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Tomar vitaminas C e D não trata a Covid-19, alertam médicos

Tomar vitaminas C e D não trata a Covid-19, alertam médicos

Médicos esclarecem sobre consumo dessas vitaminas após pacientes positivados receberem prescrições de uso para o tratamento das infecções

Publicado em 24 de julho de 2022 às 16:41

Ícone - Tempo de Leitura 4min de leitura
Felipe Sena
Estagiário / [email protected]

Pacientes na Grande Vitória estão recebendo receita médica para o uso das vitaminas C e D no tratamento contra Covid-19. A Gazeta procurou especialistas para esclarecer se essas substâncias têm ligação com a melhora dos infectados. E eles fazem um alerta: o consumo indiscriminado pode levar à intoxicação.

As vitaminas C e D são aliadas poderosas no tratamento e na prevenção de diversos problemas de saúde. Alguns, inclusive, relacionados ao sistema respiratório, o mesmo atacado pela Covid-19. Por isso, desde o início da pandemia, especialistas debatem sobre o consumo dessas substâncias contra a doença.

Vitamina D tem sido indicada para pacientes com Covid, mas médicos afirmam que suplemento pode trazer riscos
Vitamina D tem sido indicada para pacientes com Covid, mas médicos afirmam que suplemento pode trazer riscos. (Shutterstock)

Segundo o infectologista Lauro Pinto, não existe nenhum estudo que comprove que o uso de alguma vitamina tenha ligação com o tratamento contra a doença. 

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Não existe nenhum trabalho, nenhuma evidência de que a vitamina D faça sentido no tratamento da Covid-19. Nem a vitamina D, nem a vitamina C. Aliás, nenhuma vitamina

Lauro Pinto
Infectologista
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Para o médico, o uso das substâncias vem da necessidade de se achar algum tratamento. "É comum na história da Medicina. Toda vez que se tem uma doença grave, tenta-se todo o tipo de drogas e remédios”, comenta Lauro.

Com relação à vitamina D, o infectologista conta que pode haver uma relação entre casos graves de Covid-19 com a deficiência da substância. “A única associação que existe é a observação clínica de que as pessoas com deficiência de vitamina D têm uma relação com casos mais graves da doença.”

Lauro Pinto também ressaltou que foram realizados estudos com essas vitaminas. “O National Institutes of Health, instituto de saúde americano, chama a atenção de que não faz sentido nenhum ficar dando vitamina para tratar de Covid-19. Aqui no Brasil, foi feito um estudo com 240 pacientes hospitalizados que receberam vitamina D alterada com placebo, e ele mostrou que não fez diferença nenhuma no tratamento.”

“Faz sentido acompanhar e repor a vitamina D, não para tratar Covid, mas para a saúde em geral, principalmente, a saúde óssea”, lembrou o infectologista. Contudo, o médico faz questão de destacar que o uso indiscriminado dessas vitaminas pode fazer mal. “Existem vários casos publicados de intoxicação com essas vitaminas. O paciente pode ter elevação de cálcio no sangue e insuficiência renal”, alerta.

Já a endocrinologista Flávia Tessarolo pontuou que, em casos de deficiência, a vitamina D pode colaborar no controle da resposta inflamatória. “A deficiência de vitamina D pode estar relacionada à maior chance de infecções respiratórias, como Covid-19 e influenza, e pode estar relacionada a casos graves como demonstrado em estudos.”

Contudo, a médica destaca que não existem evidências de que a suplementação seja um tratamento efetivo em pessoas com níveis normais de vitamina D. “Suplementar vitamina D em casos de deficiência pode ser benéfica na Covid. Em pessoas com níveis normais, não há dados que demonstrem benefício em suplementar vitamina D.”

"A vitamina C também é importante para o funcionamento adequado do sistema imunológico. Mas não há evidência que o suplemento dessa vitamina possa reduzir os sintomas da infecção pelo coronavírus", ressalta Flávia.

A endocrinologista também explica que a suplementação de vitamina D deve ser indicada quando há deficiência do hormônio. “As pessoas que têm maior risco de deficiência dessa vitamina, e que portanto devem monitorar seus níveis, são: idosos acima de 60 anos, Indivíduos com fraturas ou quedas recorrentes, gestantes e lactantes, na osteoporose, no raquitismo, no hiperparatireoidismo, doença renal crônica e após cirurgia bariátrica.”

Além disso, a médica destacou casos onde a suplementação é necessária, como o uso de medicações que possam interferir com a formação da vitamina D. Tais como o tratamento do HIV, glicocorticóides e anticonvulsivantes, câncer, diabetes, pessoas que não se expõem ao sol ou que tenham contraindicação à exposição solar e obesidade.

A médica explicou que a intoxicação por vitamina D pode ocorrer quando os níveis de 25 OH vitamina D - vitamina usada no exame para detectar deficiência de vitamina D - estão maiores que 100 ng/ml no sangue.

Flávia explica ainda o que acontece nesses casos: “Nos quadros de intoxicação, a vitamina D leva meses para voltar ao normal. Ocorre aumento da absorção de cálcio no rim e no intestino, com risco de hipercalcemia (aumento do cálcio no sangue). O corpo tenta compensar, eliminando cálcio na urina. Isso leva ao aumento da diurese e à desidratação, cálculo renal, perda da função renal, alterações do nível de consciência e até coma”.

O tratamento com vitamina D deve ser acompanhado de perto por um médico. Tessarolo lembra que os procedimentos variam de pessoa para pessoa, de acordo, principalmente, com os níveis de vitamina D dosados no sangue, idade e doenças associadas.

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