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Bolsa de Valores em alta: veja se vale a pena voltar a investir em ações

Empresas exportadoras têm se beneficiado da recuperação das commodities no mercado global. Crescimento se reflete no Índice Bovespa, que avança apesar do recrudescimento da pandemia e das instabilidades políticas no país

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 21/04/2021 às 20h28
Investimentos, Bolsa de Valores
Investimentos, Bolsa de Valores,. Crédito: Pexels

A volatilidade da Bolsa de Valores é algo constante. O Ibovespa, principal índice da B3, caiu 2% entre janeiro e março. Desde então, reverteu e passou a seguir uma tendência de crescimento, já acumulando uma alta de 1,6% desde o início deste ano, tendo inclusive voltado ao patamar acima dos 120 mil pontos.

Nesse período, algumas empresas se destacaram, mesmo diante do recrudescimento da pandemia do novo coronavírus e da crise política e econômica instalada no país. Para especialistas, essas companhias mostram que o mercado de ações ainda é um investimento que vale a pena, desde que as decisões sejam tomadas com cuidado, analisando prós e contras. 

A avaliação geral é que, desde que o investidor se mantenha atento ao que acontece na economia e busque diversificar sua carteira de investimentos, vale a pena aplicar recursos na Bolsa de Valores, mesmo diante do avanço da pandemia, como aponta o  assessor e sócio da Valor Investimentos, Jean Malta:

Jean Malta

Assessor e sócio da Valor Investimentos

"Sem dúvida, no curto prazo, nos próximos meses, ainda teremos muita instabilidade no país. Mas ainda é um bom momento para investir em ações. Há ativos que estão num patamar de preço interessante, que podem ser uma oportunidade no longo prazo. Que é, claro, o que se deve visar quando se investe na Bolsa de Valores"

Entre os ativos com mais valorização no ano estão:  Méliuz, com alta de 115,86%; Braskem, com crescimento de 123,97%; e Indústrias Romi SA, com avanço de 145,18%. Mas é principalmente nas empresas exportadoras que está a explicação para a valorização da bolsa brasileira.

Com a retomada global das economias e maior demanda por commodities, especialmente de países como China e Estados Unidos, as empresas brasileiras ligadas a insumos como minério de ferro, petróleo, celulose, entre outros têm se beneficiado. 

Para se ter ideia, no ramo da mineração e siderurgia, todos os papeis negociados na B3 tiveram valorização em 2021. Nesta área, o destaque vai para a Companhia Siderúrgica Nacional, com alta de 48,92%. Os papeis da Vale, que também atua no Espírito Santo, tiveram alta de 28,57%.

Já entre as indústrias químicas, de resíduos e especializadas em papel e celulose, somente uma (a Orizon Valorização de Resíduos SA) apresentou desvalorização. As demais, como a Suzano, apresentaram crescimento. O mesmo ocorre com as empresas do agronegócio e especializadas em etanol.

Também há boas oportunidades no segmento do petróleo, apesar de, no momento, não ser o caso da Petrobras, cujas ações apresentam queda de 11,45% no ano. Em fevereiro, a empresa sofreu um baque quando o presidente Jair Bolsonaro decidiu indicar como presidente da estatal o general da reserva Joaquim Silva e Luna. A turbulência foi precificada rapidamente pelo mercado, levando as ações da companhia a derreteram no dia útil seguinte ao anúncio, com perdas superiores a 20%.

“Temos uma série de adversidades no mercado interno, mas o Índice Bovespa tem um peso muito forte das empresas de commodities, que estão se beneficiando com a valorização dos produtos no mercado global. Minério, petróleo, celulose. Todos estão em um bom patamar. E não é um movimento isolado. Também estão performando bem nos índices globais”, observou o economista e sócio da Golden Investimentos, Thomas Giuberti.

Ele observa que, por outro lado, os ativos domésticos, que são mais ligados à economia interna, como aqueles ligados às empresas de varejo, educação, construção, por exemplo, caíram muito. Então, não são todas as ações que seguem a tendência de valorização do índice geral.

Em função disso, dependendo do setor em que o investidor aplicar seu dinheiro, pode acabar tendo prejuízos no curto prazo. Assim, não basta investir na Bolsa. É preciso observar o que está acontecendo no cenário interno e externo para identificar as melhores oportunidades.

O ponto é reforçado por Jean Malta, da Valor, que destaca que atualmente a valorização que se vê na Bolsa brasileira está muito mais ligada ao fortalecimento da economia internacional, tendo em vista que muitos países estão se recuperando da pandemia e estão comprando mais - para consequentemente  produzir mais - do que à economia brasileira.

“Além do óbvio avanço da pandemia, temos a questão do Orçamento, que o presidente tem até o dia 22 (quinta-feira) para aprovar, e que tem ganhado novos capítulos todos os dias. Temos também a autorização para que seja instalada a CPI da Covid, que está prevista para iniciar na semana que vem e que deve dar uma dor de cabeça ao governo por pelo menos 90 dias. Então, mesmo com a Bolsa subindo, o ambiente interno é de grande incerteza”, pontuou.

A barreira dos 120 mil pontos do Ibovespa foi ultrapassada pela primeira vez aos final de 2019. Em março de 2020, o início da pandemia fez com que os indicadores despencassem. Desde então, vem avançando gradualmente, tendo voltado à cotação pré-crise a partir de fevereiro, com algumas oscilações ocasionais.

Assessor e sócio da Valor Investimentos, Jean Malta
Assessor e sócio da Valor Investimentos, Jean Malta. Crédito: Divulgação/Valor Investimentos

Malta explica que enquanto houver um “boom” das commodities no mercado externo, o Índice Bovespa deve se manter no patamar atual, ou apresentar alguns avanços sutis.

“E não é só a questão das commodities. Também somos beneficiados pela circulação de dinheiro no mundo. Há poucos dias, por exemplo, saiu um relatório falando sobre os resultados dos bancos dos Estados Unidos, que foram melhores do que o esperado. Isso influencia toda a economia global. Parte dos recursos, inclusive, acaba indo parar na Bolsa.”

Giuberti, por sua vez, pontua que se os ativos domésticos, mais ligados à economia interna, começarem apresentarem recuperação nos próximos meses - o que pode depender, entre outros fatores, do ritmo da vacinação contra a Covid-19 -, a Bolsa pode inclusive romper a máxima histórica, chegando ao patamar próximo aos 130 mil ou até mesmo 140 mil pontos até o final do ano.

"O importante é que os investimentos sejam sempre feitos de forma consciente, sem muita gula", frisou.

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