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Coronavírus: taxa de transmissão cai e aproxima Grande Vitória do  platô

A proximidade da taxa de transmissão a 1 indica que o ápice da curva de contágio está próximo, mas especialistas afirmam que é preciso manter as regras de isolamento e higiene para não regredir

Publicado em 09/07/2020 às 21h53
Atualizado em 17/07/2020 às 19h36
Máscara, coronavírus, Covid-19
Máscara, coronavírus, Covid-19. Crédito: Pixabay

A taxa de transmissão do novo coronavírus no Espírito Santo tem apresentado queda, segundo levantamentos realizados por técnicos do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), do Departamento de Matemática da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Corpo de Bombeiros e da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). E a diminuição mais acentuada do índice na Grande Vitória pode indicar que a região se  aproxima do efeito platô da curva de contágio.

A taxa é baseada em um cálculo que mede a velocidade em que o vírus se dissemina na população. A Grande Vitória chegou a registrar índice de transmissão de 0,92 no dia 26 de junho. Mas, após análise dos dados consolidados do Painel Covid-19, a taxa ficou em 1,09 para o mesmo dia.

Segundo especialistas, a queda da velocidade em que a doença avança é um demonstrativo que a pandemia se aproxima do efeito platô na Grande Vitória.

"Quanto mais próximo de 1, mais perto estaremos do platô. Quando esse número se mantiver por pelo menos três semanas, começaremos a ter uma queda da curva. Isso não significa, porém, que não teremos doentes e mortes", explica o professor Etereldes Gonçalves Júnior, do Departamento de Matemática da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Mas o que vem a ser o efeito platô? 

Com origem no francês, o próprio significado do termo já ajuda a entendê-lo. A palavra platô pode ser utilizada como sinônimo de planalto no ramo da geografia. Ou seja, significa resumidamente uma superfície plana e elevada; e esse cenário também pode ser verificado na curva epidemiológica.

"O platô acontece quando o número de casos ativos do novo coronavírus permanece o mesmo ao longo do tempo em um determinado local. O que significa que a curva de casos acumulados vai crescer em uma velocidade bem baixa, formando uma linha praticamente horizontal", explica Etereldes.

CÁLCULO DA TAXA

Para se obter a taxa de transmissão é preciso um cálculo matemático em que são considerados os dados coletados durante o inquérito sorológico - realizado com base em testagem por amostragem pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) - , como o número de casos confirmados (pessoas que fizeram o teste e deram positivo para a Covid-19), registros de óbitos e percentual de prevalência. Também entram na conta quem ainda não se infectou e a parcela da população que está suscetível ao vírus.

Em 3 de abril, por exemplo, a taxa de transmissão da Grande Vitória era de 3,6. Ou seja, 10 pessoas contaminadas transmitiram para 36 (10 x 3.6) pessoas. Com a queda para 1,09, são 10 pacientes que contaminam 10 pessoas. 

O número é menor que a taxa de transmissão do Estado em geral, que hoje é de 1.2. No interior, esse dado sobe para 1.6, pois a doença está avançando sobre os municípios que não integram a região metropolitana. 

DADO EM ANÁLISE

A atual taxa de transmissão da Grande Vitória é referente a semana epidemiológica encerrada no dia 26 de junho. O índice só é  consolidado depois de duas semanas, pois muitos números importantes são extraídos do Painel Covid 19 - sistema do governo estadual que contabiliza números de casos confirmados, óbitos, entre outros dados.  

E para que a tendência de queda seja confirmada, é preciso que a taxa se repita ou diminua ainda por pelo menos três vezes.

A professora da Ufes e epidemiologista Ethel Maciel explica que a queda na taxa de transmissão pode ser causada por vários fatores e que a região metropolitana tem o maior número de moradores que tiveram contato com a doença. 

"A Grande Vitória foi o epicentro da pandemia no Espírito Santo, muitas pessoas se infectaram e não estão mais transmitindo. Quando há muitas pessoas imunes, com anticorpos, e o vírus não está encontrando pessoas suscetíveis à infecção, ele circula de forma desacelerada", explicou a professora.

Testagem de taxistas e motoristas de ônibus em Linhares
Testagem de taxistas e motoristas de ônibus em Linhares . Crédito: Prefeitura Municipal de Linhares

O último inquérito sorológico apontou que a prevalência da doença na Grande Vitória está em 11% da população, já no interior 4% da população teve contato com a Covid-19. No Estado, o índice geral é de 9%.

Ainda de acordo com os especialistas, é necessário manter as medidas de isolamento para que as taxas de transmissão diminuam mais, pois o risco de contágio ainda é considerado alto. 

"Não podemos relaxar pois, depois do platô, ainda vamos descer a ladeira. Infelizmente, nesta descida ainda serão registradas mortes e mais pessoas doentes. Não é o momento de deixar as ações de isolamento", pontuou Etereldes.

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