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Governo e prefeituras negam aplicação de vacinas vencidas no ES

Informação foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo, com base em dados oficiais do Ministério da Saúde; problema identificado foi no registro da imunização

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 02/07/2021 às 18h15
Vacina de Oxford
A Astrazeneca é um dos imunizantes que integra a campanha de vacinação contra a Covid-19. Crédito: Carlos Alberto Silva

Um levantamento feito pela Folha de S.Paulo, com base em registros oficiais do Ministério da Saúde, indica que milhares de pessoas pelo país teriam tomado a Astrazeneca, uma das vacinas contra a Covid-19 adotada no país, com data de validade vencida. Na relação de municípios informada na reportagem do jornal, oito são do Espírito Santo. Consultadas por A Gazeta, prefeituras negam que a população tenha recebido imunizante com prazo expirado. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) também contesta a publicação. 

Aparecem na lista VitóriaVila VelhaSerraCariacicaGuarapariLinharesCachoeiro de Itapemirim São Mateus, com doses aplicadas em unidades de saúde próprias ou não. Prefeituras que se manifestaram sobre o assunto, assim como a Sesa, afirmam que o problema pode estar relacionado ao lançamento dos dados no sistema. 

Em nota, a Sesa informa que nenhuma vacina contra a Covid-19 vencida foi distribuída aos municípios capixabas. "Todas as vacinas enviadas pelo Ministério da Saúde que chegam ao Espírito Santo passam por rigorosa conferência e são inseridas no sistema estadual de informação que faz o monitoramento com relação à validade e distribuição aos municípios."

A Sesa frisa que a logística de distribuição e a agilidade com que os lotes chegam ao destino têm sido um diferencial na estratégia estadual de vacinação.

"A Sesa esclarece que erros no registro da vacina por parte do vacinador/digitador podem ocorrer, por ser manual e utilizado em uma fase de grande demanda por vacinação no estado. Diante das inconsistências apresentadas pelo Portal do Ministério da Saúde, podem ocorrer preenchimentos de datas equivocadas do imunizante", pontua a secretaria em outro trecho da nota.

O subsecretário estadual de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, também gravou um vídeo falando sobre as inconsistências no sistema do Ministério da Saúde e declara que a população pode ficar tranquila:

"Moradores do Espírito Santo, capixabas, fiquem tranquilos! A vacina aplicada em vocês é segura, dentro do prazo, e dá a resposta que precisamos contra a Covid", garante Reblin. 

A Sesa está solicitando aos municípios que façam nova conferência das doses apontadas como vencidas para orientar as medidas que serão estabelecidas a partir do resultado dessa análise. Em abril, já havia saído uma divulgação sobre vacinas fora do prazo, que também foi refutada.

VILA VELHA

Em Vila Velha, a Secretaria de Saúde informa que recebeu vacinas do lote 4120Z005, cuja última saída foi registrada em 16 de março.  Esse lote, conforme consta na reportagem da Folha, venceu em 14 de abril. "Todas as vacinas foram dispensadas pela rede de frio antes da data de vencimento, não tivemos aplicações de vacinas vencidas", ressalta, em nota. 

A Secretaria da Saúde observa, ainda, que o levantamento aponta que seriam menos de 10 doses em cada lote supostamente vencido, o que não seria factível visto que o frasco da Astrazeneca contém 10 doses. 

"Informamos ainda que, no início da campanha de imunização, os registros das aplicações das vacinas não estavam sendo realizados em tempo real, sendo o lançamento registrado no Sistema Nacional de Imunização posterior à aplicação da dose, o que ocasionou o registro após a data de validade da vacina. A Secretaria de Saúde de Vila Velha já identificou o ocorrido e está realizando uma auditoria por meio das equipes de Sistema de Informação para localizar os usuários e acertar os lançamentos", completa. 

GUARAPARI

A Secretaria de Saúde (Semsa) de Guarapari também garante, em nota, que não procede a informação de que o município tenha recebido doses de vacinas vencidas.

"A cidade recebeu 97 frascos, o equivalente 970 doses da vacina AstraZeneca, do lote 4120Z005, no dia 25 de janeiro de 2021, ou seja, na validade. Eram frascos de 10 doses. Esse foi o terceiro lote recebido pelo município, sendo utilizado logo que chegou, bem antes da data de vencimento (14/04/2021)."

A Secretaria da Saúde diz  que vale ressaltar que em Guarapari não há perda de vacinas. "Sendo assim, não tem como vacinar apenas cinco pessoas, com um frasco de 10, pois sobrariam cinco doses. Não tem como um frasco estar somente metade vencido, logo, tal afirmativa da matéria não procede", pontua o órgão municipal, em nota, numa referência à reportagem da Folha que sugere que, no município, foram aplicadas cinco doses vencidas. 

Por fim, a Secretaria da Saúde de Guarapari reforça que o município realiza o monitoramento das vacinas diariamente, que são aplicadas logo que chegam tanto para não ter grande estoque, nem para haver perdas ou o risco de expirar o prazo de validade. 

SERRA

A Secretaria da Saúde da Serra (Sesa) frisa que adota um controle rigoroso no estoque de doses, verificando a validade das vacinas. "Em relação às três doses aplicadas na ESF de Cidade Continental e à dose aplicada na Unidade Regional de Saúde de Jacaraípe, houve um erro de registro no sistema, mas já foi providenciada a correção", diz, em nota.

No município, também houve aplicação de 74 doses no Vitória Apart Hospital que estão relacionadas como vencidas. Sobre esse caso, a secretaria ainda está apurando. 

SÃO MATEUS

O secretário de Saúde de São Mateus, Henrique Luis Follador, informa, em nota, que de acordo com dados da Superintendência Regional de Saúde do Norte do Estado, não houve nenhuma vacina aplicada no município com a validade vencida, mas houve um erro no lançamento dos dados no sistema de registro da vacinação.

CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM

A Secretaria de Saúde de Cachoeiro assegura que faz a conferência de todas as vacinas recebidas pela Sesa. A Semus verificou os cartões de vacina das pessoas já identificadas e constatou não se tratar do lote citado na reportagem.

CARIACICA

A Secretaria Municipal de Saúde de Cariacica (Semu) informa que todas as vacinas do lote 4120Z005 foram aplicadas antes da data de vencimento do mesmo (14 de abril). A Semus informa, ainda, que por orientação da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) vai realizar nova conferência das vacinas do referido lote a fim de certificar que nenhum munícipe recebeu vacina após o vencimento.

VITÓRIA

A Secretaria Municipal de Saúde de Vitória (Semus) informa que não há munícipe vacinado com doses vencidas. A Semus realizou um amplo procedimento de reconferência de dados no sistema nacional oficial de movimentação de insumos, o Sistema de Insumos Estratégicos em Saúde (SIES), onde ficam registradas as notas fiscais de entrada e saída das vacinas.

Constatou-se uma última nota de saída, datada do dia 15 de março de 2021 que, segundo a reportagem, seria referente a um lote que supostamente estaria fora do prazo de validade. Porém, se tratava de um lote que poderia ser utilizado até o dia 14 de abril deste ano. Ao cruzar os dados e verificar a lista com as 12 pessoas que supostamente teriam sido vacinadas com o lote em questão, foi verificado no SIES que as vacinas dispensadas para as ações nos referidos serviços não foram as com vencimento em 14/04.

LINHARES

A Secretaria Municipal de Saúde de Linhares informa que já foram identificadas as duas doses aplicadas, atesta que foi um erro no registro do sistema e será providenciada a devida correção. Portanto, Linhares não identificou registro de dose de vacina vencida.

HOSPITAIS

Embora a aplicação das doses seja responsabilidade dos municípios, hospitais citados também foram procurados para se manifestar sobre o assunto. A imunização nesses locais foi destinada aos trabalhadores de saúde. 

Em nota, o Hospital Santa Rita afirma que a diretoria teve conhecimento dessa suspeita na tarde desta sexta-feira (2), pela imprensa, e já entrou em contato com a Secretaria de Saúde de Vitória (Semus) para conferência da validade dos lotes das vacinas aplicadas nas dependências do Santa Rita, já que os imunizantes foram distribuídos pelo órgão municipal. "Assim que toda a checagem for feita, o hospital adotará as providências necessárias, seguindo a orientação das autoridades sanitárias locais."

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A Santa Casa de Vitória, segundo a assessoria, disponibilizou apenas o espaço para a aplicação das vacinas, mas toda a organização ficou sob a responsabilidade do município. O Hospital Cassiano Antônio de Moraes (Hucam) e o Vitória Apart também foram procurados, mas ainda não se manifestaram. Assim que apresentarem um posicionamento, a matéria será atualizada. 

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