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Paneleiras de Goiabeiras enfrentam dificuldades na pandemia

O galpão  das paneleiras de Goiabeiras está fechado há cerca de quatro meses, resultando em poucas vendas e dificuldades para quem vive da produção das panelas

Publicado em 15/07/2020 às 15h45
Atualizado em 15/07/2020 às 17h39
Mulheres, paneleiras de Goiabeiras, açoitando panelas com tanino extraido de mangue, durante processo de queima.
Paneleiras de Goiabeiras. Crédito: Vitor Jubini | Arquivo

A crise econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus chegou também para o mercado que movimenta um dos principais símbolos culturais do Espírito Santo: a panela de barro - item essencial para o preparo da moqueca capixaba. De acordo com apuração do repórter Diony Silva, para a TV Gazeta, há cerca de quatro meses o galpão das paneleiras de Goiabeiras está fechado, resultando em poucas vendas e dificuldades para quem produz as panelas. Além disso, muitas das paneleiras são idosas, ou seja, estão no grupo de risco para a Covid-19, o que as impede de sair de casa para trabalhar, dificultando ainda mais a situação.

Para tentar contornar a crise, as paneleiras têm contado com a solidariedade da comunidade. Um exemplo é a banda de Congo Panela de Barro de Goiabeiras, que tem feito ações para ajudar mulheres e homens que precisam neste momento.  Um pequeno grupo de paneleiros, que está fora do grupo de risco, permanece no local para tentar manter as vendas.

Mas segundo Flávio Fernandes, o movimento caiu drasticamente. "Em média, em um final de semana, dava para fazer uma venda boa de 150 peças de panela para cada paneleira, mais ou menos. Agora está uma média de, em um fim de semana bom, 3, 4, 5 panelas. Estamos persistindo, temos que trabalhar, não podemos parar. A renda toda vem daqui, então é um leão por dia. Todo dinheiro tem que calcular, somar, dividir para cada conta, porque não pode deixar de pagar", afirmou o paneleiro.

Paneleiros contam que enfrentam dificuldades durante a pandemia
Paneleiros contam que enfrentam dificuldades durante a pandemia. Crédito: Reprodução | TV Gazeta

São 67 paneleiras em Goiabeiras, sendo que 50 delas fazem parte do grupo de risco para o novo coronavírus. Inclusive, uma dessas mulheres, Lucila Nascimento, morreu no dia 8 de junho, aos 90 anos, vítima da Covid-19.

CESTAS BÁSICAS

Ao contrário do estoque, que está cheio de panelas de barro, faltam vendas. Como descreveu Diony Silva, "isso gera uma outra preocupação: panela vazia na casa das paneleiras". De acordo com a paneleira Eunete Alves Correa, "a nossa sorte é que ganhamos algumas cestas básicas, isso ajuda em casa", disse.

De acordo com a presidente da Associação das Paneleiras de Goiabeiras, Berenícia Corrêa, as doações, que inclusive chegaram nesta quarta-feira (15), são destinadas a quem faz parte do grupo de risco da Covid-19. "As doações de hoje (15) são para as pessoas de risco, com pressão alta, diabetes. Para nós vai ajudar bastante, mesmo que as colegas não estejam satisfeitas, porque elas acham que também teriam que receber. A gente vai continuar. Eu sou de risco, as outras que me ajudam também são. Vamos tentar correr atrás para conseguir para as outras também", relatou.

DOAÇÕES

Nesta quarta-feira (15),  as paneleiras receberam 50 cestas básicas na Associação das Paneleiras de Goiabeiras, doadas pelo Sindifisco. O presidente do sindicato, Luciano Teixeira, ressaltou a importância do trabalho destas mulheres. "As paneleiras são um símbolo cultural do Estado, um patrimônio, não só da gastronomia, mas da cultura do povo capixaba. E o galpão fechado há quase quatro meses, faz com que elas enfrentam terríveis dificuldades", iniciou.

O gesto de solidariedade teve a intenção de incentivar ações semelhantes. "Atentos a estas necessidades da sociedade, enxergamos uma boa ação nessa doação para as paneleiras. Um pequeno gesto para minimizar o sofrimento de quem está em dificuldade e um exemplo para que outras iniciativas semelhantes possam ser tomadas por quem tem condições de ajudar", concluiu.

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