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Publicado em 19 de maio de 2021 às 12:50
"Vacine um, proteja dois". É com esse apelo que mulheres no Espírito Santo têm se organizado para pedir que lactantes – mães que amamentam – entrem no grupo de prioridade da vacinação contra Covid-19. >
Amparado em uma mobilização nacional que já conta com mais de 15 Estados, o movimento capixaba começou na semana passada em rede social e conta com um abaixo-assinado que já reúne mais de 3 mil assinaturas em três dias.>
"Queremos que todas as lactantes do Espírito Santo tenham acesso à vacina, independente da idade do filho que amamenta. Atualmente apenas puérperas, com até 45 dias pós parto, são contempladas pela vacina. Entendemos que isso é importante, porém, insuficiente”, afirma a psicóloga e lactante Carolina Leão, de 30 anos.>
O principal argumento para o pedido – que ainda depende do apoio de autoridades públicas – é a possibilidade de imunizar duas pessoas com apenas uma dose da vacina.>
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“Já existem bons estudos indicando que vacinar quem amamenta é proteger dois, porque já encontraram anticorpos no leite materno de mulheres que foram vacinas e também encontraram anticorpos nos bebês vacinados por essas mulheres. Acredita-se que a vacina tenha potencial imunizante para o bebê amamentado também. Além de tudo é uma alternativa econômica, porque uma vacina só protege duas pessoas. E também é uma questão de saúde pública bastante interessante tendo em vista que não temos previsão de vacina para crianças menores de 12 anos”, defende Carolina.>
Mãe do Dom, de 1 ano e 5 meses, Carolina já recebeu a primeira dose da vacina por ser profissional de saúde e agora luta para que outras mães lactantes tenham acesso à vacina.>
“A ordem da vacinação quem vai definir é o município. A ideia é que as lactantes entrem no grupo prioritário, mas o objetivo não é, de forma alguma, furar fila. O objetivo é que elas também sejam prioridade, que não fiquem com o restante da população”, esclarece.>
A advogada Stella Mergár, mãe da Madalena, de 1 ano e 17 dias, faz questão de esclarecer que o movimento não tem interesse em "furar a fila” de nenhum grupo prioritário.>
“Nunca para poder furar fila em face de outros grupos prioritários, mas uma forma de incluir essas mulheres lactantes antes do restante da população, porque temos uma imunização dupla e isso é muito benéfico para aumentar a quantidade de pessoas imunizadas. Quando tudo se abre, não se abre as escolas. E a primeira coisa que se fecha, em qualquer situação, são as escolas e creches. Temos muita mãe que cuida sozinha dos filhos e trabalha. Vacinar essas mulheres é muito importante", reforça.>
Carolina Leão
Psicóloga, lactate e mãe do DomPara Ethel Maciel, pesquisadora e Doutora em Epidemiologia, a causa do grupo é válida. No entanto, ela ressalta que há outros grupos que precisam ser vacinados na frente dessas mulheres por estarem mais expostos ao risco de contaminação, internação e óbito.>
“As gestantes e puérperas entram porque estão sob maior risco, porque a própria condição de gestação e puerpério deixa a mulher com uma imunidade mais baixa e sujeita a ter mais doença grave e óbito. Efetivamente, todas as pessoas acima de 18 anos no Brasil terão que ser vacinadas para podermos atingir os 70% de imunidade coletiva. Nós temos hoje categorias que estão mais expostas que esse grupo, como trabalhadores de transporte coletivo, de supermercados e outros serviços essenciais. Nós temos poucas doses e é preciso haver uma priorização. E o critério utilizado para definir essa ordem de prioridade é a exposição maior, o risco de adoecimento e óbito”, explica.>
Ethel Maciel
Pesquisadora e Doutora em EpidemiologiaA reportagem de A Gazeta procurou a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) para saber se existe alguma previsão para que mulheres lactantes sejam vacinadas no Espírito Santo. Por nota, a Sesa informou que os grupos prioritários para vacinação Covid-19 são definidos pelo Ministério da Saúde, e o cronograma do Espírito Santo segue a indicação do Plano Nacional de Imunização.>
"Ressalta-se que as mulheres que amamentam e pertencem a um dos grupos prioritários do Plano Nacional de Imunização já estão sendo vacinadas desde o início da campanha", diz a nota.>
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