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Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 21:42
Um relatório feito pela Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Espírito Santo (Ceturb-ES) propõe um reajuste de 4,08% na tarifa do Sistema Transcol em 2026. Caso o índice seja aprovado, as passagens vão subir vinte centavos, passando de R$ 4,90 para R$ 5,10, de segunda a sábado. No domingo, o valor pode ficar em R$ 4,50. A proposta foi encaminhada aos integrantes do Conselho Tarifário, que inclui o governo do Estado, as empresas que operam o transporte público na Região Metropolitana e membros da sociedade civil, e deve ser votada na próxima sexta-feira (9).>
No contrato de concessão do Transcol está definido que os reajustes são anuais e a tarifa é calculada por meio de uma fórmula paramétrica, que inclui custos com mão de obra, diesel, veículos, além da variação da inflação e do salário, por exemplo.>
No relatório obtido por A Gazeta, a Ceturb pontua que, mesmo com o novo reajuste, a tarifa a ser paga pelos usuários será uma das menores das principais Regiões Metropolitanas do país. Com exceção de São Paulo e Belo Horizonte, que já apresentam valores definidos para o ano de 2026, as demais localidades estão sujeitas a sofrer reajustes ao longo deste ano, aumentando, ainda mais, a diferença.>
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Carta-circular obtida pela reportagem mostra que o secretário de Estado de Mobilidade e Infraestrutura, Fabio Ney Damasceno, convocou os membros do conselho a se reunirem na sexta-feira (9), às 10h30, na sede do Departamento de Edificações e Rodovias (DER-ES), na Ilha de Santa Maria, em Vitória, para discutir a proposta. Caso aceita, o reajuste passa a valer já a partir de domingo (11). Procurada durante a tarde pela reportagem, a Ceturb informou ainda não haver data para a reunião. O espaço segue aberto para novas manifestações.>
Após receber o relatório da Ceturb, o Diretório Central dos Estudantes (DCE), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), se manifestou contra o reajuste proposto.>
Em conversa com a reportagem de A Gazeta, o coordenador-geral do DCE, Pedro Lucas Fontoura, afirmou que a forma como o conselho tarifário foi construído favorece reajustes que beneficiam as empresas que operam no Sistema Transcol.>
"Uma parte grande dos estudantes está de férias, poucos ficam em Vitória. Desta forma, o conselho não cumpre a função de ser um local de participação popular. Sabemos as dificuldades que acabam impedindo que muita coisa seja modificada, mas há um desejo de não abrir mão de uma maior margem de lucro e, para isso, aumentam a tarifa. Ocorre que o valor cobrado não corresponde à qualidade do serviço oferecido", afirmou.>
Em resposta enviada à Ceturb, o DCE se posicionou contra a proposta de reajuste.>
"Para grande parte da população de menor renda, qualquer aumento tarifário tem efeito regressivo, pois representa parcela significativa do orçamento, sobretudo quando somado a outros aumentos de serviços essenciais, ainda que o percentual formalmente fique levemente abaixo do IPCA" respondeu o DCE à companhia.>
Sobre a possibilidade de a tarifa ser a menor entre as regiões metropolitanas, o DCE alegou que essa análise é insuficiente, "sem aprofundar o debate sobre alternativas de financiamento que caminhem na direção da tarifa zero".>
Pedro Lucas Fontoura disse que seguirá dialogando em busca da tarifa zero e que ainda deve solicitar à Ceturb que a reunião em que anualmente é definido o reajuste tarifário seja aberto ao público ou transmitido virtualmente, uma vez que hoje ocorre a portas fechadas.>
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