Esporotricose: entenda doença contagiosa que deixa cidade do ES em alerta
A cidade de Linhares, no Norte do Espírito Santo, entrou em alerta devido ao aumento de casos de esporotricose. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, desde o início do ano passado já foram registrados 49 casos da doença - que pode afetar tanto humanos quanto animais, majoritariamente os gatos.
A reportagem de A Gazeta separou informações para, explicar, alertar e evitar que pessoas e felinos sejam contaminados. A médica veterinária, mestre em esporotricose felina e especialista em medicina felina, Amanda Maria Miranda, é quem informa sobre os cuidados que devemos ter e também para proteger os pets.
O que é a doença?
A esporotricose é uma micose subcutânea causada pelo fungo do gênero Sporothrix. Segundo a médica veterinária e mestre em esporotricose felina Amanda Maria Miranda, antigamente a doença era conhecida como "doença do agricultor", pois, ao entrar em contato com a terra - local onde fungo costuma se alojar - e, consequentemente, se machucar ou se arranhar com espinhos, palha ou lascas de madeira, a pessoa acabava se contaminando.
"O ambiente é o grande vilão da esporotricose, pois esse fungo gosta de matéria orgânica e de ficar no ambiente. Tanto é que não conseguimos tirar ele [o fungo] da terra ou do casco de uma árvore contaminada", explicou a veterinária, que também é especialista em medicina felina.
E por que os gatos?
Segundo a veterinária, o hábito dos gatos de cavar a terra pode acabar gerando micro traumas nas unhas do animal. Com o ambiente contaminado pelo fungo, ele se contamina. Dessa forma, ao brigar com outros felinos na rua ou até mesmo ao arranhar e morder um humano, a contaminação se propaga.
"Os felinos são sensíveis ao fungo pois uma carga baixa [do fungo] já é capaz de causar a esporotricose no gato. Por isso, vimos muitos gatos machucados, com feridas ulcerativas - como se fosse de queimadura ou atropelamento"
Transmissão
Como foi explicado, o fungo do gênero Sporothrix está presente na natureza, no solo rico em material orgânico, nos espinhos, em árvores e vegetação em decomposição. Por isso, o ser humano pode se infectar por meio da implantação do fungo na pele devido a machucados decorrentes de acidentes com espinhos de arbustos, palha ou pedaços de madeira.
A contaminação ocorre, ainda, quando alguma lesão do indivíduo entra em contato com secreções ativas do gato, por arranhões ou mordidas do animal infectado.
Sintomas
Geralmente de contaminação por esporotricose, o paciente pode ter uma lesão em rosário, que ocorre quando os linfonodos do corpo ficam inchados devido ao arranhão e, com isso, aparecem pequenos caroços, similares a picadas de insetos.
Esporotricose: casos de doença sobem em Linhares
Diagnóstico e tratamento
A esporotricose pode ser diagnosticada por meio da cultura fúngica, considerada padrão-ouro de exame. Nele, é possível o isolamento do agente causador da doença.
O tratamento é feito a base de antifúngicos e, segundo a veterinária Amanda Maria, é considerado longo - de no mínimo três meses a um ano - e precisa ser acompanhado por um médico.
Alerta
A veterinária ainda chamou a atenção para os cuidados que as pessoas devem ter ao entrar em contato com ambientes ou, até mesmo, com gatos que estejam contaminados. "É importante usar luvas e calçados em trabalhos rurais. Além disso, os indivíduos que estiverem tratando os gatinhos devem usar luva e seguir orientações de um médico veterinário", explicou.
Ainda segundo a especialista, os donos dos felinos devem evitar deixá-los ir para a rua, a fim de que não entrem em contato com uma possível contaminação. Caso o gato domiciliar esteja em tratamento e se o indivíduo for arranhado por ele, é necessário procurar o serviço médico imediatamente.
"Se seu gato apresentou algum problema de pele ou se você viu algum felino com lesões pela rua, é importante ligar para o centro de controle de zoonoses do município"
Por fim, a veterinária salienta para que, em hipótese alguma, as pessoas abandonem ou doem os seus gatos por medo da doença, pois essa não é a prática que deve ser tomada. "É errôneo associar os felinos como transmissores da esporotricose, já que eles também são sensíveis ao fungo", finalizou.