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Moradora de Vila Velha foi modelo para escultura de Maria do Convento

A tradutora Nerina Bortoluzzi, 84 anos, tinha apenas 17 anos quando posou para o autor da Pietá de madeira, obra religiosa exposta no Convento da Penha e  que é apreciada por inúmeros devotos diariamente

Publicado em 17/04/2020 às 12h13
Atualizado em 17/04/2020 às 14h37
Nerina Bertoluzzo, 84 anos, modelou para três esculturas no Espírito Santo quando jovem, entre elas a Pietá do Convento da Penha
Nerina Bortoluzzi, 84 anos, modelou para três esculturas no Espírito Santo quando jovem, entre elas a Pietá do Convento da Penha. Crédito: Arquivo

A atenciosa senhora de 84 anos, de cabelos brancos e sotaque italiano, passaria despercebida em meio às inúmeras pessoas que sobem o Convento da Penha, em dias sem pandemia, em Vila Velha.  Ela é Nerina Bortoluzzi Herzog, moradora da cidade canela-verde, foi a modelo para a escultura da Pietá,  representação católica de Jesus morto no colo de Maria, exposta no Convento. 

Nascida na Itália, Dona Nerina, que é tradutora e escritora, chegou ao Espírito Santo em 1949. "A Itália estava destruída pela Segunda Guerra Mundial.  Vim com meus pais e meu irmão para cá, aos 13 anos, para tentarmos melhorar de vida. Um tio meu já morava aqui. Perdemos muitos familiares na guerra, e meu pai também participou. Vimos armas, batalhões e destruições", conta. 

Dona Nerina é devota de Nossa Senhora da Penha e conta que tinha apenas 17 anos  quando o autor da obra, Carlo Crepaz, amigo da família, pediu autorização ao pai dela para que pudesse modelar para a escultura. A Pietá  ficou pronta em 1955 e, desde então,  integra o conjunto de símbolos religiosos apreciados pelos devotos. "Também sou devota e já fui diversas vezes ao convento. Poucos sabem dessa relação com a escultura. Eu era uma menina, uma mocinha, não posava por horas, era com roupa toda, era o suficiente para o artista memorizar. A Pietá ficou pronta muito tempo depois que posei", detalhou. 

Neurina Bertoluzzo, 84 anos, quando jovem foi modelo para obras  de arte capixabas
Nerina Bortoluzzi, 84 anos, quando jovem foi modelo para obras de arte capixabas . Crédito: Arquivo pessoal

Dona de uma memória invejável, a tradutora contou que também foi modelo para a estátua do imigrante alemão, inclusive usando as vestes da imagem, que atualmente está na Praça Central de Domingos Martins. Uma terceira obra de Carlo Caprez com a participação de Dona Nerina foi  a estátua da Professora Ernestina Pessoa, exposta no Parque Moscoso, no Centro da Capital.

A tradutora chegou a fazer um livro, lançado em 2018, onde conta a história da infância, juventude e outros anos dos 71 que está no Brasil. Dona Nerina já retornou à Itália algumas vezes e lamentou a atual situação do país. "Este ano teríamos ido de novo, tenho tios e primos lá, mas com esse problema todo do coronavírus todos estamos impossibilitados de viajar", disse. 

Pietá esculpida em madeira no Convento da Penha
Pietá esculpida em madeira no Convento da Penha. Crédito: JLPizzol/Wikimedia Commons

A tradutora é discreta, não costuma contar aos que lhe rodeiam sobre a Pietá. "Já estive no Convento da Penha e na Festa da Penha diversas vezes. Tenho uma veneração muito grande por Nossa Senhora, além da fé e da religião animarem as pessoas.  Mas agora, na minha idade, acredito que vivo  no tempo de outra guerra que é a contra um inimigo invisível, o coronavírus. Precisamos ter fé no que fazemos e pensar em coisas positivas, agora", completou Dona Nerina. 

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