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Publicado em 7 de maio de 2021 às 20:15
- Atualizado há 5 anos
Quase 80 trabalhadores vindos de Minas Gerais foram encontrados em condições análogas à escravidão em uma propriedade rural de Vila Valério, no Noroeste do Espírito Santo. Eles foram o local para trabalhar na colheita do café e, após denúncias, foram resgatados nesta sexta-feira (7) por auditores fiscais do trabalho em uma operação que contou com o apoio da Polícia Federal.>
De acordo com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE-ES), além das péssimas condições de trabalho e moradia e da falta de pagamento de salários e outros direitos trabalhistas, parte deles testou positivo para Covid-19 e eram mantidos no local sem tratamento de saúde ou isolamento. A propriedade fica na localidade de Jurama, interior do município. >
De acordo com o auditor fiscal do trabalho e superintendente substituto da SRTE-ES, Alcimar Candeias, os trabalhadores foram testados quando chegaram na cidade e alguns tiveram resultado positivo para a doença.>
"Eles fizeram a testagem, mas não tomaram providência nenhuma relacionada aos protocolos contra a Covid-19. As pessoas, mesmo doentes, foram mantidas trabalhando e alojadas junto aos demais, sem que houvesse isolamento", afirmou Candeias. >
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Os trabalhadores atuavam na Fazenda Vargem Alegre, que pertence ao empresário Raul Alves Roberti. Ele é marido da secretária de Saúde de Vila Valério, Cazuza Rossini. >
Ainda segundo o auditor, ao tomar conhecimento de que haveria uma fiscalização, o proprietário da fazenda tentou retirar os trabalhadores do local. “A fiscalização chegou a tempo. Quando chegamos lá, as pessoas estavam com as bolsas prontas", detalhou. O dono da fazenda não foi encontrado no local. >
Os trabalhadores encontrados em Vila Valério são de cidades do Vale do Jequitinhonha, em Minas. A região é uma das mais pobres do estado vizinho. Eles saíram de casa no dia 17 de abril e teriam sido agenciados por um homem que atua trazendo essas pessoas para trabalhar na colheita do café no Espírito Santo. Esse tipo de agenciador é popularmente conhecido como gato. >
Ao chegarem em Vila Valério, os trabalhadores foram divididos em pequenos alojamentos que não tinham a estrutura adequada para abrigar os moradores. Os banheiros não têm água quente e em um único quarto ficavam 10 mulheres. Além disso, três adolescentes de 16 e 17 anos estavam trabalhando no local. >
Além disso, os trabalhadores tiveram a carteira de trabalho retida pelos empregadores. Segundo Alcimar, além de não receberem salários, eles eram ameaçados pelo proprietário, que dizia que eles teriam que trabalhar para pagar o dinheiro gasto com suas passagens. >
A alimentação também seria descontada deles no fim da colheita. Além disso, no local tinha uma venda, onde as compras também seriam descontadas dos valores a serem recebidos. Em função disso, eles eram impedidos de deixar a propriedade. >
Os auditores fiscais vão lavrar autos de infração. O proprietário também terá que assinar a carteira e fazer a rescisão desses trabalhadores, quitando todos os débitos trabalhistas. Todos eles farão novos testes da Covid-19 e a expectativa é que voltem para a casa na próxima semana. >
Procurada pela reportagem, a advogada Tatiana Costa Jardim, que defende o proprietário da fazenda, disse que nem ela nem o empresário receberam nenhuma notificação formal do caso e que Raul estava fora da cidade hoje.>
A Prefeitura de Vila Valério confirmou que a fazenda na qual foram constatadas as irregularidades pertence a familiares da atual secretária de Saúde. >
No entanto, o município afirmou que a testagem para a Covid-19 foi realizada em trabalhadores de diversas propriedades rurais de Vila Valério e pontuou que não houve nenhum tipo de privilégio em relação à fazenda dos parentes da secretária. A Prefeitura disse, ainda, que Cazuza Rossini não sabia das irregularidades que aconteciam na fazenda do marido.>
* Com informações da TV Gazeta e do G1 ES>
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