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Destaque nacional

Capixaba vence prêmio e terá arte estampada em marca famosa de porcelanas

Com obra criada no último dia de inscrição, Alexandre Volponi transformou suas memórias afetivas em arte inspirada nos cantos dos passáros

Publicado em 28 de Novembro de 2025 às 11:08

Nicoly Reis

Publicado em 

28 nov 2025 às 11:08
O capixaba irá passar por uma experiência imersiva no Instituto Inhotim, o maior museu a céu aberto do mundo.
Alexandre Volponi vai passar por uma experiência imersiva no Instituto Inhotim, o maior museu a céu aberto do mundo Crédito: Arquivo Pessoal
“Às vezes, coisas que achamos tão simples, como escutar um passarinho e ficar feliz, acabam sendo escolhidas em nível nacional.” Foi com essa percepção que o capixaba Alexandre Volponi, 27 anos, designer, ilustrador e publicitário, venceu o Prêmio Oxford de Design 2025. A obra, inspirada nos passarinhos que fizeram parte de sua infância no interior do Espírito Santo, conquistou o público e o júri técnico.
A Oxford, empresa brasileira conhecida pela produção de louças e cerâmicas, realiza anualmente o concurso, que convida artistas de todo o país a criarem estampas aplicáveis à sua linha de produtos. Neste ano, o tema “O que faz seu dia sorrir” desafiava os participantes a traduzirem em arte pequenas alegrias da rotina, memórias afetivas e sensações que trazem leveza ao cotidiano.
Para Alexandre, essa resposta veio de forma imediata e carregada de lembranças: “Minha família por parte de mãe é de Alfredo Chaves e Iconha, então sempre passei férias por lá. O canto dos passarinhos é algo muito presente, faz parte do som ambiente. É uma memória muito forte pra mim”.
Mesmo acompanhando a premiação todos os anos, Alexandre nunca havia conseguido participar, porém, neste ano, um amigo o lembrou da data. Ele conta que teve que preparar as artes rapidamente, porque já estava no último dia de competição, mas, como sempre amou os pássaros, decidir o tema não foi um problema, e o trabalho acabou fluindo com facilidade.

Da votação popular ao reconhecimento técnico

A premiação ocorreu em duas etapas: primeiro, houve a votação popular, que selecionou os 15 trabalhos mais votados do Brasil; depois, a análise de um júri especializado. Segundo Alexandre, ter ficado entre os 15 já foi muito especial, porque soube que pessoas do país inteiro votaram em seu desenho. “Foi uma sensação incrível. Minha família inteira ajudou, amigos, conhecidos… Ver essa torcida foi muito emocionante”, lembrou.
A vitória no júri técnico veio como um fechamento perfeito. “Foi surreal. Eu demorei a acreditar. Era um concurso nacional, e ver meu trabalho sendo reconhecido dessa forma foi muito marcante”, disse.
Formado em Publicidade e Design, Alexandre já havia recebido outras premiações ao longo da carreira, sempre ligado a trabalhos desenvolvidos em agências. Mas, desta vez, o impacto foi diferente. “Foi a primeira vez que alguma coisa só minha foi premiada. Não vinha de uma equipe, de um cliente, de uma agência. Era Alexandre enquanto pessoa. Isso tem um valor imenso”, explicou.
Agora, ele se prepara para viajar, com tudo pago, para Brumadinho, em Minas Gerais, onde participará de uma experiência imersiva no Instituto Inhotim, o maior museu a céu aberto do mundo, como parte da premiação. Além disso, aguarda ansiosamente para ver sua arte estampada nas porcelanas da Oxford.

O simples que emociona

Entre tantas possibilidades de criação, o artista reforça que sua obra é, antes de tudo, sobre reconhecer beleza no que parece pequeno. “Para mim, ver um passarinho, ouvir o canto dele, sempre foi algo simples, rotineiro. E isso acabou sendo escolhido em nível nacional. Às vezes, a gente acha que algo é pouco para virar arte. Mas o cotidiano é muito bonito”, explicou.
Os arquivos originais já foram enviados para a Oxford, que agora inicia os testes de produção. As peças com a arte de Alexandre devem ganhar forma nos próximos meses.

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