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Ataques de piranhas em Linhares: o que explica o aumento de casos entre banhistas?

Ataques de piranhas em Linhares: o que explica o aumento de casos entre banhistas?

Especialista explica que comportamento territorial da espécie, aliado à degradação ambiental e ao período reprodutivo, ajudam a entender os registros frequentes neste verão

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Luana Luiza

Repórter / [email protected]

Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 18:57

Especialista explica que comportamento territorial da espécie, aliado à degradação ambiental e ao período reprodutivo, ajuda a entender os registros frequentes no verão
A espécie identificada nas lagoas é a Pygocentrus nattereri, conhecida popularmente como piranha-vermelha Crédito: Montagem | Leitor A Gazeta

Os constantes registros de ataques de piranhas em lagoas de Linhares, no Norte do Espírito Santo, preocupam moradores e banhistas, especialmente durante o verão, período em que esses locais costumam receber um grande número de pessoas, especialmente aos finais de semana. Apesar de chamarem atenção, esses episódios não são inéditos no município e seguem um padrão já observado há anos. Entretanto, a recorrência de casos entre o fim de 2025 e início deste ano tem chamado a atenção. 

De acordo com o doutor em ecologia de peixes de riachos, Luiz Fernando Duboc, a presença das piranhas na região é resultado de introduções intencionais e também acidentais, ocorridas ao longo do tempo. A espécie identificada nas lagoas é a Pygocentrus nattereri, conhecida popularmente como piranha-vermelha. Embora a imagem popular associe piranhas a ataques em grupo, como retratado em filmes, o pesquisador esclarece que esse comportamento não é comum.

Esta é uma espécie agressiva, mas que não costuma atacar em bandos. Ela é territorialista e cuida dos ninhos na época reprodutiva. Assim, fica mais agressiva e propensa a ataques.

Luiz Fernando Duboc

Doutor em ecologia de peixes de riachos

Por que tantos ataques no verão?

O verão é justamente a época em que a espécie se reproduz. Nesse período, as piranhas constroem ninhos e passam a defendê-los, tornando-se mais agressivas e aumentando o risco de ataques. Segundo Luiz, não é que apareçam mais nessa época, elas sempre estiveram ali, o que muda é a frequência dos ataques, já que mais pessoas aproveitam e agitam a água.

Lagoa Juparanã, em Linhares
O ataque mais recente ocorreu na Lagoa Juparanã, a maior em volume de água doce do país Crédito: Prefeitura de Linhares

Outro fator que pode contribuir para o problema é o estado ambiental das lagoas e drenagens da região. Espécies exóticas, como a piranha-vermelha, tendem a se adaptar melhor a ambientes alterados ou degradados, como a região em Linhares.

Infelizmente, segundo o pesquisador, não há soluções eficazes conhecidas para eliminar a espécie após a introdução da mesma. Existe uma possibilidade de mitigação a longo prazo. Embora não seja uma opinião unânime, a recuperação ambiental e o retorno das espécies nativas podem ajudar a reduzir e controlar a população das piranhas-vermelhas.

Como se prevenir de ataques?

Por inexistir solução definitiva para eliminação destes peixes nessa região, a principal recomendação é a prevenção por meio da demarcação das áreas impróprias, com o uso de telas e evitando ficar em locais próximos às margens com vegetação, onde podem estar os ninhos.

Sobre os casos registrados, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Linhares informou, por meio de nota, que as áreas onde ocorreram os ataques são de propriedade particular. Mesmo assim, equipes estiveram nos locais para fazer vistorias e orientar os proprietários sobre medidas de segurança.

Segundo o órgão, cabe aos responsáveis adotar ações para reduzir os riscos, como a instalação de redes de proteção nos pontos usados por banhistas.

Enquanto estudos mais aprofundados não são realizados e a espécie permaneça na região, a atenção e o cuidado seguem sendo as principais formas de proteção para quem frequenta as lagoas do município.

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