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Capixabas estiveram um dia antes em Capitólio: "Podia ser a gente ali"

Dois turistas do Espírito Santo contaram que fizeram um passeio na sexta-feira (7), no Lago de Furnas, um dia antes de um deslizamento de pedras que deixou ao menos oito mortos

Tempo de leitura: 3min
Publicado em 09/01/2022 às 09h16
Rocha desaba em Capitólio-MG, atingindo barcos
Rocha desaba em Capitólio-MG, atingindo barcos. Crédito: Reprodução / Redes Sociais

Dois turistas do Espírito Santo que estão de férias em Capitólio (MG) contaram que fizeram um passeio na sexta-feira (7), no Lago de Furnas, um dia antes de um deslizamento de pedras atingir embarcações no local. O acidente deste sábado (8) deixou ao menos oito mortos. Eles estão em uma excursão e pretendem voltar ao Estado neste domingo (9).

Heron Ventura

Capixaba que esteve em lago de MG antes da tragédia

"Ontem [sexta-feira] foi um passeio super divertido, a gente se divertiu muito com nossos amigos. Nós estamos em excursão aqui, mas ainda assim, desde ontem, a gente percebeu que o clima não estava tão favorável assim. Choveu bastante durante o passeio, inclusive a gente ainda passou por um processo de tromba d'água que foi bem assustador, felizmente já foi bem no final do passeio, então a gente ficou em total segurança, tudo ok "

Os capixabas relataram à reportagem do G1 ES como foi saber da tragédia que aconteceu no mesmo lugar onde passearam.

"Hoje a gente saber que teve a tragédia no mesmo local que a gente estava foi bem assustador", contou Heron.

"Podia ser a gente ali e isso dói muito", disse o outro turista, Renato Pagotto.

LUGAR PROCURADO POR TURISTAS

A região de Capitólio e outras cidades banhadas pelo Lago de Furnas, no Centro-Oeste de Minas, são procuradas por turistas por sua beleza natural.

Assim como outras partes do estado, a região tem sido atingida pelas chuvas recentes: na sexta, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) havia emitido um alerta de chuvas intensas, que durariam até a manhã de sábado.

No sábado, Defesa Civil de Minas Gerais havia feito um alerta sobre chuvas intensas e a possibilidade de ocorrências de "cabeça d'água' em Capitólio, mas não há confirmação que essa foi a causa do acidente. A Marinha disse que investiga o motivo de os passeios serem mantidos.

O porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas, Pedro Aihara, explicou que a formação rochosa do local é do tipo sedimentar, o que torna as estruturas dos paredões frágeis, e a quantidade de chuvas agravou a situação por acelerar a erosão.

Pedro Aihara

Porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais

"A gente tem uma formação rochosa que é basicamente composta por rochas sedimentares, então são rochas que naturalmente têm uma resistência muito menor à atuação dos ventos, da água, dos elementos naturais que atuam sobre a região"

"Uma outra situação que acabou infelizmente agravando foi porque a rocha cai numa trajetória perpendicular. Geralmente, quando a gente tem ruptura por tombamento, a rocha sai de uma forma mais fatiada, ela escorre por aquela estrutura e cai de uma forma ou diagonal ou então mesmo em pé. Nesse caso, como a gente teve esse tombamento perpendicular, e pelo tamanho da rocha, a gente acabou tendo essas pessoas diretamente afetadas", explicou o bombeiro.

Para o especialista em gerenciamento de risco, Gustavo Cunha Melo, uma tromba d'água – inicialmente citada pelos bombeiros como motivo do deslizamento – pode ter agido como um gatilho para o deslizamento, mas não foi necessariamente a causa do problema.

Para Melo, a rocha se desprenderia de qualquer jeito, por causa da erosão.

"Essa rocha já estava com muita erosão, totalmente fragmentada, ela iria desabar em algum momento. A tromba d’água pode explicar o desabamento neste momento? Pode, assim como também não precisava nada – ela ia desabar em algum momento por erosão, por um processo natural", afirmou.

Nesses casos, segundo o especialista, o gerenciamento de risco consiste em isolar o local.

"Não tem muito o que fazer nessas situações. O gerenciamento de risco é: manter distância. Você tem que isolar a área. A única gestão de risco que é feita é isolar a área. Infelizmente ali as embarcações estavam muito próximas e o desabamento aconteceu nesse mesmo momento", explicou Melo.

O geólogo Fábio Braz, da Sociedade Brasileira de Geologia, relacionou o desprendimento das rochas às chuvas – intensas e por um longo período – e classificou o acidente como "raro".

Fábio Braz

Geólogo, membro da Sociedade Brasileira de Geologia

"Fica cada vez mais evidente que realmente as fortes chuvas contribuíram para a queda desse bloco. Esse fraturamento vertical é típico de regiões de cânion. A gente também observa nos cânions do Rio São Francisco o mesmo tipo de feição"

"É um fenômeno raro. Não descaracteriza o apelo turístico da região de Capitólio. É preciso, sim, que sejam tomadas, a partir dessa tragédia, as precauções necessárias, as distâncias, que seja calculado por especialistas na área de geotecnia qual a distância segura desses paredões", disse Braz.

TRÊS MORTOS IDENTIFICADOS

No fim da noite de sábado, policiais civis contaram que três pessoas que morreram na tragédia já foram identificadas, sendo dois homens e uma mulher. No entanto, não há autorização para divulgação dos nomes. Os policiais também relataram que alguns corpos ficaram mutilados, o que dificulta na identificação. 

Os mortos, ainda conforme os agentes, estavam em uma única lancha, que seria de propriedade de um morador de São José da Barra, cidade próxima a Capitólio. As vítimas, que seriam conhecidas do proprietário da lancha, teriam ido até o local para conhecer o cânion.

Com informações de G1 ES e Folhapress

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