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Vídeo: com queda na oferta, água de coco está mais cara no ES; entenda

Segundo especialistas, houve redução na produção do coco verde no Estado já que os custos não compensavam para o agricultor. Com isso, produto ficou caro

Tempo de leitura: 3min
Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 06/04/2022 às 19h12

Calor e praia. O que parece estar faltando? O uísque ou vodca e a água de coco, é claro. Brincadeiras à parte, sob o sol escaldante que segue firme neste início de outono, quem passeia no calçadão já deve ter percebido que se refrescar com um delicioso coco está custando mais caro. Segundo ambulantes e especialistas, a oferta da fruta diminuiu e, consequentemente, o preço aumentou.

Em entrevista ao fotojornalista Vitor Jubini, de A Gazetao famoso vendedor de água de coco Vagner Barbosa da Silva abriu o jogo e disse que chegou a fazer protesto contra o preço da fruta. "Percebo outros atravessadores, de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, vindo buscar coco aqui. Eles entraram na disputa pelo coco de Vitória, já que tinha um preço em conta, mas agora está encarecendo muito. Quem tem, não quer vender barato", iniciou.

Vagner Barbosa da Silva

Vendedor de água de coco

"Fiquei mais de uma semana sem. No começo, em protesto por conta do preço. Mas agora porque não tem. No começo do ano eram R$ 5 o litro ou três litros por R$ 10. Agora um litro custa 10 reais. Eu tenho cliente que olha o preço e vai embora, nem sequer pechincha"

Para a ambulante Gleciana de Aguiar Souza, que vende coco na Praia de Camburi, na Capital, esse aumento no preço do produto já não surpreende tanto. Segundo ela, isso ocorre anualmente, sempre que falta chuva. "Ficamos à mercê e o preço sobe, então temos que repassar para o cliente o preço. Além do coco, sobem preços de embalagem e copos. Tudo encarece. Chegamos a comprar por  R$ 3 cada fruta", relatou.

O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS

De acordo com o administrador rural e mestre em extensão rural Nilson Araújo Barbosa, extensionista do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), houve redução na produção do coco verde já que os custos não compensavam para o agricultor.

"Há alguns anos o mercado de coco massacra o produtor rural. Muitos vão abandonando a roça, porque, ano após ano, vão desistindo em função do preço. Há anos o preço de venda tinha se mantido estável e havia muita oferta e preço baixo. Os produtores foram desistindo e agora existe uma oferta menor", disse.

Barbosa explica que, a partir de outubro do ano passado houve muitas chuvas, o que pode ser benéfico para o crescimento dos coqueiros. No entanto, com as chuvas progressivas, não foi favorecido o floreio das árvores. "O 'pegamento' da fruta foi pequeno em função da chuva. Da florada até colher o cacho, o processo varia entre cinco e sete meses. Mas com o fator climático, houve menor oferta", afirmou.

Para Eriko Siqueira, subgerente técnico das Centrais de Abastecimento do Espírito Santo (Ceasa), em pouco tempo a produção deve ser normalizada. "Enquanto falta oferta local da região produtora, de municípios como Rio Bananal, Montanha e Linhares, mais ao norte do Estado, o produto é trazido do nordeste do país, em especial de Juazeiro, na Bahia. Com o fim do verão é comum que haja diminuição da oferta", explicou.

Segundo Siqueira, até pouco tempo atrás o Espírito Santo estava produzindo muito a fruta, mas atualmente o Estado enfrenta queda na produção e aumento do preço.

Eriko Siqueira

Subgerente técnico da Ceasa

"Semana passada custava R$ 2,50 a unidade e agora já está R$ 3. O normal era custar R$ 1,20 a 1,50. Então, no fim das contas, aumentou mais de 100% o preço. Nesta terça-feira (5), o Estado recebeu duas carretas da Bahia, cada uma com 16 mil unidades de coco verde. Mas o Espírito Santo produz o ano todo e vai regularizar"

Agora resta aos capixabas torcer para o calor amenizar nos próximos dias ou para o preço do coco cair. Como explicou o especialista, deve ser questão de tempo.

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