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Jovens são os que mais se contaminam e transmitem coronavírus no ES

Pessoas com idade média de 29 anos representavam mais de 60% dos infectados no Estado, em outubro. Já a maior parte dos internados têm, em média, 45 anos

Vitória
Publicado em 06/12/2020 às 05h00
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Jovens são os que mais transmitem coronavírus atualmente no Espírito Santo. Crédito: Fernando Madeira

Os jovens são os que mais se contaminam e transmitem o coronavírus no Espírito Santo atualmente. Para se ter uma ideia, segundo dados do governo estadual, pessoas com idade média de 29 anos representavam mais de 60% dos infectados no Estado, em outubro.  

Apesar de não fazer parte dos grupos que mais apresentam complicações da doença, essa faixa etária é a que mais se expõe para trabalho ou lazer e, ao ignorar medidas de prevenção, acaba passando a doença para pessoas mais vulneráveis, como os idosos. Enquanto a maioria das pessoa contaminas no último mês tinha cerca de 29 anos, a maior parte dos internados têm, em média, 45 anos. 

"Vou dar um dado aproximado do mês de outubro: mais de 60% das pessoas contagiadas, detectadas pelo nosso Laboratório Central (Lacen), tinham idade média de 29,5 anos. Mais de 60% das pessoas internadas em UTI tinham mais de 45 anos de idade. Então, os jovens são mais resistentes, às vezes por isso saem mais e interagem mais. Mas, muitas vezes, os jovens acabam levando a doença para dentro de casa ou contagiando alguém de mais idade. É importante a gente ter empatia e contribuir. Essa doença exige essa corresponsabilidade", afirmou Casagrande.

JOVENS TAMBÉM PODEM IR PARA ESTÁGIO GRAVE, LEMBRA MÉDICO

O infectologista Paulo Peçanha lembrou que, apesar de grande parte dos jovens não estar no grupo de risco, isso não significa que eles também não possam evoluir para o quadro mais grave da Covid-19 quando contaminados. Para o médico, as últimas semanas mostraram um comportamento de despreocupação entre parte da população mais nova, o que causa preocupação. 

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"Os jovens estão saindo mais, tanto para trabalho, quanto para lazer. Apesar de serem os que mais estão se infectando, são os que menos adoecem. O que não é regra. Muitos jovens evoluíram para o estágio grave da doença, alguns chegando a morte. Não podemos subestimar a potencial gravidade da Covid-19.  Vemos pessoas, principalmente jovens, se expondo em vários ambientes e deixando de obedecer as medidas de segurança, como máscara e distanciamento, como se o risco fosse inexistente. Dessa forma, possivelmente são os maiores transmissores da doença para os mais vulneráveis atualmente", lamenta. 

JUVENTUDE TEME MENOS OS RISCOS, DIZ ESPECIALISTA

De acordo com Ethel Maciel, doutora em Saúde Coletiva e Epidemiologia e também professora da Ufes, há estudos científicos que apontam que os jovens têm sido os responsáveis pela manutenção da circulação do vírus. As pessoas com idades entre 20 e 40 anos se mobilizam mais, seja estudando, trabalhando ou frequentando eventos sociais.

"Essa faixa etária é do grupo mais ativo, que se relaciona mais com as pessoas. Entre setembro e outubro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou que jovens entre 20 e 30 anos eram os principais responsáveis pela circulação do vírus. Um movimento que já foi visto nos países da Europa e que agora se repete no Brasil. São jovens, inclusive, que se mobilizam mais de um bairro para outro, por exemplo. Mas por enquanto só temos estudos europeus. Nossa ideia é fazer, aqui, um estudo sobre interação social futuramente para tentar entender com quantas pessoas alguém se relaciona por dia, de cada faixa etária. Mas o que já temos observado é que pessoas acima de 50 anos possuem uma mobilidade um pouco mais restrita", conta.

A  epidemiologista completou que o jovem, por si só, já tem uma tendência a temer menos riscos, o que é possível notar até mesmo no comportamento desse grupo no contexto das doenças sexualmente transmissíveis, por exemplo. Com a Covid-19, não tem sido diferente: jovens estão participando de aglomerações sem cuidados básicos como máscara, distanciamento e higiene das mãos.

"Vale lembrar que 30% dos casos graves da doença são de pessoas abaixo de 45 anos. É um número menor, mas existe. Nossa percepção é que aqueles que possuem comorbidades ou são idosos possuem um comportamento de mais prevenção. Nesse momento, os jovens são os que mais transitam e, consequentemente, os que mais têm contribuído para a transmissão do vírus", afirmou.

VOU SOCIALIZAR, COMO DIMINUIR OS RISCOS?

O ideal seria que as pessoas continuassem se expondo apenas em situações de necessidades. Mas sabendo que grande parte da população vai se expor de qualquer forma, seja a trabalho ou para lazer, os especialistas deram algumas dicas de como tentar diminuir os riscos ao socializar. Veja abaixo: 

  • Antes de socializar, faça uma análise se você mora / trabalha sozinho ou com pessoas que são ou podem levar o vírus para aqueles que estão em grupo de risco;
  • Tente montar um pequeno grupo de amigos, com duas ou três pessoas, por exemplo, que esteja na mesma categoria de falta de risco que você;
  • É preferível socializar com essas mesmas pessoas, sempre monitorando se alguém irá apresentar quadros gripais ou respiratórios. Se sim, todo o grupo deve ser avisado, como em uma relação de fidelidade;
  • Evite ao máximo locais de socialização onde você terá contato com diversas pessoas das quais não se sabe o histórico de exposição, cuidados e comorbidades;
  • Priorize locais abertos e com ventilação quando for socializar;
  • Não tire a máscara enquanto conversa com outras pessoas. Só retire o acessório de proteção para comer e beber. Depois, o coloque de volta;
  • Ao comer e beber, procure uma distância segura entre os presentes;
  • Evite dividir petiscos e compartilhar pratos, copos, talheres ou cigarros, por exemplo;
  • Se for expandir a sua bolha de socialização, faça isso aos poucos e de forma controlada; 
  • Faça a higiene das mãos frequentemente com álcool 70% ou água e sabão;
  • Após cada socialização, espere cerca de 14 dias para voltar a ter contato com pessoas vulneráveis à complicações da doença, mesmo que não apresente nenhum sintoma.

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