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Depressão atinge mais mulheres do que homens em Vitória

Levantamento do Ministério da Saúde também apontou que os casos de transtorno na capital do ES já superam os de diabetes

Tempo de leitura: 3min
Publicado em 16/05/2022 às 14h38

Os diagnósticos de depressão, além de aumentarem durante a pandemia, têm acometido mais as mulheres do que os homens em Vitória. No ano passado, cerca de 15,7% das moradoras relataram ter a doença, enquanto 5,3% das pessoas do gênero masculino sofriam com o mesmo problema.

Esse valor é superior à média nacional obtida pela Vigitel 2021, um levantamento do Ministério da Saúde divulgado em abril de 2022. No Brasil, independentemente do sexo, esse índice gira em torno de 11,3%, sendo que a média somente entre as mulheres é de 14,85%.

Triste, depressão
Triste, depressão. Crédito: Free Photos / Pixabay

Os dados mostraram ainda que as capitais com maior incidência da doença entre elas foram Belo Horizonte (23%), Campo Grande (21,3%) e Curitiba (20,9%), e menos frequente em Belém (8%), São Luís (9,6%) e Macapá (10,9%). 

Um dos principais motivos para a doença acometer sobretudo as mulheres, segundo o médico psiquiatra Rodrigo Eustáquio Telles Vieira, é a sobrecarga emocional, desencadeada tanto pelo acúmulo de atividades domésticas quanto pela desigualdade de gênero. 

Rodrigo Eustáquio Telles Vieira

Médico psiquiatra

"Várias mulheres possuem uma jornada dupla e até tripla: trabalham, cuidam dos filhos e da casa e estudam. Elas são desvalorizadas, recebem menos pelo mesmo trabalho desempenhado pelos homens. Nesses casos, pode haver um impacto enorme na saúde mental"

O especialista também acredita que, por ser silenciosa e motivo de tabu em alguns grupos sociais, existe a possibilidade de subnotificação da doença entre os homens, o que explicaria a diferença de porcentagem.

Rodrigo Eustáquio Telles Vieira

Médico psiquiatra

"São as próprias mulheres que estimulam os maridos ou filhos a procurarem ajuda. Felizmente, o estigma tem diminuído, mas o homem ainda tem uma visão distorcida sobre as doenças mentais"

Outro fator que contribuiu para o agravamento da doença de forma geral em Vitória e que virou motivo de alerta para as autoridades de saúde foi a pandemia da Covid-19, conforme destaca a psicóloga Natane Moysés.

11,3%

DOS BRASILEIROS POSSUIAM DIAGNÓSTICO DE DEPRESSÃO EM 2021

Um levantamento feito pela Universidade Estadual do Rio (UERJ), em 2020, sobre o impacto do novo coronavírus, revelou que o porcentual de casos tinha passado de 4,2% para 8% nos primeiros meses da crise no Brasil.

"Todo mundo tinha uma rotina que foi interrompida de forma abrupta e que, ao mesmo tempo, provocou medo. Além das inseguranças financeiras e do isolamento, o luto foi predominante durante esse período, sobretudo de pessoas que não esperávamos. Amigos e familiares jovens, saudáveis, que foram acometidas sem a chance de uma última despedida''. destaca Moysés.

INCIDÊNCIA MAIOR QUE DA DIABETES

Ainda segundo o levantamento da Vigitel, a incidência de depressão em Vitória é tão grande que já ultrapassa o da diabetes — doença crônica considerada muito comum. Na Capital Capixaba, 10,9% da população adulta foi diagnosticada com o transtorno de humor, e 8,8% possui o quadro autoimune.

O município segue a tendência nacional: o número de brasileiros acometidos pela doença em 2021 chega a uma média de 11,3% — superior ao número de portadores de diabetes, que somam 9,1%.

SINAIS 

Conforme definição da OMS, a depressão resulta de uma complexa interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos. Indivíduos que passam por eventos adversos (a exemplo de desemprego, luto, trauma, entre outros) são mais propensas a desenvolverem o transtorno.

Alguns dos principais sintomas são:

  • apatia, 
  • mudanças repentinas no sono e na alimentação, 
  • desesperança e redução da energia corporal. 

Seu tratamento normalmente acontece por meio de medicamentos ou acompanhamento psicológico, a depender do nível do transtorno, que pode variar de leve a grave.

"Estimamos que pelo menos 10% a 11% da população possui transtornos de humor, depressivos, e a tendência é aumentar cada vez mais. Já se tornou um problema de saúde pública", salienta o médico psiquiatra Jairo Navarro.

A psiquiatra Nathália Gurgel defende que existem algumas medidas que podem melhorar essa situação não apenas na capital capixaba, mas também em todo o Estado. Sem o apoio da família e de pessoas próximas, o diagnóstico se torna ainda mais difícil e o sentimento de desamparo do paciente pode aumentar, ocasionando a piora do quadro clínico.

"Também é muito importante a realização de políticas públicas com a finalidade de treinar equipes multidisciplinares para rastreio e triagem de pacientes com transtorno depressivo, para que eles possam ser identificados e tratados com maior agilidade, gerando uma melhor evolução da doença", completa.

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