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5 empresas do ES sonham entrar na Bolsa para crescer pelo país e no mundo

Com boas perspectivas para o futuro, empresas nas áreas de tecnologia, saúde e alimentação estudam entrada no mercado de ações para ampliar negócios

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 23/04/2021 às 02h00
Fachada do Hospital Meridional, em Cariacica
Kora Saúde, controladora da rede de hospitais Meridional, vai abrir capital na B3 ainda neste mês. Crédito: Grupo Meridional/Divulgação

Apesar de um momento preocupante para a economia do Brasil e do mundo por conta da pandemia do novo coronavírus, o mercado de capitais tenta surfar contra essa maré de retrocesso para crescer e expandir a captação de recursos. E a Bolsa de Valores, com a venda de ações, tem atraído empresas de todo país interessadas em aproveitar a sede do investidor por rentabilidade para conseguir recursos para financiar planos de investimentos.

No Espírito Santo, o pensamento das companhias nascidas em território capixaba acompanha o do resto do país. Pelo menos cinco empresas locais avaliam abrir capital em bolsa neste ano ou no próximo, a maioria delas mira a Bolsa de Valores brasileira, a B3. 

A popularização do mercado de ações brasileiro tem chamado a atenção dos empresários. O número de empresas estreantes na B3 neste ano tem batido recorde. Atualmente, apenas duas empresas capixabas estão listadas na Bolsa: a Fertilizantes Heringer, que abriu capital em 2007, e o Banestes, que está na B3 desde 1977.

Na semana passada, a Kora Saúde comunicou que, no final de fevereiro, registrou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o pedido de registro da oferta pública de distribuição de ações da companhia em território brasileiro. Simultaneamente, a empresa pretende empenhar esforços para a oferta dos ativos no exterior.

A Kora é responsável pelo controle da Rede Meridional, iniciada no Espírito Santo,na década de 1990, e que hoje conta com dez hospitais, sendo sete unidades na Grande Vitória, duas em Palmas, Capital do Tocantins, e uma em Cuiabá, no Mato Grosso.

O IPO (Oferta Pública Inicial) da Kora deve levantar R$ 1,68 bilhão, podendo chegar a R$ 2,25 bilhões, como destacou o jornal Valor Econômico. A faixa indicativa de preço para as ações foram fixadas entre R$ 11,20 e R$ 15,50. O período de reserva para compra de ações vai até o dia 27 de abril e a definição será no dia 28.

A fintech capixaba PicPay, dona do aplicativo de pagamentos instantâneos de mesmo nome, com mais de 40 milhões de usuários, protocolou nesta quarta-feira (21) um pedido para abrir capital na Bolsa de Valores de Nasdaq, nos Estados Unidos. A data e o valor que a companhia pretende arrecadar com o IPO ainda não foram definidos.

A colunista Beatriz Seixas, de A Gazeta, já havia destacado em fevereiro que o PicPay estudava abrir capital em bolsa mas ainda estava avaliando se faria a oferta de ações na bolsa brasileira, a B3, ou se iria abrir o capital na Nasdaq. A empresa acabou optando pela segunda opção.

À reportagem, a empresa esclareceu que a decisão pela bolsa norte-americana se deve ao fato de que as principais empresas globais de tecnologia estão lá fora. "Como empresa de tecnologia, esse é o caminho natural para o PicPay. Gostaríamos que o IPO acontecesse lá."

Questionada sobre uma possível oferta de ações na B3 após o IPO nos Estados Unidos, a empresa informou somente que o foco, no momento, é a Nasdaq.

A concretização da oferta fará com que o Estado tenha pela primeira vez uma empresa capixaba na Bolsa de Valores dos Estados Unidos. A Nasdaq tem mais de 3 mil empresas listadas, entre as quais estão as brasileiras XP Inc., Stone, Afya Educacional e Arco Educação.

O estrategista-chefe da APX Investimentos, Tiago Pessotti, destacou que os Estados Unidos são reconhecidos pelo ambiente de negócios atrativo, com oferta de taxas de juros mais baixas e grande liquidez, o que, combinado ao fato de que o mercado de tecnologia está mais desenvolvido naquele país, acaba atraindo diversas empresas da área.

“Por causa dessas vantagens, é para onde costumam migrar as grandes empresas da área de tecnologia, e justamente porque o mercado de tecnologia já é mais desenvolvido por lá, a Nasdaq já tem um histórico de conseguir maiores valores de avaliação dessas companhias, tanto que as empresas que assessoram nessa abertura de capital, que são bancos de investimentos, tem um foco grande lá.”

Pessotti pontuou ainda que a PicPay segue um modelo de negócios semelhante ao do aplicativo chinês WeChat, que permite fazer de troca de mensagens a compras e transações bancárias, e que ganhou bastante popularidade nos últimos anos.

US$ 35 bilhões

É a projeção de valor de mercado do PicPay segundo análise de consultorias

Ele observa que algumas consultorias já projetam que o valor de mercado da fintech capixaba em aproximados US$ 35 bilhões (quase R$ 200 bilhões, no câmbio atual), o que se assemelha a outros grandes bancos.

"Apesar de ter alguns prejuízos no momento, a empresa já mostrou que tem potencial para crescimento, então faz sentido buscar um terreno um pouco mais fértil."

Fucape Business School foi fundada em Vitória em 2000
Fucape Business School foi fundada em Vitória em 2000. Crédito: Fucape/Divulgação

A Fucape Business School também planeja avançar sobre o mercado de ações, conforme contou o sócio-fundador da instituição de ensino capixaba, Aridelmo Teixeira, à colunista Beatriz Seixas em entrevista recente.

A empresa trabalha em um projeto de expansão, e espera ter, até 2023, negócios nos 26 Estados do país e no Distrito Federal, começando pelas capitais, e, na sequência, em cidades com mais de 500 mil habitantes e que tenham renda per capita similar a das capitais.

Paralelamente, prevê sua entrada no mercado de ações, que deve ocorrer entre o final de 2023 e início de 2024. O objetivo do grupo é se tornar a maior business school do Brasil.

O frigorífico Frisa também manifestou, no ano passado, o interesse em abrir capital no futuro e ingressar na Bolsa. O fundador e diretor-presidente da empresa, Arthur Arpini Coutinho, esclareceu, à época, que encara a alternativa como uma boa oportunidade para o negócio.

“É uma meta que a gente tem que perseguir, mas dependemos de um pouco mais de crescimento. A gente gostaria de novos capitais para investir no próprio setor. Por isso, esse plano não está fora das expectativas, só que é algo mais a médio prazo."

Questionada sobre avanços nesse sentido, a empresa esclareceu que ainda não há previsão para abertura de capital e que não realizou o pedido à CVM.

O economista e sócio da Golden Investimentos, Thomas Giuberti, explica que a maior vantagem para uma empresa, ao negociar a venda de suas ações na Bolsa de Valores é a facilidade de acesso ao capital. Na prática, é como se a empresa ganhasse novos sócios, e enquanto seus projetos forem viáveis e rentáveis haverá investidores interessados em financiá-los.

Thomas Giuberti

Economista e sócio da Golden Investimentos

"Ao abrir o capital, a companhia consegue ter acesso a quantias elevadas para dar sequência aos seus investimentos, e muitas o fazem justamente em função disso. Além de conseguir novos investidores, há uma troca muito grande de informações com os bancos, o que permite, por exemplo, obter crédito mais barato, emitir dívida a custo menor"

Para o PicPay, por exemplo, ele observa que a venda de ativos poderia permitir à companhia ampliar os investimentos em tecnologia. A Kora poderia expandir ou comprar novos hospitais, por exemplo.

“É um mercado delicado e certamente tem os seus riscos. Mas, ao mesmo tempo, a empresa atrai novos sócios, reforça a marca”, frisou.

Primeira loja física da Wine foi lançada em Belo Horizonte
Primeira loja física da Wine foi lançada em Belo Horizonte. Crédito: Site Wine/Divulgação

O e-commerce capixaba de vinhos Wine anunciou, no ano passado, o plano de executar uma oferta pública inicial de ações. Em novembro, quando estava prestes a realizar a oferta, solicitou a suspensão do processo.

Apesar disso, a empresa protocolou junto à CVM o registro de companhia aberta, que permite a emissão de quaisquer valores mobilários, como debêntures e ações.

Ao Valor, o presidente da Wine, Marcelo D'Arienzo, contou que “a ideia é ter um pouco mais de flexibilidade com as ferramentas de mercados de capitais já sendo uma companhia de capital aberto e não ter que correr nessa trilha de IPO”.

Apesar de não ter data, o projeto de IPO, contudo, não foi descartado e a empresa espera retomá-lo ainda este ano, a depender da conjuntura econômica.

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