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Saúde

Síndrome da gordura dolorosa: o que é a doença confundida com obesidade

Mais presente em mulheres, problema causa dores frequentes nas regiões das pernas, quadris, braços e antebraços, que ficam mais grossos e desproporcionais ao resto do corpo

Publicado em 08 de Outubro de 2022 às 19:03

Jaciele Simoura

Publicado em 

08 out 2022 às 19:03
Pouco conhecida e frequentemente confundida com obesidade, o lipedema é uma doença progressiva caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura em regiões específicas do corpo, como pernas, braços, joelhos e coxas. Também chamada de "síndrome da gordura dolorosa", afeta quase que exclusivamente mulheres. No Brasil, 5 milhões provavelmente convivem com a doença sem saber e, dessa forma, não recebem tratamento adequado, segundo dados da ONG Movimento Lipedema. 
“O lipedema é uma doença do tecido adiposo com caráter genético e influências ambientais. O estrogênio tem papel importante, por isso as mulheres são as mais acometidas. O início dos sintomas se dá associado a fases importantes da vida da mulher, como puberdade, gravidez e menopausa. A doença é caracterizada por uma deposição desproporcional de gordura nos membros, principalmente nas pernas”, explica a dermatologista Lyvia Salem, que é membro da ONG Movimento Lipedema
A médica, inclusive, tem o diagnóstico da doença, descoberto por ela mesmo em 2019, após se aprofundar no assunto. Hoje, ela ajuda outras mulheres que sofrem com o problema.  E acrescenta que, ao contrário da obesidade, no lipedema o excesso de gordura não se distribui pelo corpo todo.
Lipedema: doença confundida com obesidade
Diferenças no corpo causadas pela obesidade e pelo lipedema Crédito: Movimento Lipedema/Instragram
Incluído no Código Internacional de Doenças (CID 11) no início deste ano, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o lipedema tem como principais características: dores frequentes nas regiões das pernas, dos quadris, dos braços e antebraços, que ficam mais grossos e desproporcionais em comparação ao restante do corpo. Além disso, a mulher pode apresentar hematomas por qualquer movimento mais brusco. Isto acontece porque a doença provoca reação inflamatória em células de gordura nessas regiões.
Quem sofre com lipedema também tem tendência a desenvolver varizes, hematomas ou aumento de inchaço na panturrilha durante a segunda metade do dia. 
“Frequentemente, o lipedema está associado à obesidade. Por se tratar de aumento de gordura nos membros, muitos acreditam que basta fazer exercício e se alimentar melhor que a gordura diminuirá. Porém, a doença não responde à dieta, ao exercício e nem mesmo à cirurgia bariátrica”, destaca Lyvia.
De acordo com a médica, a doença foi negligenciada por muitos anos. Apesar de ter sido descrita pela primeira vez em 1940, somente em 2018 foi reconhecida pela OMS como doença. Além disso, também é muito confundida com celulite, enquanto suas dores podem ser confundidas com as de fibromialgia.

HOMENS PODEM SER ACOMETIDOS?

O lipedema comumente atinge mulheres em fases de pico hormonais, como puberdade, gestação e menopausa. Contudo, existem casos raros do surgimento da doença em homens.
Assim como em mulheres, foi observado que homens com sintomas de lipedema também apresentam distúrbios hormonais, como a diminuição da produção de testosterona.
“Na literatura médica há descrito que o acometimento masculino é raro. Porém, eu acredito que é ainda mais subdiagnosticado do que em mulheres. É possível que, por não estarem sob influência do estrogênio como as mulheres, eles não desenvolvam tantos sintomas ou inflamações”, disse Lyvia Salem.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico do lipedema é dado a partir de uma série de informações que o especialista analisa, como o histórico da paciente. Nesse caso, são observados relato de dor, hematomas, dificuldade de perda da gordura, piora após momentos de mudanças hormonais, exame físico sobre a presença de pele fria, nódulos de gordura em braços e coxas, sinal do garrote no tornozelo e bolsas de gordura nos joelhos; além de exame de sangue, com análise de indicadores relacionados.
Apesar de não existir um exame específico para o diagnóstico de lipedema, é possível estudar a distribuição corporal e descartar outras patologias que são frequentemente confundidas com a doença, tais como varizes ou problemas linfáticos.

QUAL É O TRATAMENTO?

O tratamento do lipedema consiste em realizar uma dieta anti-inflamatória. Mas Lyvia Salem ressalta que essa dieta é bastante individual, pois cada paciente inflama com um tipo diferente de alimento. Fazer exercícios físicos, evitar o ganho de peso, passar por drenagem linfática, realizar liberação miofascial — forma de pressão no local da dor — e usar meias elásticas de compressão são outras formas de tratar a doença.
De acordo com a médica, é recomendado evitar o abuso de alimentos como carnes suínas e bovinas, embutidos, além de refrigerante e bebidas alcoólicas, pois são alimentos e bebidas com potencial inflamatório.
Existe ainda o tratamento cirúrgico, no qual é realizada uma lipoaspiração do tecido doente. O problema é que a cirurgia tem um custo elevado e não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) e nem é coberta por planos de saúde.
Lyvia destaca que, se não for tratado, o problema tende a avançar ao longo dos anos e causar diversas complicações. A progressão da doença é medida em quatro estágios. Veja abaixo:

OS QUATRO ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO DO LIPEDEMA

  1.  Primeiro estágio: é observada a presença de nódulos, mas a aparência da superfície da pele continua normal;
  2. Segundo estágio: há acúmulo de gordura em forma de nódulos, deixando a pele irregular e endurecida. Em alguns casos, o local pode ficar dolorido e é comum o surgimento de hematomas;
  3. Terceiro estágio: há acúmulo excessivo de gordura e a pele apresenta deformidades. Dores e hematomas são frequentes;
  4. Quarto estágio: ocorre a lesão do sistema linfático, em consequência do grande acúmulo de gordura e deformidade da pele; a paciente sente também dores fortes e tem dificuldade para andar.

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