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Ficou salgado!

Com dólar em alta, carne fica mais cara no Espírito Santo

Com a moeda estrangeira mais valorizada ante ao Real, produtores tem priorizado exportar a produção, reduzindo a oferta no mercado interno e provocando desabastecimento. Aumento já é perceptível nos supermercados e açougues

Publicado em 20 de Novembro de 2019 às 06:00

Redação de A Gazeta

Publicado em 

20 nov 2019 às 06:00
Churrasco vai ficar mais caro com dólar nas alturas e desabastecimento Crédito: Pixabay
Só de pensar em churrasco já dá água na boca. Porém, é bom preparar o bolso para este final de ano. A carne suína e a bovina, proteínas praticamente indispensáveis na grelha e na mesa dos brasileiros, estão ficando mais caras. Na ida aos supermercados e açougues do Espírito Santo, já é perceptível que os preços aumentaram muito nos últimos dias. 
Alguns fatores internacionais estão provocando essa elevação nos preços. O principal deles é o câmbio. A valorização do dólar vem tornando mais vantajoso para os produtores exportar do que vender ao mercado interno. 
Quando a taxa de câmbio sobe, todos os produtos cotados em dólares tem seu preço em reais aumentado, como é o caso das carnes. “Quando o dólar está em alta, o produtor tem possibilidade de exportar, então ele prefere vender ao mercado externo do que vender para o mercado interno. Porque, para ele a transação em dólares vai ser mais vantajosa", explica Felipe Sathler, assessor de investimentos da Valor.
Ao aumentar as exportações, o mercado interno acaba recebendo menos produtos, o que causa um desabastecimento nacional. O presidente da Associação Capixaba de Supermercados (ACAPS), João Tarcísio Falqueto, comenta que já falta alguns cortes de carnes bovina e suína nos açougues do Estado. "Estamos em um período de redução no abate de animais, porque o número de animais prontos reduziu", comenta.

CRESCIMENTO DO MERCADO

Não bastasse os produtores brasileiros cada vez mais dispostos a exportar, por outro lado temos um país do porte da China mais disposto para comprar. A venda de carne bovina do Brasil para a Ásia vem crescendo devido ao surto de peste suína africana, o que ampliou o mercado para o produto brasileiro. 
Na última semana, o Brasil habilitou mais 13 frigoríficos para exportar para a China (cinco de produção de carne bovina e três de aves), além de oito de carne bovina e produtos para a Arábia Saudita.

INFLACIONADO

De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP), nesta segunda-feira (18), a arroba do boi gordo foi cotada na B3, em média, a R$ 202,20. No dia 1º de novembro, por exemplo, o valor estava cotado em média a R$ 169,55, de acordo com o Cepea.
Apenas do dia 1° ao dia 18 deste mês, o preço do arroba bovina subiu 19,25% no  Mato Grosso do Sul, Estado que detém o maior rebanho bovino do país, com maior demanda chinesa.
Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, as carnes aumentaram de preço em 1,47% de setembro para outubro na Grande Vitória. Já no acumulado de janeiro a agosto este ano o aumento chega a 4,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
Para o próximo mês, a previsão é que a inflação seja bem maior.  Com a oferta menor e aumento da procura pelos itens, em vista do final de ano, os preços tendem a subir mais que o normal.

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