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Educação

Secretário de Educação do ES pede investigação sobre vazamento de provas; veja vídeo

Avaliação seria aplicada nesta quarta e quinta-feiras (1° e 2 de outubro), mas foi suspensa; nova data ainda está em definição na secretaria

Publicado em 30 de Setembro de 2025 às 14:33

Aline Nunes

Publicado em 

30 set 2025 às 14:33
A Corregedoria da Secretaria de Educação do Espírito Santo (Sedu) já iniciou o processo de investigação sobre o vazamento das provas de uma avaliação de desempenho, que seria realizada nesta quarta e quinta-feiras (1º e 2 de outubro) com alunos dos ensinos fundamental e médio. A divulgação antecipada levou ao cancelamento do exame, que ainda não tem nova data definida para realização. 
A apuração realizada pela corregedoria é um processo sigiloso, como ressalta a Sedu em nota e, por essa razão, não é possível divulgar detalhes enquanto os trabalhos estiverem em andamento. Mas, em entrevista para a reportagem de A Gazeta nesta segunda (29), o secretário Vitor de Angelo afirmou que a investigação deverá apontar de onde partiu o vazamento e em quais circunstâncias, isto é, se foi intencional ou não. 
No vídeo divulgado pela Sedu nesta terça (30), com a manifestação do secretário sobre o assunto, Vitor ainda pontuou que esse trabalho da corregedoria se baseia no fato de o vazamento ter partido de um servidor público, uma vez que as provas foram enviadas pela secretaria para e-mail institucional dos gestores escolares. 
Antes do resultado das investigações, porém, deve haver nova aplicação da Avaliação de Monitoramento da Aprendizagem (AMA) – 3ª edição. A Sedu está definindo a melhor data, mas a expectativa do secretário é que possa ser realizada ainda em outubro, para não conflitar com outros exames, como o Programa de Avaliação da Educação Básica do Espírito Santo (Paebes) e o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

Entenda o caso

A reportagem de A Gazeta teve acesso, na tarde de segunda, às questões de Língua Portuguesa e Matemática da AMA, uma avaliação voltada para o 5º e 9º anos do ensino fundamental e todo o ensino médio. 
O material estava sendo compartilhado em uma pasta virtual, no Google Drive, criada para lançar informações sobre diretrizes da avaliação, matriz de referência, entre outras instruções. E lá estão também os cadernos de provas da AMA — uma estratégia da secretaria para acompanhar o desenvolvimento das habilidades dos alunos nas duas disciplinas. A pasta estava circulando livremente em aplicativo de mensagem nas últimas semanas e, mais recentemente, foi atualizada com as provas. 
O exame possibilita a preparação para avaliações externas como o Paebes e o Saeb, que fazem o diagnóstico da Educação no Estado e no país, e para recomposição de aprendizagem. 
O link a que a reportagem de A Gazeta teve acesso foi compartilhado com o secretário de Estado da Educação, Vitor de Angelo, que foi surpreendido pelo vazamento. Após conferir que se tratavam, de fato, dos cadernos das provas a serem aplicadas nesta semana, ele determinou o cancelamento e a abertura de investigação pela corregedoria. 
O link do drive apresenta todos os cadernos de provas que seriam aplicadas Crédito: Reprodução
Um documento que consta em uma das pastas do drive trata justamente de mecanismos de segurança e restrições de acesso. De acordo com a circular, os conteúdos da pasta devem ser enviados apenas por e-mail institucional para os diretores de escolas. 
"Cabe à gestão escolar assegurar a confidencialidade dos materiais e prevenir possíveis vazamentos de itens ou informações que possam comprometer a integridade dos resultados da avaliação, concedendo acesso exclusivamente aos profissionais envolvidos na logística de impressão. Esses profissionais, por sua vez, também devem assumir o compromisso de zelar pelo sigilo do material. Ressaltamos que estudantes e professores somente poderão ter acesso aos cadernos no momento da aplicação", ressalta a Sedu no documento, que ainda traz a observação que o sigilo deve ser mantido mesmo após a aplicação por haver nas escolas diferentes turnos. 
Embora a AMA seja uma avaliação interna, para aferir a aprendizagem dos alunos, o secretário ressalta que, após o vazamento, não poderia aplicar as provas pelo risco de distorção do resultado. 
A AMA, segundo Vitor de Angelo, é uma avaliação trimestral. A prova está associada às rotinas pedagógicas estabelecidas no início do período letivo a partir do resultado do Paebes do ano anterior. As áreas em que os alunos apresentam mais dificuldades, em Língua Portuguesa e Matemática, são reforçadas ao longo do trimestre e, depois, o desempenho é apurado pela AMA. Assim, é possível medir o avanço dos estudantes e o que ainda precisa ser reforçado no processo de ensino-aprendizagem. 
"O vazamento compromete. A AMA não é para ver se o aluno vai bem ou não vai bem. É uma prova que nos oferece uma radiografia; é o nosso trabalho refletido. Se o resultado vier distorcido, por um acesso antecipado e ilegal, o trabalho fica comprometido e a única pessoa prejudicada é o estudante", conclui.

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