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Capixaba estava em Capitólio no momento da tragédia: "Barulho gigantesco"

O comerciante Ricardo Fernandes diz que estava passando por uma ponte na superfície dos cânions quando parte das pedras deslizou. O local foi imediatamente interditado

Tempo de leitura: 3min
Vitória
Publicado em 09/01/2022 às 12h58
Cânion deslizou e atingiu embarcações em Capitólio, Minas Gerais
Cânion deslizou e atingiu embarcações em Capitólio, Minas Gerais. Crédito: Reprodução

Milhões de brasileiros acompanharam atentamente as primeiras imagens registradas em Capitólio, Minas Gerais, onde uma pedra dos cânions se desprendeu do paredão, causando ao menos oito mortes de pessoas que estavam fazendo passeios de lancha no Lago de Furnas no começo da tarde de sábado (8). Assistindo pela televisão ou vendo em redes sociais, as imagens assustam e causam aflição. Mas uma família capixaba, antes mesmo de entender o que aconteceu, viu e ouviu de perto a tragédia. O comerciante Ricardo Fernandes, com a esposa e dois filhos, todos moradores de Guaçuí, no Sul do Espírito Santo, faziam um passeio na superfície das pedras quando a estrutura se descolou e atingiu as embarcações.

Em contato com a reportagem de A Gazeta horas depois da tragédia, o comerciante capixaba destaca o barulho causado pelo contato da pedra com a água onde estavam as lanchas. Como mostram os vídeos, parte do cânion caiu de forma perpendicular, para frente, atingindo em cheio quatro embarcações, com pelo menos 34 pessoas. São oito mortes contabilizadas, ainda com registros de desaparecidos. O capixaba conta que estava passando por uma ponte entre os cânions quando ouviu o barulho.

Ricardo Fernandes

Morador de Guaçuí que está em Capitólio

"Naquele momento, eu estava atravessando uma ponte. Ouvi um barulho gigantesco, eu ouvi o exato momento. Afundou tudo, foi uma gritaria, muitas crianças chorando, adulto gritando. Tá na cabeça da gente, foi um barulho gigantesco"

Ricardo Fernandes lembra que logo depois da queda do cânion, equipes de apoio chegaram ao local - que não oferecia riscos, segundo o capixaba. O local foi interditado e os turistas foram levados para outro espaço.

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"Foi por volta de meio-dia, uma hora da tarde. Lembro que tirei uma foto 12h03 bem na direção do acidente, ali perto. Exatamente quando aconteceu, os monitores de segurança já pediram pro pessoal sair dali, parar de tirar fotos e gravar vídeos. Estávamos passeando por cima, vendo o que acontecia na água. Quando aconteceu o acidente, fomos retirados dali, o local foi interditado", detalhou à reportagem de A Gazeta.

Minutos depois da ocorrência, equipes do Corpo de Bombeiros foram ao local para atendimento. Houve ainda apoio da Marinha. órgão que é responsável pela regularização do tráfego de embarcações no Lago de Furnas.

A primeira morte causada pelo deslizamento de pedras foi confirmada ainda no início da tarde de sábado. No fim da manhã de domingo, durante as buscas no local, os Bombeiros informaram que o número de mortes chegou a oito.

CAPIXABAS FORAM AO LOCAL NA VÉSPERA

Ricardo Fernandes esteve bem perto dos cânions no momento da tragédia no Capitólio
Ricardo Fernandes esteve bem perto dos cânions no momento da tragédia no Capitólio. Crédito: Arquivo pessoal

Ricardo Fernandes e a família não apenas estavam perto da tragédia no sábado, como também foram aos cânions no dia anterior. O passeio foi agendado para a sexta-feira (7), quando 14 pessoas, incluindo os quatro capixabas, passaram perto da estrutura que deslizou.

Ricardo Fernandes, morador de Guaçuí, viajou a passeio para Capitólio
Ricardo Fernandes, morador de Guaçuí, viajou a passeio para Capitólio. Crédito: Acervo pessoal

"Fizemos o passeio da lancha na sexta-feira, tiramos fotos, fizemos vídeo e tudo mais. Estávamos em 14 pessoas na lancha. O passeio dura quatro horas, e a lancha para em bares, mostrando tudo", comenta.

CIDADE MOBILIZADA PARA ATENDIMENTO

O planejamento de Ricardo e dos amigos era ficar aproximadamente 15 dias na região. Mas os planos devem ser alterados, e a família deve chegar ao Espírito Santo antes disso.

"A cidade inteira está parada depois do que aconteceu, ficou mobilizada. Os passeios e eventos foram todos cancelados, não há mais clima, não tem graça. A ideia era ficar aqui 15 dias, mas devemos até voltar mais cedo. Hoje todos estão querendo ir embora", conta.

O porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas, Pedro Aihara, avaliou que a formação rochosa do local é do tipo sedimentar, o que torna as estruturas dos paredões frágeis, e a quantidade de chuvas agravou a situação por acelerar a erosão.

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