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Como o consumidor pode identificar se a carne é clandestina

Ao comprar um produto de origem animal, é importante observar o selo de procedência e a coloração, que não pode ser escura

Publicado em 25/09/2020 às 15h52
Consumidor deve observar carnes vendas no supermercado
Consumidor deve observar carnes à venda no supermercado. Crédito: Pixabay

Polícia Civil do Espírito Santo realizou, na manhã desta sexta-feira (25), uma operação para prender pessoas ligadas a organizações criminosas que atuavam no furto e no abate clandestino de gado. O produto de procedência irregular era vendido em estabelecimentos do Espírito Santo e a suspeita era de que havia até venda irregular de carne de cavalo, como se fosse bovina.

De acordo com informações da TV Gazeta, foi apreendida uma tonelada de carne clandestina em supermercado e açougues do Estado.

Para o consumidor, comer carnes ou outros produtos de origem animal de procedência duvidosa pode causar uma série de problemas de saúde, inclusive intoxicação alimentar. Mas como identificar se o produto que a pessoa leva para casa pode ser consumido de forma segura por toda a família?

As carnes vendidas em supermercado precisam ser embaladas com o carimbo do serviço de inspeção (municipal, estadual ou federal). Para o caso de produtos que estiverem sendo vendidos no balcão, em bife ou cubos, por exemplo,  o consumidor tem o direito de solicitar identificação da origem daquele produto. A Vigilância Sanitária orienta o comércio a manter essas documentações dos produtos vendidos a granel sempre à disposição dos clientes.

Em entrevista à TV Gazeta, o médico veterinário do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf), Agostinho Sérgio, explicou que, geralmente, as carnes oriundas de abate clandestino têm uma coloração mais escura, mais sanguinolenta, diferente das com cor mais rósea do produto legalizado. “Isso acontece porque o animal não foi bem sangrado ou sofreu maus-tratos na hora do abate.”

O Idaf é o órgão estadual responsável por realizar diversas ações junto ao agronegócio capixaba. A entidade realiza a inspeção e fiscalização de produtos de origem animal, como carne, ovos, leite e mel. Além de identificar que os produtos estão de acordo com a lei, o órgão tem como principal objetivo proteger a saúde dos consumidores e a economia do Estado.

O diretor-presidente do órgão, Mário Louzada, explica que as ações têm como objetivo combater a clandestinidade na produção de alimentos de origem animal. Ele alerta que produtos clandestinos não dão garantia alguma para o consumidor a respeito de um alimento seguro que não tenha risco de ter micro-organismos patogênicos (que podem causar doenças) à saúde humana.

“As ações de fiscalização realizadas pelo Idaf são importantes para coibir essas produções irregulares e afastar esses riscos do consumidor”, disse o diretor.

Para evitar a comercialização desse tipo de produto, o Idaf realiza diversas fiscalizações por meio de suas equipes volantes, as barreiras sanitárias nas divisas com outros Estados, bem como os escritórios e postos de atendimento nos municípios capixabas.

O Idaf também fica de olho em relação às fraudes econômicas. Um estabelecimento registrado com fiscalização que preza por oferecer um produto seguro e de qualidade para o consumidor tem seus custos de produção, e isso reflete no valor do produto que ele oferece.

Louzada explica que uma produção clandestina, muitas vezes, terá um valor do seu produto muito mais barato, mas sendo um risco de saúde para o consumidor. Além disso, causa uma competição desleal com o produto que está respeitando a legislação e, principalmente, respeitando a saúde pública.

Já o diretor-presidente do Procon-ES, Rogério Athayde, informa que o consumidor deve ficar atento na hora de ir ao supermercado ou açougue adquirir produtos do gênero alimentício. Dentre os cuidados, estão a verificação das condições de higiene do estabelecimento e dos atendentes, para evitar problemas como doenças e intoxicações alimentares.

“Se o consumidor notar algum problema quando chegar em casa, deve retornar o mais rápido possível ao estabelecimento onde efetuou a compra, munido da nota fiscal, e exigir a sua troca. Se o problema não for sanado, poderá denunciar o fato aos órgãos competentes: Procon, Vigilância Sanitária ou Idaf. É preciso sempre pedir e guardar a nota fiscal de compra”, ressaltou Rogério Athayde.

O QUE O CONSUMIDOR DEVE OBSERVAR

  •  O consumidor deve observar se o produto está embalado com o carimbo do serviço de inspeção (municipal, estadual ou federal).
  •  Se a carne já estiver cortada, em bifes ou cubos, e estiver sendo vendida no balcão, todo consumidor tem o direito de solicitar identificação da origem daquele produto. A identificação deve estar em uma plaqueta com a data de produção e de validade e a origem do produto.
  •  Carnes clandestinas têm uma coloração mais escura, diferente das legalizadas (com tonalidade rósea).
  • Ao ir até o supermercado ou açougue, o consumidor deve verificar as condições de higiene do estabelecimento e dos atendentes, para evitar problemas como doenças e intoxicações alimentares.
  • É importante observar se os produtos estão protegidos da presença de insetos, bem armazenados e refrigerados.
  • Desconfie se o preço estiver muito abaixo da média praticada no mercado. Uma produção clandestina, muitas vezes, terá um valor do seu produto muito mais barato.
  • A existência de uma névoa sobre alimentos congelados indica a baixa temperatura do balcão e boa condição de refrigeração.
  • Já o acúmulo de água ou umidade nos balcões frigoríficos significa que a temperatura de conservação está incorreta.

ONDE DENUNCIAR

  •  Caso o consumidor não tenha segurança ou desconfie que o produto pode não ter procedência regularizada ele pode denunciar diretamente ao disque denúncia, que será direcionado aos órgãos competentes. São eles: Procon, Vigilância Sanitária, Delegacia do Consumidor, Idaf, Polícia Ambiental. O disque denúncia pode ser pelo telefone 181 ou pelo site disquedenuncia181.es.gov.br.
  •  No Procon, as denúncias podem ser feitas pelos telefones 151 e (27) 3332-2011, por meio do App Procon-ES (Android) ou do Fale Conosco, disponível no site www.procon.es.gov.br (iPhone).

Fonte: Idaf e Procon

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