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Educação

Sedu marca nova data de avaliação de alunos após vazamento de provas no ES

A aplicação será realizada nas próximas segunda (13) e terça-feira (14) após cancelamento dos testes que estavam programados para o início do mês

Publicado em 07 de Outubro de 2025 às 15:49

Aline Nunes

Publicado em 

07 out 2025 às 15:49
Uma semana após cancelar a aplicação da Avaliação de Monitoramento da Aprendizagem (AMA), devido ao vazamento dos cadernos de provas de Língua Portuguesa e Matemática, a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) marcou nova data: os testes vão ser aplicados nas próximas segunda (13) e terça-feira (14) para alunos do 5º e 9º anos do ensino fundamental e todo o ensino médio da rede estadual. 
A terceira edição da AMA em 2025 estava prevista, inicialmente, para 1º e 2 de outubro, mas foi cancelada poucos dias antes, quando o secretário Vitor de Angelo tomou conhecimento da divulgação antecipada – e indevida – das provas. Além do cancelamento, ele determinou a investigação do caso pela corregedoria do órgão. 
Questionada sobre as investigações, a Sedu mantém, nesta terça-feira (7), o posicionamento do início da apuração: "Trata-se de um processo sigiloso, não sendo possível fornecer detalhes sobre a investigação em andamento."
Com a nova data, a Sedu também foi perguntada sobre eventual reforço de iniciativas de proteção. Em nota, afirma que a segurança na aplicação das avaliações é uma prioridade e que as medidas necessárias para garantir a integridade dos processos estão sendo adotadas. "As ações seguem protocolos internos de controle e sigilo, com foco na prevenção de incidentes e na credibilidade das provas aplicadas na rede estadual", destaca. 
Em entrevista para a reportagem de A Gazeta no último dia 29, o secretário Vitor de Angelo afirmou que a investigação da corregedoria deverá apontar de onde partiu o vazamento e em quais circunstâncias, isto é, se foi intencional ou não. 
No vídeo divulgado pela Sedu no dia seguinte, Vitor ainda pontuou que esse trabalho da corregedoria se baseia no fato de o vazamento ter partido de um servidor público, uma vez que as provas foram enviadas pela secretaria para e-mail institucional dos gestores escolares. 

Entenda o caso

A reportagem de A Gazeta teve acesso, com exclusividade, na tarde de 29 de setembro, às questões de Língua Portuguesa e Matemática da AMA. O material estava sendo compartilhado em uma pasta virtual, no Google Drive, criada para lançar informações sobre diretrizes da avaliação, matriz de referência, entre outras instruções. E lá estavam também os cadernos de provas — uma estratégia da secretaria para acompanhar o desenvolvimento das habilidades dos alunos nas duas disciplinas.
O exame possibilita a preparação para avaliações externas, como o Programa de Avaliação da Educação Básica do Espírito Santo (Paebes) e o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que fazem o diagnóstico da Educação no Estado e no país, e para recomposição de aprendizagem. 
O link a que a reportagem de A Gazeta teve acesso foi compartilhado com o secretário de Estado da Educação, Vitor de Angelo, que foi surpreendido pelo vazamento. Após conferir que se tratavam, de fato, dos cadernos das provas a serem aplicadas nos dias 1º e 2 de outubro, ele determinou o cancelamento e a abertura de investigação pela corregedoria. 
O link do Drive apresentava todos os cadernos das provas que seriam aplicadas Crédito: Reprodução
Um documento que constava em uma das pastas do Drive trata justamente de mecanismos de segurança e restrições de acesso. De acordo com a circular, os conteúdos da pasta deveriam ser enviados apenas por e-mail institucional para os diretores de escolas. 
"Cabe à gestão escolar assegurar a confidencialidade dos materiais e prevenir possíveis vazamentos de itens ou informações que possam comprometer a integridade dos resultados da avaliação, concedendo acesso exclusivamente aos profissionais envolvidos na logística de impressão. Esses profissionais, por sua vez, também devem assumir o compromisso de zelar pelo sigilo do material. Ressaltamos que estudantes e professores somente poderão ter acesso aos cadernos no momento da aplicação", ressalta a Sedu no documento, que ainda traz a observação que o sigilo deve ser mantido mesmo após a aplicação por haver nas escolas diferentes turnos. 
Embora a AMA seja uma avaliação interna, para aferir a aprendizagem dos alunos, o secretário ressaltou que, após o vazamento, não poderia aplicar as provas pelo risco de distorção do resultado. 
A AMA, segundo Vitor de Angelo, é uma avaliação trimestral. A prova está associada às rotinas pedagógicas estabelecidas no início do período letivo a partir do resultado do Paebes do ano anterior. As áreas em que os alunos apresentam mais dificuldades, em Língua Portuguesa e Matemática, são reforçadas ao longo do trimestre e, depois, o desempenho é apurado pela AMA. Assim, é possível medir o avanço dos estudantes e o que ainda precisa ser reforçado no processo de ensino-aprendizagem. 
"O vazamento compromete. A AMA não é para ver se o aluno vai bem ou não vai bem. É uma prova que nos oferece uma radiografia; é o nosso trabalho refletido. Se o resultado vier distorcido, por um acesso antecipado e ilegal, o trabalho fica comprometido e a única pessoa prejudicada é o estudante."

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