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Caso Milena: atirador aceitou dois meses antes assassinar 'uma mulher'

Primeiro a falar pelos réus foi o atirador que matou Milena Gottardi, Dionathas Alves, em um dos depoimentos mais aguardados do júri

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 27/08/2021 às 15h43
 Dionathas Alves Vieira, executor da médica Milena Gottardi
Dionathas Alves Vieira, executor da médica Milena Gottardi. Crédito: Geraldo Neto

Na tarde desta sexta-feira (27), o julgamento do caso Milena Gottardi entrou na fase dos depoimentos dos seis réus acusados pelo assassinato da médica. Dionathas Alves, que confessou ter atirado em Milena, foi o primeiro a ser ouvido. Ele revelou que foi procurado dois meses antes do crime e concordou em "matar uma mulher" em troca de R$ 2 mil reais. Acompanhe tudo o que está acontecendo no julgamento tempo real.

Emocionado ao lembrar do dia do crime, Dionathas relatou que foi procurado por Valcir Dias dois meses antes do crime, por telefone, que o perguntou se ele faria um serviço para matar uma mulher. Foi oferecido R$ 2 mil 

"Eu estava trabalhando em Maria Ortiz, em Vitória, como ajudante de pedreiro, quando ele me ligou. Me perguntou se eu mataria uma mulher, eu disse que sim. Prometeram R$ 2 mil reais. Ele me pediu então que eu aguardasse que ele daria mais detalhes".

Segundo Dionathas, Valcir e Hermenegildo o pressionaram a matar Milena o quanto antes. "Eles falaram que era preciso resolver logo, porque tinha uma pessoa sofrendo muito por conta daquilo. Eu disse que era preciso jogar mais pra frente, porque eu estava trabalhando, mas eles disseram que tinha que ser logo. Eles me pressionaram, então eu disse que faria logo".

ENCONTRO COM HILÁRIO

No depoimento, Dionathas disse que se encontrou com Hilário em um posto de gasolina em Laranjeiras. "Eu tinha ido no hospital e estávamos voltando para Timbuí, eu dirigindo o carro do Valcir e ele no carona. O Valcir recebeu uma ligação e pediu para parar. Fizemos um retorno e paramos em um posto, onde tinha uma caminhonete. O Valcir desceu primeiro e entrou na caminhonete, eu fui depois". 

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"Eu tomei um susto quando vi um colete da Policia Civil, mas o Hilário disse que estava tranquilo. Ele mostrou para gente o celular, mostrou que o carro era rastreado e disse que 'aquela filha da puta tinha que descansar", que 'o que ele fez para ela não justificava o que ela estava fazendo com ele'"

Depois disso, segundo Dionathas, Hilário disse que conseguiria uma arma para o Valcir, mas que ainda não tinha apreendido nenhuma na polícia.

O crime aconteceu em 14 de setembro de 2017, quando a médica encerrava um plantão. Confira abaixo como seria a participação de cada um dos acusados:

EXPECTATIVA

De acordo com um dos promotores do caso, Rodrigo Monteiro, o depoimento de Dionathas é um dos mais importantes desta fase. Por já ter confessado o crime, há a expectativa de que ele aponte toda a rede formada pelos réus durante o planejamento do feminicídio. "É um depoimento bastante importante, que deve durar cerca de cinco ou até seis horas", contou.

O advogado de Dionathas, Leonardo Souza, disse que seu cliente vai trazer novos elementos para o caso. "A situação de Dionathas é a mais cristalina neste caso. Ele quer que a Justiça seja feita e vai trazer novos elementos sobre o crime", afirmou.

Vídeo de reconstituição mostra passo a passo do crime contra médica

ENTENDA O CASO

A médica Milena Gottardi, 38 anos, foi baleada no dia 14 de setembro de 2017, quando encerrava um plantão no Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (Hucam), em Maruípe, Vitória. Ela havia parado no estacionamento para conversar com uma amiga, quando foi atingida na cabeça.

Socorrida em estado gravíssimo, a médica teve a morte cerebral confirmada às 16h50 de 15 de setembro.

Milena Gottardi: do crime ao julgamento dos réus

As investigações da Polícia Civil descartaram, já nos primeiros dias, o que aparentava ser um assalto seguido de morte da médica (latrocínio). Naquele momento as suspeitas já eram de um homicídio, com participação de familiares.

Ao liberar o corpo de Milena no Departamento Médico Legal (DML) de Vitória, o ex-policial civil Hilário Frasson teve a arma e o celular apreendidos pela polícia. Ele não foi ao velório e enterro, que aconteceram em Fundão, onde Milena nasceu.

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