas (Maceió), tendo sido empregados 118 agentes, entre delegados, investigadores e agentes das Polícias Civis dos Estados do Espírito Santo, São Paulo, Ceará e Alagoas, além de promotores de Justiça e agentes do Gaeco do Espírito Santo e de São Paulo.

Foram expedidos 126 mandados judiciais, sendo, 18 mandados de prisão preventiva, 5 mandados de prisão temporária, 30 mandados de busca e apreensão, 23 sequestros de embarcações, 43 ordens judiciais de bloqueio de contas bancárias e 2 ordens judiciais de suspensão de atividades econômicas.

O ESQUEMA

O esquema funcionava da seguinte forma: os empresários capixabas recebiam dinheiro de empresas de outros estados. Eles cobravam uma taxa sobre esse dinheiro para realizar a lavagem, ficavam com parte dele e a outra parte era encaminhada para países como China e Estados Unidos.

João Paulo Pinto

Delegado 

"Em um ano e meio, R$ 400 milhões entraram na conta das empresas de fachada e R$ 400 milhões saíram"

Para não levantar suspeitas dos órgãos de controle e fiscalização, eles pagavam todos os impostos sobre esse dinheiro.

“Eles obtinham lucro com a lavagem de dinheiro que faziam e montaram empresas grandes, agindo como se fossem empresários bem sucedidos do ramo náutico e de veículos."

Wilson Caoduro é proprietário do Grupo Living Náutica. Ele também atuava na administração de concessionárias de carros na Grande Vitória. Já Pablo David Eliseo Sandes é o responsável pela Sandes Náutica Marine. 

A reportagem da TV Gazeta tentou falar com os dois empresários na delegacia, mas eles não quiseram se pronunciar. Os advogados de defesa informaram que vão se inteirar do caso.

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