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Coronavírus no ES: mais de 1,1 mil mortes são de pessoas sem comorbidades

Número representa um terço dos todos os óbitos registrados no Estado. Para especialistas, proporção é alta

Publicado em 23/10/2020 às 13h45
Atualizado em 23/10/2020 às 13h45
Data: 26/03/2020 - ES - Vitória - Movimento de pessoas no calçadão da Praia de Camburi durante pandemia do Covid-19
A cada três óbitos registrados no Estado, um foi de paciente que era considerado saudável antes de contrair o vírus. Crédito: Carlos Alberto Silva | A Gazeta

Espírito Santo já perdeu 3.767 vidas para a pandemia do novo coronavírus. Do total de mortes contabilizadas até quarta-feira (22), 1.127 foram de pessoas que não tinham comorbidades. Em outras palavras, a cada três óbitos registrados no Estado, um foi de paciente que era considerado saudável antes de contrair o vírus. Os dados são do Painel Covid-19, da Secretaria de Saúde.

Uma a cada três

É a proporção de pessoas que morreram em decorrência da Covid-19 e que não tinham comorbidade

A Secretaria de Estado da Saúde considera comorbidades as doenças cardíacas, renais, diabetes e problemas pulmonares, além de fatores como obesidade e tabagismo. As deficiências relacionadas ao coração e o diabetes seguem sendo os mais graves, se considerado o perfil das mortes na pandemia.

Vale ressaltar que dos 1.127 óbitos entre aqueles que eram considerados saudáveis, 348 ocorreram em indivíduos com menos de 60 anos. Ou seja, pessoas que nem mesmo integravam o grupo risco para a Covid-19, já que os idosos também têm maior tendência de evoluir para casos graves da doença.

NÚMERO É CONSIDERADO ALTO

Proteção total e muita limpeza na luta contra  o coronavírus dentro das UTIs
Proteção total e muita limpeza na luta contra o coronavírus dentro das UTIs. Crédito: Carlos Alberto Silva

Doutora em epidemiologista, Ethel Maciel garante que a proporção de 30% é maior que a verificada em outros lugares. "Ainda não sabemos por qual motivo isso está acontecendo. Pode ser por uma associação com alguma doença, sejam elas respiratórias ou arboviroses, como a chikungunya e a dengue", disse.

Ethel Maciel

Doutora em epidemiologia

"Esse percentual é expressivo, quase um terço. Ele nos indica que precisamos proteger todas as pessoas porque essa doença não atinge só as que têm comorbidade e não sabemos por que esses 30% estão morrendo"

O médico infectologista Crispim Cerutti Júnior também acredita que a frequência seja superior à esperada. "A expectativa é que tivéssemos uma proporção menor, mas um evento que é pouco frequente se torna numeroso à medida que a exposição da categoria é alta".

"Acho que essa proporção deve aumentar, principalmente porque a adesão aos cuidados e ao distanciamento social das pessoas mais jovens não tem se mostrado crescente. Temos um grande contingente de jovens se expondo, que estão ignorando as medidas progressivamente", finalizou.

NÚMEROS DA COVID-19 NO ES

Dados sobre a doença no Estado mostram que 148.055 pessoas tiveram diagnóstico positivo desde o início da pandemia. Destas, 3.767 morreram e 136.530 estão curados. A taxa de letalidade da doença por permanece em 2,5%. 

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