ASSINE

86% dos doentes com coronavírus no ES se curaram. O que isso significa?

De acordo com o Painel Covid-19, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), mais de 220 mil testes foram realizados no Espírito Santo para identificar a doença

Publicado em 21/08/2020 às 05h55
Atualizado em 21/08/2020 às 08h17
Imagem de laborátorio do coronavírus
Imagem de laboratório do coronavírus. Crédito: CDC/ Unsplash

No entendimento do Ministério da Saúde, um paciente infectado com o quadro clínico leve do novo coronavírus é considerado curado se no 14º dia após o descobrimento da doença ele não apresentar nenhum sintoma. O critério é válido para os contaminados que cumpriram o isolamento social em casa.

Já os pacientes que precisaram de internação hospitalar recebem alta após análise clínica e em alguns casos, até mesmo laboratorial, realizada pela equipe médica responsável pelo acompanhamento dos casos. Até esta terça-feira (20), mais de 220 mil testes para identificar a doença já tinham sido realizados no Espírito Santo.

É importante destacar que a primeira etapa do segundo inquérito sorológico promovido pelo governo do Estado estimou que mais de 262 mil capixabas e domiciliados no Espírito Santo podem já ter tido contato com o coronavírus. Além disso, a análise apontou que quase metade das pessoas infectadas pelo coronavírus não apresentaram sintomas da doença.

Este vídeo pode te interessar

No Estado, 86% das pessoas que contraíram a Covid-19 ficaram curadas. De acordo com informações do Painel Covid-19, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), 104.169 receberam diagnóstico positivo para a infecção. Desse total, 89.656 receberam alta e outras 2.979 morreram.

Na Grande Vitória, quando comparados os casos confirmados, o município de Vitória apresenta a maior média de recuperação dos pacientes, com 91% de curados. Vila Velha e Serra contabilizam 89%, Guarapari registra 86%, Viana conta com 81% e Cariacica aparece com 80%.

Nas cidades do interior, um dos destaques vai para Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado, onde 92% da população infectada já está livre dos sintomas da doença. No Norte, 87% dos casos positivos de Linhares receberam alta. Na região Noroeste, 81% dos pacientes em Colatina que testaram positivo também foram curados.

O subsecretário de Vigilância em Saúde da Sesa, Luiz Carlos Reblin, explicou que, quando o tratamento é feito em casa, o paciente é monitorado por uma equipe da Secretaria de Saúde do município onde mora. Quando a pessoa atinge o 14º dia de isolamento e passa 72 horas sem sintomas, está curada.

Luiz Carlos Reblin

Subsecretário de Vigilância em Saúde

"Esse número de recuperados segue a tendência mundial. Sabemos que a maioria das pessoas que nós conhecemos fica curada. Estamos caminhando para alcançar esse número de cura em mais de 98%. Significa que o município está cuidando de acompanhar o caso da pessoa que adoeceu em sua cidade"

A médica infectologista Rubia Miossi entende que o número de curados indica que as medidas adotadas durante o enfrentamento do novo coronavírus foram adequadas. Segundo ela, o comportamento da doença identificado em outros estados e países já indica que cerca de 80% dos casos leves terão alta.

“Aqueles que precisam de internação, se tiverem de fato vaga e a assistência adequada a tempo, vão ficar curados. Se muitas pessoas adoecerem ao mesmo tempo e a quantidade de pacientes que precisarem de internação for maior que o número de leitos disponíveis, aí sim, a taxa de mortalidade vai aumentar e a gente não vai ter essa proporção tão grande de curados”, analisou.

Na avaliação da doutora em Saúde Coletiva e Epidemiologia, a professora Ethel Maciel, do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), é preciso prestar atenção no número de casos suspeitos apontados no Painel Covid-19. De acordo com a ferramenta, o Estado investiga 89.630 exames.

“A primeira questão a se pensar é que só se curam aqueles que se infectam. Então, não é necessariamente uma comemoração a gente ter um número tão grande de pessoas curadas. Os casos suspeitos representam no Espírito Santo quase o mesmo número de pessoas que estão curadas. Ainda não temos uma análise precisa desses dados em investigação”, salientou.

Outro ponto de destaque levantado por Ethel é a taxa de letalidade, ou seja, as pessoas que morrem após não resistirem às complicações provocadas pela Covid-19. Segundo ela, este índice está relacionado ao número de pessoas dignosticadas. Com a ampliação dos testes, mais casos foram confirmados e então foi verificada uma menor letalidade do vírus.

“Nós estamos neste momento ainda com muitas pessoas com a doença ativa e por isso é muito importante que a gente continue mantendo as medidas de prevenção como usar máscara, lavar as mãos, ficar em locais com fluxo de ar para que a gente tenha menor risco de contaminação. O vírus ainda está entre nós e a pandemia não está controlada nem no Brasil e nem no Espírito Santo”, ressaltou. 

A Gazeta integra o

Saiba mais

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.