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Pandemia: hospitais filantrópicos do ES alertam para cenário de caos

A Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Estado do Espírito Santo (Fehofes) pede medidas mais restritivas ao governo do Estado. No documento, são listados pontos como a sobrecarga de profissionais da saúde e eventual falta de medicamentos para intubação de pacientes

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 16/03/2021 às 00h59
Hospital Jayme Santos Neves, na Serra, recebe trinta e seis pacientes com Covid-19 vindos de Manaus
Hospitais filantrópicos do ES pedem medidas mais restritivas à Sesa. Crédito: Fernando Madeira

A Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Estado do Espírito Santo (Fehofes) enviou uma carta à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) com um pedido para que sejam adotadas medidas mais restritivas em relação à transmissão do coronavírus no Estado. No documento, são listados pontos como a eventual falta de medicamentos para intubação de pacientes e sobrecarga de profissionais da saúde que estão na linha de frente do combate à Covid-19 como justificativas para o pedido.

O presidente da Fehofes, Fabrício Gaeede, afirmou que a situação do Espírito Santo é similar a que outros Estados passam, com uma crise assistencial do sistema de saúde. Gaeede citou que acompanha o aumento dos indicadores e que, diante do crescimento da taxa de ocupação de leitos de UTI para tratamento de pacientes com a Covid-19, que já chegou perto dos 90%, medidas mais restritivas se fazem necessárias.

"Dentro desse cenário, os hospitais filantrópicos se reuniram. Fizemos uma carta conjunta na qual a gente apresenta pra Sesa quatro pontos específicos que têm trazido preocupação para os nossos hospitais, que são referência no Estado inteiro. Hoje, nós somos 36 hospitais no ES, estamos em 34 municípios e boa parte desses hospitais são responsáveis pela atenção da saúde naquela região. Em 27 municípios, praticamente só tem hospital filantrópico, então é o primeiro atendimento. Nós temos tido problemas relatados já de falta de estrutura para atender pacientes", detalhou o presidente da federação.

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Em carta à Sesa, hospitais filantrópicos alegam falta de profissionais e até de medicamentos
Em carta à Sesa, hospitais filantrópicos alegam falta de profissionais e até de medicamentos. Crédito: Divulgação/Fehofes

PODE FALTAR MEDICAMENTOS PARA INTUBAÇÃO

Gaeede apontou que o crescimento deste indicador traz consigo um problema grave: a falta de medicamentos para intubar pacientes que evoluem para um quadro crítico da doença. Ele explicou que há hospitais que já atuam com 100% da demanda de leitos de UTI e que isso pode levar a mudanças no protocolo de intubação.

"Hoje, nós não temos falta desses medicamentos, mas há um alerta, já que o Brasil inteiro está vivendo um problema de aumento dos números, então a exigência é maior desses medicamentos e pode haver uma situação de falta, em que é preciso trocar drogas, mudar protocolos, para ter o manejo daqueles pacientes. Então, a gente tem acompanhado isso com certa preocupação", disse.

Fabrício Gaeede

Presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Estado do Espírito Santo

" É uma preocupação futura com isso, tem que ter um cenário muito crítico para intubar um paciente sem o auxílio de um sedativo ou de uma droga que alivie o processo, mas, em um cenário de caos, isso pode acontecer"

Além disso, conforme pontuou Gaeede, há problemas estruturais observados nos hospitais filantrópicos do Estado. Por conta da alta demanda de internações, os profissionais da linha de frente do combate à Covid-19, segundo o presidente, estão trabalhando em sobrecarga. Além dos pacientes infectados pelo coronavírus, há também aqueles com outras doenças, que também demandam cuidados especiais.

"São funcionários que atuam em várias instituições, saem de um local de trabalho e vão para outro para assumir o plantão para tratar pacientes com Covid e com outras doenças. Estão trabalhando em um ritmo estressante, porque são pacientes que demandam determinado cuidado, tem que estar ali constantemente com o paciente, aí tem a preocupação de não se contaminar também, então gera uma sobrecarga difícil", alegou.

FALTA DE PROFISSIONAIS

Gaeede ainda citou que a ampliação de leitos de UTI no Espírito Santo é necessária, mas reconheceu a escassez de mão de obra para trabalhar nos setores destinados à internação de pacientes com a Covid-19. O presidente da Fehofes apontou que vários hospitais estão com processos seletivos abertos para contratação de funcionários de várias áreas, dada a falta de profissionais da saúde disponíveis.

"Há a necessidade também de se ampliar leitos e sabemos que a mão de obra é escassa. Hoje, praticamente todas as instituições hospitalares de grande porte estão contratando pessoas. Seja privada, 100% SUS ou filantrópica, estão com processos seletivos abertos para tentar contratar pessoas. Técnicos, médicos, fisioterapeutas… há uma dificuldade para encontrar esses profissionais no mercado", relatou.

GOVERNO DO ES ESTUDA LOCKDOWN DE 14 DIAS

Conforme publicado pelo colunista de A Gazeta Leonel Ximenes na noite desta segunda-feira (15), o governo do Estado passou o dia todo em reuniões para decidir quais medidas adotará para conter o crescimento da pandemia de Covid-19. Uma das medidas que deverá ser adotada é o chamado lockdown em todo o Estado, por 14 dias, a partir desta quarta-feira (17). Neste período, só os serviços essenciais seriam autorizados a funcionar.

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