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Escolas podem ser consideradas seguras nesta fase da pandemia? Entenda

Após o governo do Estado rever a decisão sobre o funcionamento das unidades de ensino em cidades de risco moderado, A Gazeta ouviu especialistas. Entenda

Vitória
Publicado em 01/12/2020 às 16h05
Atualizado em 01/12/2020 às 16h06
Alunos da Escola Major Alfredo Rabaioli, no bairro Mário Cypreste, com distanciamento entre eles na sala de aula
Nas salas de aula, distanciamento e uso de máscara são medidas obrigatórias. Crédito: Carlos Alberto Silva

Um dos últimos segmentos a ter as atividades presenciais liberadas durante a pandemia, as escolas no Espírito Santo foram autorizadas a reabrir em outubro seguindo uma série de protocolos, e desde que estivessem situadas em municípios de risco baixo para a Covid-19

Com o aumento de casos da doença, Vitória voltou ao risco moderado e as unidades de ensino tiveram que ser fechadas na última semana, porém, a reação de pais e escolas na Capital levou o governo a rever sua decisão e o retorno presencial foi permitido na última quinta-feira (26). Mas, mesmo com a atual aceleração do contágio, por que a escola hoje é considerada um ambiente mais seguro? Entenda.

Para começar, a denominação seguro não é sinônimo de imune à doença. O risco de contaminação ainda existe. "É segura dentro de um contexto pandêmico, e sem vacina. Existe risco nesta ou outra atividade. Mas por que suspender esta atividade e nenhuma outra? Para isso, teria que ser algo muito perigoso e temos, hoje, dificuldade de responder afirmativamente: a escola é uma atividade muito perigosa", pontua o secretário estadual da Educação, Vitor de Angelo. 

No começo da pandemia, explica o secretário, a suspensão das atividades presenciais se mostrou mais necessária porque se tratava de um espaço de aglomeração, de presença obrigatória e para o qual não havia protocolos para convivência com a Covid-19. Agora, com medidas de segurança como o distanciamento mínimo em salas de aula e outros ambientes de uso comum, utilização de máscaras e aquisição de insumos para higienização frequente das mãos, Vitor de Angelo ressalta ser possível ter um controle maior da transmissão do coronavírus.

"Quando voltamos, e pudemos ver in loco a aplicação dos protocolos, percebemos que a escola não é um ambiente com casos positivos estatisticamente expressivos e, em termos comparativos, superiores a outras atividades. Então, vai fechar por quê? Quando fecha, dá a entender que foi a responsável pela piora e ainda cria a falsa expectativa de que, se fechar a escola, o município vai voltar para o risco baixo", argumenta o secretário. 

Apesar dos argumentos, os sindicatos que representam professores e servidores da Educação se mostraram contrários à mudança nas regras que liberou o funcionamento de escolas em municípios de risco moderado.

Vitor de Angelo ressalta que, além de não haver, no momento, indicadores que coloquem a escola como uma atividade de risco elevado para a Covid-19, a educação é fundamental e, mesmo faltando pouco tempo para o encerramento do ano letivo, o retorno presencial contribui positivamente para o processo de ensino-aprendizagem, uma vez que muitos alunos demonstram um certo cansaço das aulas mediadas exclusivamente pela tecnologia. "Se não houver razões realmente fortes para fechar, não vamos", reafirma.

Para Vitor de Angelo, as medidas adotadas nas escolas ainda podem favorecer a disseminação de protocolos de segurança no ambiente externo à instituição de ensino para aquelas famílias que, por exemplo, não fazem uso adequado de máscaras ou não praticam o distanciamento social. 

RESSALVAS

Intensivista e cardiologista, Henrique Bonaldi também não vê razões, atualmente, para suspender as atividades presenciais nas instituições de ensino. "O serviço aberto hoje que tem mais rigor e controle é a escola", avalia. O médico, entretanto, faz algumas ressalvas em relação à Covid-19 para que a população entenda que o risco não está eliminado.

"Temos pouquíssima dimensão hoje de que doença é essa. Se um paciente tem cálculo renal, eu sei sinais e sintomas, exames para realizar, qual a melhor terapia, sei atender no pronto-socorro ou se estiver internado. Eu domino a doença. Na Covid, eu não domino, não tenho ideia de diagnóstico, de 30 a 40% do meu melhor teste não enxerga o vírus e dá falso negativo, não tem terapia específica, não há certeza de quase nada", aponta. 

Da Covid-19, diz Bonaldi, o que se sabe é que a contaminação ocorre por contato. Então, transportando a ideia básica de outras doenças com a mesma forma de contágio, adotou-se como protocolo o distanciamento, a máscara e a higienização frequente das mãos. "Mas nem sabemos se para a Covid faz diferença, embora para todas as outras doenças faça diferença", observa o médico, acrescentando que as escolas implementaram essas e muitas outras medidas para que tivessem autorização para funcionar com atividades presenciais. 

Na avaliação de Bonaldi, ao cumprir metas rigorosas como as estabelecidas pelas Secretarias de Estado da Saúde (Sesa) e da Educação (Sedu), as escolas apresentam um ambiente mais seguro que um estabelecimento comercial, por exemplo, onde não há exigência de aferição de temperatura ou tapetes sanitizantes; ou que o parquinho da pracinha, que não passa por higienização de superfície com frequência; ou mesmo da praia em dias que não dá para praticar o distanciamento. 

"Mas sem risco nenhum só mesmo para quem está há oito meses trancado em casa porque o vírus não vai chegar pela janela, nem pela água", conclui. 

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