O Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) revelou, nesta quinta-feira (19), preocupação com a crescente de casos confirmados, de óbitos e de internações por causa do novo coronavírus no Brasil e sinalizou que o cenário futuro pode ser pior que o enfrentado no início da pandemia.
Enviado ao Ministério da Saúde, o documento também solicita à pasta que seja feito o repasse de R$ 3 bilhões aos fundos estaduais, com a finalidade de expandir e reorganizar as redes assistenciais. Bem como a compra imediata de 20 milhões de testes rápidos, a serem disponibilizados aos Estados e municípios.
"Qualquer expressão de negação do risco de uma nova expansão da doença em território nacional poderá levar a um cenário de tragédia epidemiológica de proporções piores às vividas na primeira expansão de casos"
De acordo com o texto, esta segunda fase de aumento mundial "poderá levar a uma nova escassez de testes, insumos e medicamentos no mercado internacional" e, por isso, se faz "necessário antecipar-se em medidas rápidas e concretas para proteger o abastecimento destes produtos ao Sistema Único de Saúde (SUS)".
Estados temem cenário mais grave que início da pandemia e pedem ajuda
Nesse sentido, o ofício também pede autorização do governo federal para que os Estados possam, em termo de cooperação com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), realizar compras de insumos, materiais e medicamentos necessários para o enfrentamento da Covid-19.
"As vidas perdidas até aqui para o coronavírus não podem ser ignoradas"
Diferentemente do que teria acontecido no início da pandemia, quando outros tipos de internações caíram, o Conass observa que "não é possível tratar o presente contexto epidemiológico somente com o risco da expansão da Covid-19", já que ela estaria "sobreposta à tripla carga de doenças já conhecidas no Brasil."
"Temos diante de nossos olhos um cenário tão desafiador quanto ao que enfrentamos no início do ano. Embora saibamos muito melhor como o vírus se comporta e se dissemina, as adversidades se impõem e precisamos nos preparar para quaisquer níveis de gravidade nas próximas semanas", conclui.
O QUE DIZ O MINISTÉRIO DE SAÚDE
A Gazeta questionou o Ministério de Saúde para saber, entre outras coisas, se a pasta já está ciente do ofício e se os pedidos feitos pelo Conass serão atendidos. Quando a reportagem receber o retorno, esse texto será atualizado.