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Publicado em 16 de junho de 2021 às 20:30
Se a auditoria do governo do Estado e a investigação policial comprovarem que houve fraude na vacinação contra a Covid-19, os responsáveis pelas irregularidades podem responder a processos administrativos e criminais, além de serem demitidos e até presos.>
A apuração apontou que 934 doses foram aplicadas em pessoas que, segundo o sistema de registro de óbitos, já teriam falecido na data de aplicação da vacina. Outro dado indica que um mesmo CPF foi usado sete vezes para imunização.>
Entre os dias 18 de janeiro e 12 de maio deste ano, a Secretaria de Estado de Controle e Transparência (Secont) analisou a aplicação de 882.505 doses dos imunizantes. A ação foi feita em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).>
O secretário de Controle e Transparência, Edmar Camata, explicou que o trabalho tem o objetivo de identificar riscos nos procedimentos adotados e corrigir eventuais falhas que poderiam comprometer a rapidez e a qualidade da campanha de vacinação.>
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Segundo ele, as irregularidades relacionadas a servidores estaduais poderão ser encaminhadas pela Secont para apuração interna. Nesta quarta-feira (15), os municípios onde foram constatadas situações atípicas foram comunicados pelo órgão estadual.>
"No âmbito funcional, ou seja, a punição administrativa, cabe ao empregador. No caso dos profissionais de saúde, o empregador é o município. Constatada a existência de fraude ou crime, o município tem o dever de puni-los", explicou o secretário.>
As ocorrências que envolvem a possibilidade de fraude ou crime podem resultar em um procedimento criminal, posteriormente encaminhado para punição interna de cada município o governo do Estado, se forem servidores estaduais. Se for confirmado envolvimento do cidadão, trata-se de um processo criminal a partir da investigação da Polícia Civil.>
Edmar Camata
Secretário de Controle e TransparênciaSegundo Camata, o "que não é crime, o que é erro, o que é desorganização, o que é um procedimento que pode melhorar, existe uma conversa com os municípios para que eles aproveitem os resultados para retificar os dados inseridos e não prejudicar o cidadão que foi imunizado", ressaltou. >
De acordo com a Secont, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) foi acionado e acompanha os casos. Na tarde desta quarta-feira (16), os auditores iriam apresentar as informações coletadas até o momento à Polícia Civil. Por nota, a corporação informou que a partir do momento que os fatos forem compartilhados, as medidas que cabem à autoridade policial serão adotadas.>
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) informou que os promotores de Justiça têm cobrado, fiscalizado e acompanhado a vacinação dos grupos prioritários e, agora, das faixas etárias. Em paralelo, o órgão analisa e apura os casos suspeitos de irregularidades na vacinação, os chamados "fura-filas", inclusive mediante a apresentação de laudos falsos.>
"Informa ainda que aguarda o recebimento do relatório realizado pela Secretaria de Estado de Controle e Transparência (Secont) que identificou irregularidades no processo de vacinação nos municípios capixabas. Entende que serão contempladas aquelas que não estiverem no rol de denúncias em análise pela instituição", destaca a nova enviada à reportagem.>
De acordo com o MPES, se constatadas fraudes à ordem de prioridades ou quaisquer outras irregularidades, serão adotadas medidas civis, incluindo ações por improbidade administrativa, e criminais, para buscar a punição dos responsáveis pelas violações. >
Até o momento, o Ministério Público Estadual recebeu 377 denúncias de irregularidades, sendo: 223 da Região Metropolitana; 84 do Sul do Estado; e 70 da Região Norte/Central.>
As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo telefone 127; por meio do e-mail: [email protected]; do aplicativo MPES Cidadão; ou ainda nas Promotorias de Justiça das cidades capixabas.>
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