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Pacientes jovens

Médico explica a relação entre casos de AVC e coronavírus

O médico José Antônio Fiorot Junior, que é neurologista e coordenador do setor no Hospital Estadual Central, diz que há relatos em que o AVC foi o primeiro sintoma da Covid-19

Publicado em 28 de Abril de 2020 às 09:11

Redação de A Gazeta

Publicado em 

28 abr 2020 às 09:11
O médico neurologista José Antônio Fiorot fala sobre a relação entre o coronavírus e o AVC
O médico neurologista José Antônio Fiorot fala sobre a relação entre o coronavírus e o AVC Crédito: Reprodução / TV Gazeta
Por ser uma doença nova e ainda sem muitos estudos aprofundados do impacto que pode causar em outras partes do corpo, além do sistema respiratório, relatos de médicos ao redor do mundo começam a apontar o novo coronavírus como fator para outras implicações. E uma delas é o Acidente Vascular Cerebral (AVC). Especialistas estão, inclusive, registrando a doença neurológica em pacientes mais jovens, que não teriam motivo para tê-la.
Em entrevista ao Bom Dia Espírito Santo, da TV Gazeta, o médico José Antônio Fiorot Junior, que é neurologista e coordenador do setor no Hospital Estadual Central, explicou a relação entre as doenças.
Médico explica a relação entre casos de AVC e coronavírus
“A doença (coronavírus) acaba causando inflamação em diversos vasos sanguíneos no cérebro. Essa inflamação provoca a formação de trombos, que vão entupir o vaso e impedir o fluxo sanguíneo. Trombo é como se fossem coágulos, o sangue que endurece. Então, a pele que reveste os vasos acaba tendo um receptor para esse vírus e isso gera uma inflamação, uma doença que a gente chama de vasculite. [...] Sem chegar sangue no cérebro, o cérebro morre, e é o que a gente chama de AVC isquêmico”, disse.

PACIENTES JOVENS

Ainda segundo o especialista, pessoas mais jovens e que não teriam motivos para ter um AVC por não terem fatores de risco - como a hipertensão, obesidade, e diabetes - estão tendo o Acidente Vascular Cerebral.
“Os relatos que a gente tem visto na literatura, principalmente internacional, é que algumas vezes o AVC foi o primeiro sintoma da doença. É surpreendente. Os pacientes não tinham sintomas respiratórios clássicos e abriram um quadro tendo um AVC, um paciente mais jovem tendo um AVC isquêmico”, destacou.
O AVC é a segunda doença que mais mata no Brasil. Segundo o médico, por medo de contrair o vírus, muitas pessoas estão deixando de procurar atendimento quando apresentam os sintomas. E isso é perigoso, já que o tratamento para a doença deve ser aplicado horas depois das primeiras mudanças.
“Grandes centros de AVC no mundo estão reportando uma redução de 30% a 40% no número de atendimentos. E os AVCs continuam acontecendo. É uma doença que você tem poucas horas para procurar o atendimento. Os tratamentos que podem ser feitos são no máximo de 4h30, e de 6 a 8 horas. Se o paciente espera demais, não tem muito mais o que a equipe médica fazer, e o paciente vai ficar com a sequela ou vai acabar falecendo”, avalia. 

SINTOMAS

Por isso, Fiorot explica os sintomas e o que o paciente deve fazer imediatamente ao identificá-los.
“Em 85% dos casos, é bem fácil identificar um AVC. O paciente tem uma paralisia em um lado do corpo, normalmente só em um lado, a boca entorta, a parte de baixo do rosto entorta, e o paciente tem dificuldade para falar. Se um desses três achados acontece de uma forma súbita, mais de 80% das vezes é um AVC que está acontecendo. Então, é fácil identificar um AVC. Quando identificar, tem que procurar no hospital que está preparado para atender o AVC, ou ligar para o Samu 192 para que ele leve para um hospital que está preparado para atender”, explicou.
Ainda de acordo com o médico, na Grande Vitória, o Hospital Estadual Central, na Capital, é a referência no tratamento de AVC. Além dele, há hospitais particulares que também têm a possibilidade de realizar o atendimento.

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