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Covid-19 afastou mais de 1.300 policiais civis e militares do trabalho no ES

Os dados referentes ao ano de 2020 foram divulgados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública. No Brasil, 130.946 policiais foram afastados das funções devido à doença

Polícia Militar reforça o patrulhamento no bairro Planalto Serrano após tiroteios entre traficantes e ameaças à jornalistas que faziam matéria sobre a onda de violência na região
Polícia Militar reforça o patrulhamento no bairro Planalto Serrano após tiroteios entre traficantes . Crédito: Fernando Madeira

Entre os trabalhadores que, assim como os profissionais da saúde, não pararam em nenhum instante durante a pandemia estão os  da Segurança Pública. No Espírito Santo, foram 1.309 policiais civis e militares que precisaram ser afastados por Covid-19 e outros seis que perderam a vida em decorrência da doença, somente em 2020. 

Os dados integram o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2021, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nesta quinta-feira (15).  O anuário também registra que 472 policiais morreram de Covid-19 no Brasil e 130.946 foram afastados das funções devido à contaminação. 

"Por ser um serviço essencial, não tivemos opção do trabalho remoto. Segurança é um direito fundamental, sabíamos que não iríamos parar. No começo da pandemia foi difícil atender aos protocolos sanitários, até mesmo o acesso a máscaras, álcool, luvas e outros equipamentos necessários. Tanto que o próprio sindicato teve que doar álcool em gel até que esses equipamentos fossem adquiridos pelo poder público",  recorda Átila Mendes, diretor de comunicação do Sindicato dos Investigadores da Polícia Civil. 

Na Polícia Civil, foram 258 profissionais afastados somente em 2020 devido à Covid-19 e um falecimento. Com um efetivo quatro vezes maior,  a Polícia Militar teve 1.051 afastamentos pela doença, com cinco óbitos.  

"A circulação nas ruas foi mantida do mesmo jeito, assim como as abordagens e operações. Isso faz com que o policial fique mais exposto ao contato com outras pessoas, a começar a própria equipe com que trabalha, aumentando as chances de ser contaminado pelo vírus. Além do trabalho já rotineiro e intenso, passou a ser responsabilidade da segurança pública também fiscalizar comércios e encerrar aglomerações", lembra-se  o cabo Ted Candeias, diretor de Comunicação Social e Relações Públicas da Associação de Cabos e Soldados do Espírito Santo.

Tanto Átila quanto Cabo Ted consideram que as corporações agregaram rapidamente os protocolos sanitários necessários ao momento, mas também concordam de que houve consequências psicológicas para a categoria da segurança pública.

"Já lidamos com situações extremas diariamente. Com o vírus, perdemos colegas, parentes e amigos, além da ansiedade e estresse vindos da necessidade de proteger as próprias famílias. Agora que a situação está menos crítica, daremos mais atenção a essas sequelas do ano de 2020, inclusive aumentando o atendimento psicológico", observou o Cabo Ted.

VACINAÇÃO

Mesmo com todos os procedimentos adotados, a aflição da categoria que realiza o enfrentamento da violência no Estado só foi minimizada em abril, quando o governo estadual priorizou a imunização das forças de segurança. 

"O ano passado foi crítico e tivemos óbitos entre policiais, infelizmente. O HPM tem prestado serviço de atenção aos casos de Covid-19, assim como uma divisão corporativa da Polícia Civil. Com a vacinação, o número de afastamentos segue em queda nas corporações, pois trouxe esse alento de um número menor de contaminados e de internações", observou Pedro Ferro, Coordenador da Comissão Permanente de Saúde dos Servidores da Segurança Pública.

Sobre o prejuízo que o afastamento do efetivo contaminado, obviamente em momentos distintos ao longo do ano, possa ter trazido para as estratégias e operacionalidade das ações de segurança, o subsecretário de  Integração Institucional, Guilherme Pacífico, alega que não foi sentido. 

"Nossos policiais trabalharam heroicamente,  fizeram valer o juramento de arriscar a própria vida e deram sequência ao  que tínhamos como estratégias de ação, não houve prejuízo maior como se acometeu em outras partes sociais. A forma de atuar e de nos relacionar com os profissionais de segurança  se somou aos protocolos sanitários, sem descontinuar o serviço público", pontuou Pacífico.  

Como uma materialidade dessa continuidade de trabalho, houve  queda de 8% do número de homicídios no 1º semestre de 2021, em relação ao ano anterior.

"Nossa missão constitucional é dura, mas seguimos cumprindo com os cuidados", pontuou Cabo Ted. 

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