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Publicado em 26 de setembro de 2025 às 10:56
Estudantes do bairro Serra Dourada II, no município da Serra, ficaram surpresos ao ver um vídeo gravado por eles viralizar nas redes sociais nos últimos dias. Os jovens, do 3º ano da Escola Francisca Peixoto Miguel, decidiram mostrar, em frente às câmeras, os apelidos pejorativos aos quais já foram submetidos em casos de bullying. A intenção era apenas provocar reflexão, mas o vídeo — publicado inicialmente apenas na página da turma — transformou-se em uma campanha espontânea contra a intolerância. A gravação alcançou mais de 8 milhões de visualizações e recebeu mais de 17 mil comentários. >
Apesar das muitas mensagens de apoio, também surgiram falas que minimizaram o problema, chamando os estudantes de “fracos” ou afirmando que “bullying sempre existiu”. Para os alunos, essa reação revela um ponto importante: a normalização da violência verbal na sociedade. Eles destacam que, diferentemente de outras gerações, hoje existem ferramentas para denunciar e reagir, como as redes sociais e os projetos de diálogo com pedagogos. >
Segundo a diretora da escola, Izabella Magnago de Oliveira, a ideia de que o bullying fortalece os jovens faz parte de uma cultura tóxica que precisa ser desconstruída. Ela explica que a instituição abraçou o debate e vem promovendo conversas em outras turmas, incentivando a transformação da experiência em reflexões coletivas. >
“Não vamos apenas apagar o incêndio da repercussão, mas aproveitar essa faísca para acender uma chama de mudança duradoura, com ações que reforcem a cultura de acolhimento e o cuidado com a saúde mental”, disse a diretora. >
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Nos comentários da publicação, além de ironias, também apareceram novos ataques, como racismo, gordofobia e assédio virtual. No entanto, para Sara Morozesky, 17 anos, uma das estudantes envolvidas na produção do vídeo, isso só reforça a ideia de que o bullying não é brincadeira, mas uma forma de violência que causa impactos duradouros. >
Sara Morozesky
Estudante, 17 anos
De acordo com o grupo, toda essa mobilização não terminará no vídeo. Herick Conceição, de 17 anos, anunciou que a escola e o grupo pretendem usar a arte audiovisual como ferramenta de mudança e que a educação é a chave para enfrentar o problema.>
“Estamos produzindo um documentário que será exibido para as turmas da escola, com o objetivo de conscientizar e dar voz a alunos que ainda sofrem”, disse o estudante.>
Para os alunos, ao transformar dor em denúncia, eles dão exemplo de maturidade social e mostram que é possível enfrentar padrões culturais usando a educação e a criatividade.>
Este conteúdo é uma produção do 28º Curso de Residência em Jornalismo. A matéria teve orientação da editora Mikaella Campos. >
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