Com projeto na casa dos R$ 4,5 bilhões no Espírito Santo no campo de Wahoo, que envolve a perfuração de poços e conexão com a FPSO de Frade, a Prio, maior petroleira independente do país, ainda aguarda liberação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) para retirar o primeiro óleo.
Segundo a empresa, o projeto já movimenta cerca de R$ 800 milhões na cadeia de suprimentos regional, e, ao longo de sua produção, o campo deve chegar a produzir até 40 mil barris de óleo por dia, gerando mais de R$ 3 bilhões de royalties para o Espírito Santo e a União.
A empresa – que completa 10 anos no mercado em 2025 e é especializada em campos maduros – produz 100 mil barris por dia nos ativos na Bacia de Campos e vai estrear suas operações no Estado.
No início de 2024, a previsão era retirar o primeiro óleo entre julho e setembro, meta agora que ficou para 2025. A empresa ainda aguarda as licenças para perfurações do Ibama, que sofreu atrasos principalmente por conta da paralisação dos servidores, ocorrida entre junho e julho do ano passado.
Com projeto bilionário no ES, petroleira aguarda Ibama para retirar 1º óleo
Após o fim da greve dos servidores do Ibama, a Prio recebeu parecer técnico do órgão ambiental aprovando a revisão do Rima (Relatório de Impacto Ambiental) do sistema de desenvolvimento da produção de Wahoo. Mas, para iniciar de fato o projeto, ainda faltam as licenças para perfuração de poços e produção.
O cronograma da petroleira é fazer a primeira retirada de petróleo oito meses após receber o aval final do órgão ambiental. Mesmo assim, outros equipamentos para a operação que obtiveram sinal verde já estão sendo instalados.
"Enquanto isso, a empresa segue com os preparativos no FPSO de Frade, garantindo a adequação da infraestrutura para receber a nova produção, além de garantir a segurança dos equipamentos já mobilizados, produzidos e essenciais para a operação", informou a Prio.
Um exemplo disso é o tie-back, que é uma tecnologia desenvolvida pela empresa para interligar operações de campos próximos por meio de dutos submarinos.
O óleo retirado em Wahoo será levado por duto até o FPSO Valente/Frade, localizado a uma distância de 35 quilômetros. A unidade autônoma de produção de petróleo opera atualmente 55 mil barris ao dia e vai escoar também a produção desse campo.
Etapas no Ibama
Segundo o Ibama, o próximo passo no processo de licenciamento de produção é a publicação do edital de abertura de prazo para solicitação de audiências públicas. Também está em curso a análise das revisões apresentas para o Estudo de Impacto Ambiental (EIA).
"Para a atividade de perfuração marítima no campo de Wahoo, seguem em análise as complementações apresentadas pela operadora no âmbito do requerimento de Licença de Operação. O prazo de análise final depende da adequação das informações apresentadas pela empresa, mas todo o material protocolado já encontra-se em avaliação pela equipe técnica do Ibama", informa o órgão.
A tecnologia
Uma maquete para mostrar como funciona a tecnologia foi exposta no estande da empresa durante o Mec Show, realizado no Pavilhão de Carapina, no início de agosto.
“Uma das vantagens do tie-back é a redução das emissões de carbono, porque não é necessário ter um navio ou plataforma fixa instalada emitindo e consumindo combustível. O tie-back também foi a solução encontrada para viabilizar a exploração na acumulação marginal, com eficiência operacional para continuar sendo rentável. Se tivesse que colocar a plataforma em operação, talvez não ficasse de pé”, afirma Francisco Bulhões, head de Relações Institucionais da Prio.
Após o início das operações no Estado, a previsão da empresa é replicar o modelo em futuros investimentos.
Sobre a questão do Ibama, o representante da Prio explica que a empresa tem trabalhado no período da operação padrão para esclarecer todas as questões técnicas para que a licença saia o mais rápido possível.
E a empresa já tem preparado a operação para quando a perfuração for permitida, inclusive com a construção do tie-back.
Procurado para comentar a situação, o Ibama informou que está conduzindo dois processos de licenciamento para o projeto Wahoo da Prio, localizado no Espírito Santo. Um dos processos refere-se à perfuração de novos poços e o outro à produção. Ambos estão atualmente em análise pela área técnica.