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Alta da Selic faz empréstimos ficarem mais caros e muda ganhos com investimentos

A taxa foi para 3,5% ao ano e há expectativa de crescimento ainda maior até 2022. Cenário deve tornar mais atrativas algumas aplicações; já a poupança segue não sendo uma boa opção. Entenda o que muda

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 05/05/2021 às 20h44
Atualizado em 05/05/2021 às 20h44
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Alta da Selic afeta investimentos e empréstimos. Crédito: Pexels

A nova alta da taxa básica de juros brasileira, anunciada nesta quarta-feira (5), vai trazer impactos diversos para a economia. Tendo como objetivo desacelerar o consumo e a inflação, a elevação da Selic deve ser seguida pelos bancos e encarecer o crédito de maneira geral. Por outro lado, a rentabilidade de alguns investimentos começa a se tornar interessante novamente.

Ao passar de 2% para 3,5% em pouco mais de três meses e com a expectativa de que chegue a 5,5% no fim do ano e 6,25% em 2022, segundo o boletim Focus, as aplicações de renda fixa atreladas à Selic, que tinham perdido um pouco o apelo por conta da baixa histórica da taxa, voltam a se tornar atrativas.

Segundo o sócio e assessor de investimentos da Valor, Pedro Scaramussa, mais importante do que a alta anunciada nesta quarta é observar o ciclo da taxa como um todo.

“Esses títulos de renda fixa começam a ficar um pouco mais atrativos. Saímos de 2% e vamos pra 3,5%. O mais importante não é nem essa decisão em si, mas o comunicado que o Copom dá ao mercado. Hoje, segundo o Boletim Focus, se tem expectativa da Selic finalizar em 5,5% em 2021. Então, os títulos do Tesouro Selic, mais populares, em que o investidor recebia 2% ao ano, vão passar a 5% ao ano”, explica.

O planejador financeiro da Meu Patrimônio, Renan Lima, concorda e diz que é possível que, caso a Selic se mantenha em trajetória de alta, haja uma migração de volta para os ativos de renda fixa, que tinham perdido espaço por conta da baixa rentabilidade. Contudo, ele acredita que o patamar atual ainda é baixo para que isso ocorra no curto prazo.

Renan Lima

Planejador financeiro da Meu Patrimônio

"Em linhas gerais, quando há uma taxa de juros maior, as pessoas têm menos apetite ao risco. Pode haver migração para aplicações mais conservadoras no futuro. Apesar de eu achar que ainda não está nesse patamar para que eles tomem essa decisão. No passado, a Selic chegou a 14%. Quem vai querer correr risco? Mas, com patamares menores, o investidor vai ter que continuar diversificando a carteira"

Os especialistas lembram que, como a poupança paga 70% da taxa Selic, ela é sempre menos vantajosa que aplicações vinculadas à taxa básica de juros, independente de qual seja o valor atual ou futuro.

JUROS REAIS CONTINUAM NEGATIVOS

Mesmo com a segunda alta seguida da Selic, os juros reais continuam negativos no Brasil porque a inflação no país está maior do que a taxa básica. O IPCA, índice oficial que mede a inflação, está em 6,10% no acumulado dos últimos 12 meses.

Na prática, isso significa que, em aplicações com rendimento equivalente à Selic (ou 100% do CDI) o dinheiro investido se desvaloriza.

Contudo, segundo Renan Lima, essa situação pode mudar até o fim do ano. Caso a estratégia do Banco Central de aumentar a taxa de juros para trazer a inflação para dentro da meta - que é de 3,75% - os juros poderão voltar a ficar positivos.

"Há expectativa do mercado pra esse ano de a Selic fechar em 5,5%, segundo a Focus. Mantida a inflação na meta, já proporciona uma taxa de juros real positiva, mesmo que bem pouco. Porque é preciso considerar ainda o Imposto de Renda”, diz.

DÓLAR PODE CAIR

Uma taxa de juros básica mais alta também pode trazer consequências para o câmbio. Scaramussa explica que, como os outros países têm trabalhado com juros zero, o ciclo de alta da Selic pode favorecer a atração de investidores estrangeiros para aplicações financeiras no Brasil.

A entrada desse dinheiro de fora favorece o real, já que, com maior oferta de dólares, a moeda brasileira se valoriza.

EMPRÉSTIMOS

A alta da Selic impacta ainda os tomadores de empréstimos e financiamentos. Desde o ano passado, com a Selic próxima dos 2%, os bancos passaram a oferecer taxas bem baixas para o crédito, principalmente o imobiliário, o que provocou um boom na procura por esses financiamentos e aqueceu o mercado de imóveis.

Contudo, as altas sucessivas previstas para 2021 podem reverter essa situação já que os bancos costumam atrelar os juros cobrados aos clientes à Selic. Para o assessor de investimentos da Valor, esse repasse deve ser feito aos poucos ao longo dos próximos meses.

“O banco sempre tende a fazer esses repasses paulatinamente para não afetar o montante de crédito que ele oferta. Não há expectativa de que seja de uma vez, mas sim gradual ao longo do tempo”, afirma.

O aumento dos custos de financiamento também tem impacto negativo sobre as empresas, uma vez que, com a Selic mais alta, os bancos reajustam taxas em geral e o crédito fica mais caro.

A mudança tende a dificultar a vida dos empresários que, em meio à crise, muitas vezes recorrem a financiamentos para salvar seus negócios.

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